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Arquivo de maio, 2008

29/05/2008 - 00:13

Mac Ming

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Enquanto você lê esse post, estou bem longe de casa. Mas para não perder o status de blogueiro compulsivo, deixei uns drops programadinhos, até voltar com news de outras bandas…

O de hoje é em homenagem ao meu brother Marcelo Martiniano Hawkins (marcelo_hawkins@uol.com.br), cabeção-usina de manutenção que sempre hypa meus I-macs, I-pods, I-phones e I-fins. Sabe-tudo de tecnologia, o cara dá jeito em qualque gadget cansado de guerra, inclusive nos Apples da vida, mão-de-obra deveras complicada de se encontrar por aqui…

Voltando ao tema, o laptop aí em cima, que funciona de verdade, é mais um achado descolex de Pink Wainer para a sua Loja do Bispo (www.dobispo.zip.net). Estilizado pelo artista Mario Brandão, o note recebeu tratamento de porcelana com pinturas em azul e branco, à moda da Dinastia Ming (1368-1644). Com esse look, você nem precisa saber qual a configuração do bichinho, né?

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28/05/2008 - 23:50

In-Fluências

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Tô correndo tanto (afivelando as malas para um périplo de press trip além das fronteiras) que quase esqueci de contar: na semana passada todas as tribos do décor se encontraram para o almoço de lançamento da coleção 2008 do Empório Beraldin (www.beraldin.com.br).

Zeco e Valéria estão entre os melhores anfitriões da praça, e o seu Empório é o que há de mais chique em revestimentos naturebas, daqueles feitos para agradar a gregos, troianos e até os malas de plantão – com todo o respeito, como o são alguns decoretes-sem-alça do nosso mundinho.

Sob o codinome In-Fluências, o desfile de cores, padrões e texturas salta aos olhos. Adorei tudo por lá: os tecidos da designer inglesa Tricia Guild (a partir de agora representada com exclusividade no Brasil, pelo duo), as estampas, os Ikats, as palhas metalizadas, as novas pastilhas de osso (puro luxo recortado em quadradinhos), as pastilhas de porongo (resíduo das cabaças usadas para as cuias de chimarrão), entre outras novidades Classe A. Vai lá!

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27/05/2008 - 13:09

A iluminada

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Espia só essa pendente e me diz se é ou não é über-fashion. Batizada de “Essayage” por sua criadora, Baba Vacaro, designer iluminada que manja tudo de haute-couture em iluminação, acessórios e afins (veja o site dela), a peça lembra uma roupa em processo de finalização, com costuras aparentes, tipo alfaiataria (leia-se a tal da moulage, técnica de arremate no corpo do manequim – ou da maneca em si, que geralmente grita a cada espetada).

O material difusor, um não-tecido composto de filamentos contínuos de polietileno de alta densidade, reciclável, costurado em forma de capa removível sobre uma estrutura metálica, é tudo de bacana. Um look “ponto de prova” que arrasa no efeito “vestido para iluminar”.

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26/05/2008 - 15:42

Ray Charles

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Ray Charles é um dos meus divos (black music, definitivamente, é a minha praia), mas o começo do post é pegadinha, mero pretexto para falar de Charles & Ray Eames, designers e arquitetos de quem sou fã de carteirinha – eu e todo mundo que curte um traço bem traçado.


O casal americano que literalmente dobrou a madeira, revolucionando as técnicas de marcenaria nas décadas de 40 e 50, é responsável por uma coleção-referência que engrossa o acervo permanente do Moma NY e do Vitra Design Museum. Tá?


Para refrescar a sua memória, colei aqui uma seleção do barulho, de cima para baixo: a chaise 670 (com estrutura de madeira, estofado fofíssimo de couro, com pufe para os pés, aqui em versão vermelha); a escultural CE9, vazada em pose arte-contemporânea; 3 looks da poltrona Dar (aquela com assento de poliuretano e pés metálicos ou de balanço); e a cadeira LCW (um “origami” de chapas de madeira moldada).


Não bastasse os feitos com a mobília, os Eames também causavam com seus curta-metragens, o que lhes assegurou um lugar de destaque na indústria cinematográfica de vanguarda. A história começou com as exposições multimídia que acompanhavam seus lançamentos (haja pioneirismo!) e terminou com rolos e rolos de películas notáveis, que estão “rolando” até o fim do mês na mostra de cinema da Caixa Cultural (www.caixa.gov.br). Ao todo são 25 filmes by Charles & Ray, que vão dos temas científicos aos históricos, passando pelos auto-biográficos. Dá pra perder?

