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Arquivo de setembro, 2009

30/09/2009 - 17:21

Azeitado

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arnaldodanemberg

A primeira vez que vi uma oliveira foi em Cascais, Portugal, muitas primaveras atrás (ok, os açorianos trouxeram mudinhas para o Brasil logo no começo da colonização, há mais de 500 anos, mas eu nunca tinha visto um pé de azeitona por essas bandas, tá?). No ápice da minha ignorância, não resisti: olhei para um lado, olhei para o outro, fiz a cara de criminoso mais cafa do planeta e arranquei uma azeitona do pé como quem rouba um rolex no farol. Dei uma mordida no furto e fiquei com um gosto intragável (alguém aí já comeu mamona?) amarrando a boca por um bom tempo – vivendo e aprendendo: a azeitona que consumimos passa por um processo de “cura” e “adoçagem” de 40 dias. Mas não pense que fiquei traumatizado com tão infeliz degustação. Adoro uma tapenade e uso azeite como água (um hábito saudável, segundo o meu cardio, para quem eu minto um pouquinho a respeito das quantidades aplicadas). Mas vamos ao que interessa.

Ainda não descobri se o mobiliário feito com madeira de oliveira é anti-ecológico ou não – se você souber, me conta, por favor. Óbvio que não me refiro àquelas oliveiras monumentais, que é claro que ninguém derruba (pode ser papo-furado de guia turístico, mas na Grécia e na Itália, eles costumam dizer que existem árvores com mais de 2.000 anos!). Mesmo assim, lá fora, a gente vê muito artesanato esculpido em oliveira – dá vontade de trazer tudo, mas cada almofariz custa uma fábula e pesa meia tonelada (confira no clique de Alain Brugier, lá da cidadezinha medieval de Eze-Village, pertinho de Nice, onde estivemos há alguns dias. A lojinha em questão, a L’Herminette, só tinha manufaturas de oliveira).

alain-brugier

Por aqui, a produção com esse tipo de madeira é tão ou mais rara do que os pés da Dona Olívia. Para você sentir o drama, descolamos a fruteira do Arnaldo Danemberg (www.arnaldodanemberg.com.br), que traz, na borda, até bolinhas alegóricas da frutinha (sim, azeitona pertence a família das frutas – com caroço e tudo!). O fato é que a a Ana Lúcia acabar de compartilhar comigo uma info ótima, dita por um amigo seu, expert em direito ambientalista: “A oliveira é uma árvore que vale muito mais em pé do que deitada, já que demora muito tempo para crescer e não existe uma tradição moveleria que a use como matéria-prima”.  Tá registrado!

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28/09/2009 - 17:06

De baixo para cima

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banco-golda-herchcovitch

Na entressafra dos fashion weeks da vida, moda e decoração continuam no maior tricô, principalmente no living do todo-poderoso Alexandre Herchcovitch.

Alê, que não é marinheiro de primeira viagem na senda doméstica (de enxovais para a Zêlo a sofás para a TokStok, ele manda super bem no coté decorex), acaba de assinar coleção descolada para a Micasa (www.micasa.com.br). Neste caso, o que vem de baixo o atinge em cheio, já que a inspiração para a linha de tapetes (de lã, tramados com técnica asiática), bancos, mesas de centro e de jantar (em ferro ou laca, com pintura automotiva), foi o próprio chão da sua casa. É isso aí: os tacos de madeira do piso de seu pied-a-terre serviram de norte para as peças, traçadas com formas e estampas geométricas,  grafismos e afins, com efeito de marchetaria.

mesa-de-jantar-regina-herchcovitch

“Realizei um sonho pessoal desenhando tapetes, mesas e bancos inspirados em desenhos clássicos de parquets. Dei nomes de mulheres importantes da minha família aos produtos, pois das casas delas tenho memórias destes desenhos de tacos. Os tapetes mesas e bancos chamam-se Regina, Golda, Maria e Sara”, explica o estilista.

mesa-de-centro-golda-herchcovitch

Bom para nós: a Micasa, que também não é caloura na simbiose casa-passarela (Clô Orozco e Adriana Barra já pintaram e bordaram por lá), promete um diálogo cada vez mais fluente entre moda, decoração, arte e cultura em geral.