Barulhinho bão do dia: Ray Charles cantando com outro divo, Stevie Wonder.

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24/05/2008 - 15:10

Quatro estações

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E na semana passada rolou a festança da Avanti (www.avantitapetes.com.br), que parou a Gabriel. Por conta do meu fechamento aqui, não pude aparecer à noite, mas fui conferir o mise-en-scene in loco, pouco antes do sol se esconder e do DJ detonar as pick-ups. Mote da balada: o showroom em versão revista e ampliada, e a novíssima coleção da marca carioca de tapetes (trintona, assim como eu).

Com o perdão do trocadilho, percebi um avanço vertiginoso nos produtos (que, vejam bem, já eram insuspeitos): desenhos mais antenados, novas tecnologias nas tramas, estampas mais finas e acabamentos novidadeiros para poltronas desenvolvidos a partir de… carpetes! Bem legal.

Mais legal ainda a forma como eles se apresentam: com curadoria da top designer Baba Vacaro e cenografia do multifacetado Marton, que plantaram uma floresta com quatro pegadas diferentes, na toada da primavera, verão, outono e inverno, o cenário faz a linha fábula interativa, onde a gente afunda o pé no chão e tem vontade de apertar tudo o que vê pela frente. “Muito mais do que apenas ver, aqui nos sentimos livres para tocar, experimentar, sentir. Nos sentimos impelidos a nos deixar levar”, diz Baba Vacaro. Passe por lá e não fique com vergonha de se jogar no chão – vai dar vontade, garanto.

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23/05/2008 - 01:34

Melrose Place

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Já te contei que só troco o meu cafofo 4×4 em Cerqueira César por um apê no Edifício Bretagne, né? Falem bem ou falem mal, morro de amores pelo prédio e coleciono amigos queridos ali. Mais do que a vizinhança batuta (que além dos camaradas em questão inclui dezenas de jornalistas dos bãos, artistas e intelectuais), curto o life style do prédio, avis-raras de Higienópolis que parece ter vida própria, com aquela estranheza que fascina. Sempre que vou lá boto olho gordo nas dependências sociais: a deusa tocando aquele piano de cauda lindo na sala de música meio kitsch; as amigas torcendo o nariz para os afrescos do lobby; as priminhas correndo pelos jardins babilônicos; meus friends-boêmios fazendo o esquenta da balada na sinuca; um drink gozado no bar do Seu Hilário; os rega-bofes privês… Sem falar no tamanho dos apartamentos, todos imeeeeeeensos, com vista para a copa das árvores e para a algazarra das jandaias (para mim são periquitos, ararinhas, mini-papagaios ou coisa que o valha, mas um amigo carioca que habita o local insiste em chamar as aves assim).


Enfim, enquanto não arranjo um canto lá (tô na fila há um tempão), vou sonhando com o CEP e temendo por uma nova inflação no aluguel depois deste lançamento da editora Senac (www.editorasenac.com.br), que coloca seu autor (de nome quase tão esquisito quanto os edifícios que ergueu) nas alturas: Artacho Jurado – Arquitetura Proibida, de Ruy Eduardo Debs Franco, lançado no começo da semana na Saraiva do Shopping Pátio Paulista, em São Paulo.
Como outras obras polêmicas do empreiteiro (que nem arquiteto foi, o que não compromete sua genialidade em absolutamente nada), o Bretagne foi espezinhado por uns e amado por outros tantos. Em 1958, a revista Acrópole, no artigo assinado por Eduardo Corona, Jurado e seu Bretagne foram descrito assim: “Autor de aberrações arquitetônicas, erradas de cima a baixo. Seria um deboche gostar de tal obra”.
Nosso mestre-mor Ignácio de Loyola Brandão (que, diga-se de passagem, aparece na página 220 do livro), me contou que as obras de Artacho provocavam muito mais admiração do que controvérsia, citando os “grupos que se organizavam aos domingos para visitar obras como o edifício Cinderela, em Higienópolis”. Loyola tá escrevendo um artigão a respeito, que você confere logo mais na Casa Vogue de julho.
Com ou sem alta do aluguel, o tal livro é obrigatório, assim como a diversidade estética numa paisagem tão chapada pelo urbanismo, como é Sampa. Viva Artacho!

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22/05/2008 - 01:50

Trocando figurinhas

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Acabo de ganhar um presentinho inacrê do Houssein Jarouche e tive que postar aqui para dividir com vocês. Lembra daqueles álbuns de figurinhas que faziam a cabeça da molecada nos anos 50, 60, 70, 80 e 90? Eu, em algum elo perdido da infância-pré-aborrescência, entre 84 e 88, colecionei vários deles: de carros, de aviões, dos Transformers, dos Thundercats, da Coca-Cola, dos Smurffs (ai, que vergonha!) e até do Fred Kruegger, um dos meus anti-heróis prediletos… Pois o dono da Micasa, um “vintager” nato que entre outras coisas adora os games do Atari (eu era viciado em pac-mans e river-rides), lançou uma versão “Design” do brinquedinho. Achei tão original que colei o conceito do cara completo aqui e agora:
“Quem ficou com as mãos calejadas de tanto bater bafo na entrada da escola compartilha do meu saudosismo. Para resgatar um simples prazer, que nada tem a ver com computadores e banda larga, a Micasa lançou um charmoso álbum de figurinhas. O tema? Design, é claro! São 304 figurinhas autocolantes que levarão você a uma viagem pelo melhor deste universo através das 200 peças de 70 designers nacionais e internacionais que marcam o cenário contemporâneo. O álbum “Design & Designers”, deliciosa brincadeira de adulto, pode ser encontrado na Micasa e tem edição limitada. Divirta-se!”, explica ele na cartinha que acompanha a prenda.

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21/05/2008 - 01:14

Boa-Praça

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Despontando no circuito do design, o sangue-novo (e sangue-bom) Estevão Toledo é autor da cadeira Ipanema, que me ganhou logo de cara (acima e abaixo, dois ângulos do modelo na cor preta, com acabamento Gloss, alto-brilho, à venda na Dpot). Bem marcante, mas ao mesmo tempo leve e contemporânea, fica ótima num living, em par, contracenando com um sofazão no lugar das poltronas tradicionais…


Pupilo de Baba Vacaro, Estevão se formou em Desenho Industrial na FAAP, em 2000, e desde sempre se apegou à responsabilidade ambiental, valorizando o bom desenho com uso racional de matéria-prima certificada, sem esbanjar. Tá?
Confira o ping-pong com ele para sacar mais dessa verve:


Idade: 31
Signo: Cupim (trabalho calado, comendo madeira)
Formação: Desenho Industrial
Quem – ou o quê – o inspira: O vento, sopra onde quer e nos faz fechar os olhos para enxergá-lo
Trilha sonora para embalar a labuta: Seu Jorge
Primeira peça que projetou: A mesa da cozinha da casa da minha mãe, quando tinha 12 anos e nem sonhava em ser designer.
Projeto em que está trabalhando no momento: Mesa lateral com uma arquiteta amiga.
Designer de quem compraria uma cadeira: Achille Castiglioni
Matéria-prima favorita: Madeira
E a que nunca usaria: Qualquer uma prejudicial à vida de alguém – e ao meio ambiente.
Se tivesse que produzir suas coleções numa única cor, qual seria: Branco, que é o resultado da mistura de todas as outras cores.


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20/05/2008 - 23:37

Mais do mesmo, de novo

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Roberto Migotto com direito a samambaias e borboletas

A estréia oficial é hoje, mas como eu já contei, sábado rolou o brunch de apresentação de imprensa da 22ª Casa Cor São Paulo, o maior evento do segmento na América Latina. Brecha no frio patagônico que assolou Sampa nos últimos dias, a manhã ensolarada obrigou o povo a carregar os casacos na mão – quem não quis levar os minks a tiracolo (sim, a peruada estava em peso por lá, em pleno meio-dia), fez de conta que o calor não existia e ficou tudo certo.

Me lembrei de um comentário que a Nazaré Rezende fez sobre as primeiras edições, duas décadas atrás, quando os convites eram disputados a tapa e o povo tirava o black-tie do armário: “Era puro glamour”. Mas naquela época nem havia o tal brunch de imprensa, que rola na véspera da festança oficial de abertura…

Trajeto confuso, organização mambembe (imagine você que eu tive que encostar o carro na calçada, deixar o pisca-alerta ligado, descer, pegar a credencial, dar meia-volta e só então poder gozar dos vallets) e o roteiro de sempre, mas alguma expectativa no ar.

“Casa do Golf”, de Dado Castelo Branco

Para começar, impossível não passar 10 vezes pelo mesmo espaço, ainda que com o help do mapinha simpático que a gente ganha na entrada – nem GPS desataria o nó cego da circulação.