mesa-de-jantar-golda-herchcovitc

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25/09/2009 - 18:01

Papel Carbono

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Para quem lida o dia inteiro com o duo forma & conteúdo, é um alívio saber que algumas mecas do design não relaxam com a comodidade de imitações, fotocópias, xerox e duplicatas (tão em voga em nosso metier), e vão à luta atrás das folhas mais frescas do maço. Tarefa hercúlea, principalmente numa época onde tudo já foi inventado, patenteado, reeditado, virado do avesso, dissecado.
carbono-marcus-ferreira
Marcus Ferreira faz exatamente o oposto pela sua Carbono (esqueça as reproduções em série que o nome sugere), que aposta em jovens talentos para promover um acervo mais customizado, diversificado, exclusivo, com atenção especial para os acabamentos handmade, tipo alfaiataria de luxe. Além de ser um dos maiores caça-talentos de valores made in Brasil, ele carimba o passaporte atrás de quem começa a fazer e acontecer lá fora. Foi num desses garimpos que conheceu as designers sérvias Natasa Ilincic e Jugoslava Kljakic. O nome é impronunciável, mas o trabalho ganhou leitura fácil, já que a dupla tem uma pegada artesanal, simples e moderna, sem recorrer às tecnologias pasteurizadas. A poltrona em cartaz na Carbono, por exemplo, consiste num quadro metálico com travesseirão recheado de camomila, que faz as vezes de  estofado. Carinhosamente apelidada de Baba (bem mais simpático que o nome técnico, C26), a baixinha ganhou uma manta para arrematar o conforto.

+ www.carbonodesign.com.br

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22/09/2009 - 19:10

Japan Pop Show

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Sempre me empolgo quando um grande arquiteto mira a sua prancha para a concepção de produto. Afinal, o que é o design senão a própria arquitetura traçada numa escala reduzida, com todos os valores que pedem as artes humanistas? É o caso da luminária “Mayuhana”, cria do japonês Toyo Ito (o cara que projetou a Serpentine Gallery, em Londres – só isso, tá?).

Como se fosse um novelo de lã (mas com aquela lógica que os nipônicos adoram), ele trança filamentos delgados de fibra de vidro sobre um molde de forma orgânica, que tem esse look meio colmeia, meio casulo, ao mesmo tempo muito modernex. O efeito de iluminação é bacanérrimo, já que a luz filtrada brinca com o jogo de sombras à moda zen, lembrando aquelas luminárias folclóricas de papel-arroz. No Brasil, com exclusividade na Dominici (www.dominici.com.br).

E por falar em olhinhos puxados, começa hoje, no Shopping Iguatemi SP, o Japan Design, feira de produtos de arte, moda e design japoneses organizado pela JETRO – Japan External Trade Organization.  “São Paulo, uma das grandes capitais do mundo, está em sinergia com o evento que já passou por Milão, Paris e Nova York. Esperamos um público seleto, consumidor de arte e design, que prima pela qualidade e sofisticação dos produtos japoneses”, explica Hiroshi Hara, Diretor Vice-Presidente da Jetro. “Moscou e Dubai serão os próximos destinos”, completa.
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Até 4 de outubro, você pode conferir (e comprar) produtos tradicionais de diferentes localidades da terra do sol nascente. De Oita, por exemplo, a Aki utiliza papelão cortado a lazer em suas criações. São formas de animais, manequins e embalagens, recortadas em 3 D.
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Entre tapetes e mobílias fabricadas em junco, de Kyoto vem a técnica milenar do Urushi, pintura em laca que remonta há mais de cinco mil anos, que aqui colore peças de madeira e resina com acabamento brilhante. Na onda da imagem que abre o post, a Taniguchi traz luminárias assinadas pelo premiado designer japonês radicado na Itália, Toshiyuki Kita.  As peças são confeccionadas em papel artesanal washi, com técnica especial que  dispensa as emendas nas cúpulas.

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Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Décor, Design Tags: , ,
21/09/2009 - 18:50

Frank

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Untitled-1

Podem falar a vontade que plástico é isso ou aquilo, que é produto ordinário, por que eu sempre gostei e vou continuar gostando – por bradar odes aos polímeros desde que adentrei a seara da decoração, me habituei a ouvir desaforos de “veteranos” inseguros, do tipo “quando você passar dos 30, vai apurar um pouco mais o gosto e valorizar materiais de verdade”. De fato apurei o gosto, mas continuo fã número um dessa matéria-prima baratinha que, mais do que qualquer outra, é capaz de assumir com eficiência qualquer forma sugerida pelo artista. Monsieur Philippe Starck, por exemplo, continua fazendo o impossível com ela. Autor dos legendários tamboretes “La Bohème” (uma das minhas peças prediletas na categoria “moderninhos”), Starck apresentou lá em Milão essa cadeira batuta que apelidou de “Masters” (vide abertura do post).