As boas-vindas do tour começam com o social na porta, onde cruzamos de cara com amigos queridos (muitos, graças a Deus), assessoras de imprensa (tem gente que reclama, mas eu não vivo sem elas), colegas de outros veículos (rivalidade é uma tolice, já que tem mercado pra todo mundo), muitos tipos fazendo carão e outros tantos profissionais exaustos com a labuta severa dos últimos dias. Meu grupinho é beleza pura, o que deixa a trip mais animada: André Rodrigues (my love is your love, companheiro até dessas horas), Matheus Evangelista, assistente dele (este sim a trabalho, na cobertura para o site do SPFW), e a chiquérrima Judith Pottecher (jornalista e consultora de estilo metade baiana, metade francesa, darling com quem cruzamos logo na linha de chegada e não desgrudamos mais).

“Estar com Mirante” por João Armentano

Matheus, mais íntimo das coisas da moda do que das coisas da casa, me pergunta quem são os bambambãs. Esboço um “top 10” de leve, mas encorajo-o a colher suas próprias impressões para discutirmos depois.

Aqui e acolá, muitas fofocas dos dias anteriores reverberam pelos bastidores, que este ano parecem ter ardido mais do que em qualquer outro, inclusive com a denúncia de racismo contra uma famosa arquiteta (quase tão conhecida por seus chiliques quanto pelo seu trabalho).

No geral, pouca coisa chama mais a atenção do que os comentários espirituosos da tchurma. É preciso concentração para não perder o foco.

Fila para o ambiente de João Armentano, um dos popstars. Mal dava pra ver o espaço dele, por conta do assédio. Melhor voltar depois, já que o sofazão de Zaha Hadid sinaliza seleção plugada.

“Hall de Entrada”, por Fabrizio Rollo

Alguns passinhos adiante, o show continua: brinquedoteca tipo cubo-mágico, interessante por fora – um tanto quanto perigosa por dentro, com tantas pontas e materiais inacabados; hall de entrada by Fabrizio Rollo (o melhor da festa, como eu já disse, assumindo a suspeita do comentário e a minha profunda admiração por este cara notável); a casa da árvore (também já mencionada); lofts para solteiro, casado, enrolado, tico-tico-no-fubá; salas de jantar, de almoço, de café da manhã, de lanche, de aperitivo e de dieta; cozinhas gourmets, da tia Anastácia, industriais, de bistrô e de restô; copas, ás de copas, reis de espadas; saunas seca e a vapor; spas diets, lights e calóricos; corredores, acessos, circulações, obstáculos; ambientes com nomes inacreditáveis e funções dispensáveis. No geral, mais do mesmo, de novo, salvas poucas exceções.

“Living” por Ana Maria G. de Vieira Santos

Como se a “fórmula secreta” fosse redescoberta a cada nova temporada, a dobradinha que se convencionou chamar de “clássico-contemporânea” domina geral. Logo, a mostra em si não revela muitas novidades, ao contrário: têm-se a impressão de que a edição é uma releitura do que rolou no ano passado (tudo bem que nosso setor não seja tão cíclico e renovável como o são as indústrias da moda e das artes, por exemplo, mas nada justifica ficar estacionado no tempo e no espaço, à espera de Godot).

“Lounge da Bossa Nova” por Débora Aguiar

Não que isso comprometa o prestígio do evento, a badalação ao seu redor e tudo o que ele representa: de longe, a Casa Cor continua confirmando o seu status de grande vitrine do décor, a expressão máxima do setor por essas bandas, torçamos o nariz ou não. E, ao grande público, costuma agradar.

Quase todo mundo com quem eu trombo na jornada lamenta os looks. Contemporizo com a minha tribo, filosofando sobre o esforço dos participantes. Fazer Casa Cor é tarefa hercúlea. Primeiro porquê no atual mercado da decoração não há espaço para a ousadia – se a crise assola até a máquina de Milão, imagine nossas modestas pradarias tupiniquins… Sem nenhum ranso pernóstico, até porquê eu, coitadinho, tô bem longe de ser quatrocentão ou algo parecido com isso (sou apenas mais uma luneta neste grande observatório, alguém em franco processo de apreciação), registro aqui minha humilde constatação: é verdade sim que o dinheiro mudou de mãos e o que está na moda hoje acaba virando objeto de desejo da coletividade, mesmo que sem muito valor cultural, sem muita pesquisa, sem muito histórico, sem nenhuma profundidade. Se isso acontece na música e na moda, porquê não aconteceria também na decoração? Saem de cena as referências intelecto-estéticas, entram com tudo os elementos que são de fácil assimilação: o luxo da vez, o móvel da vez, o designer da vez, o movimento da vez, as cores da vez, o artista da vez… E sente-se falta de profissionais que, desta vez, passaram a vez (não contamos este ano com a classe de Sig Bergamin ou com a virtuose de Marcelo Rosembaum, por exemplo).

“Loft 24/7” por Fernanda Marques

Segundo argumento de defesa deste advogado do diabo que vos escreve em paradoxal mea culpa: como cobrar mais criatividade dessas pranchetas se o que viabiliza os projetos (leia-se as participações) são justamente as parcerias comerciais, os patrocinadores que devem “aparecer” nos espaços?

Se esse “mecenato” é ao mesmo tempo um elemento vetor do processo criativo, como parece ser o caso, vale dar um crédito de 50% do padrão apresentado. A outra porcentagem? Descontemos do extrato residual entre razão e emoção: quem dá a cara para bater na Casa Cor quer mais (e precisa muito) é vender seu peixe, ser aceito no mercado, arrebentar de vender. E que mal tem isso? “Nós, arquitetos, projetamos espaços para os clientes habitarem, não para nós mesmos”, ouvi de um amigo certa vez – e concordei.

“Casa Dourada” por Brunete Fraccaroli

Pena que, com tanta grana envolvida, não se invistam em novos talentos, em pavilhões-satélite, em mostras paralelas de design, em projetos mais conceituais. Não seria maravilhoso equalizar as necessidades mercadológicas com a verve dos nossos criadores? Será que alguém se preocupa com toda essa minha confabulação acerca do tema?

Para resumir a ópera, as imagens do dia são meio que o tal top 10 que fechei com o Matheus no final da mostra. É uma compilação pessoal daquilo que achei de mais legal por lá.

Olegário Sá e Gilberto Cioni com o seu home-rústico

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19/05/2008 - 11:50

Hall of fame

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Ok, sou fã do Fabrizio Rollo e tudo o que eu escrever aqui vai parecer piegas, rasgação de linho adamascado. Mas cá estou para afirmar com todas as letras, já que aqui posso me dar ao direito pessoal e intransferível, sem censuras, de manifestar aquilo que penso: o ambiente do cara é o mais chic da Casa Cor. Primeiro porquê Fabrizio não é um estranho no ninho.


Arquiteto por formação, esteta por vocação e estilosíssimo por natureza, ele coleciona muitos méritos nesses 15 anos de Vogue, Casa Vogue e garimpos mundo afora. Seus mise-en-scenes, sejam os fashions (ele também é homem forte da moda) ou os decorativos, são projetos elaboradíssimos, daqueles que dão dó de desmontar depois.
Eu, que acompanho tudo tão de perto e aprendo com ele a cada dia, ainda não consigo segurar o queixo quando vejo certos trabalhos. Foi o caso deste hall de entrada com cara de living, de onde ninguém tem vontade de sair nunca mais.


Maximalista-ista-ista sem saturar, o espaço de 4 metros de largura por 11 de comprimento e pé direito alto, tem look que faz mix milanês (vide os nichos em arco, típicos dos anos 30) e francês (boiseries modernizadas pelo reflexo das placas de espelho), com mobiliário das décadas de 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80 e 2000. Não é preciso ser expert para sacar que a ambientação é culta, com referências que se harmonizam, compondo uma verdadeira aula de décor.


Veja: uma mesa Paul Evans em patchwork de aço polido, que ele encomendou para homenagear o mestre do material; o console redimensionado a partir de uma mesinha lateral de Jean Michel Frank (desenhada para a casa do superfotógrafo Horst nos anos 30); a cadeira Bertoia Diamond, resgatada por Monsieur Rollo no acabamento original, que quase ninguém conhece, em p&b; seleção de antiguidades; obras de Lothar Charaux, Barsotti, Sacilotto, Geraldo de Barros penduradas nas paredes de espelho; os móveis do mesmo Geraldo de Barros; as sobreposições de arte, objetos e acessórios; o piso de espinha de peixe desencontrado em inusitadas réguas de madeira; o tapete cuja estampa ele adaptou de um desenho do século 19; os tecidos prateados, dourados, metalizados, os veludos ingleses e italianos… Como misturar tudo sem fazer uma muvuca? Pergunte ao Fabrizio!

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