Alguém aí sacou o nome? Explico: num único shape ele homenageia formas clássicas do design contemporâneo, mixando no polímero os traços mais célebres de Arne Jacobsen, Eero Saarinen e Charles Eames. Por enquanto, o simpático Frankenstein ainda não tem data de lançamento, mas as blockbusters “La Bohème” (foto abaixo) e “Louis Ghost” estão à sua espera na Kartell (www.lojakartell.com.br).

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Autor: - Categoria(s): Design Tags: , ,
17/09/2009 - 20:30

Um salve para as divas

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Ainda estou contaminado pelas cerâmicas deslumbrantes que vi lá na Cote d’Azur, mais precisamente na cidadela de Vallauris. Fomos conferir uma exposição incrível, num lugar não menos incrível: o Museu Municipal Magnelli. Até dezembro, eles apresentam uma coleção bárbara sobre o trabalho da família Massiers, os cardeais dessa arte. Imagine você que o museu instalado desde 1977 numa antiga abadia, tem uma capela romana que abriga, na sua abóbada, dois painéis pintados em 1952 por ninguém menos que Picasso! Aliás, o museu também tem no acervo vasos e pratos über-inacreditáveis traçados pelo mestre. Très chic!

Outra curiosidade do pequeno condado: Jean Marais, galã do cinema francês nos anos dourados (lembra de A Bela e a Fera?), se dividia entre os sets de filmagem e as cerâmicas. Essa segunda faceta artística pode ser conferida no museu que leva seu nome. Babado forte: Marais foi amante de outro Jean célebre que arrasava nas cerâmicas: Cocteau.

Sem querer ser venenoso (e já sendo), foi no museu Jean Marais que descobri de onde vem boa parte das ideias geniais do americano, considerado um gênio ceramista, Jonathan Adler. (“cooooooooooooooobra“, diria meu amigo Sergio Germano!).

De volta ao que interessa, o post do dia homenageia duas divas gringas das cerâmicas cujo trabalho é de uma poética comovente: Eva Zeisel e Gwyn Hanssen Pigott.

3_Eva Zeisel

Julius Wiedmann, nosso correspondente em Londres, escreveu sobre Eva (www.evazeisel.org) na Casa Vogue desse mês. Vai lá ver! Em plena atividade aos 104 anos de idade, a artista húngara é considerada a fina flor do gênero, com várias condecorações de design no currículo. A sensibilidade para curvas e sua percepção única de sensualidade ajudam a esculpir coleções utilitárias para, de fato, serem usadas, algo que a própria sempre enfatizou. Até mesmo em relação ao fato de serem modulares e economizar espaço na hora de guardar (note que boa parte delas não possui pegas, alças e afins, sem perder a ergonomia).

2_Eva Zeisel II

Há alguns anos, Flávia Rocha escreveu sobre outra grande dama que dá vida ao barro: Gwyn Hanssen Pigott. Formada em História da Arte, desde os anos 50, a artista australiana arrasa numa produção cheia de referências estéticas de outras épocas. A inspiração vem da grande paixão de Gwyn: as cerâmicas chinesas e coreanas. Mas o shape é pessoal e intransferível, com um desenho moderno que não despreza certa rusticidade orgânica. Lindo de ver – e maravilhoso de ter.

4_Gwyn

7_Gwyn 4

Por falar em divas, tenho recebido muitos e-mails a respeito da matéria que escrevi na Vogue de setembro sobre o come back (triunfal) de Whitney Houston – adoooooooooro aquela mulher com tantos “os” que nem caberiam aqui. Atormentada pelas drogas, a artista feminina mais premiada do mundo foi ao inferno e voltou. De alta do rehab, acaba de lançar um álbum quase biográfico que a coloca de volta no topo (ela está liderando as vendas fonográficas no mundo, tá?). Ontem, na abertura da nova temporada do The Oprah Winfrey Show, a apresentadora se debulhou em lágrimas com a apresentação de Whitney. O GNT vai exibir o programa no Brasil em duas partes (21 e 22 de setembro), como foi lá nos EUA (14 e 15). Enquanto a gente não vê a entrevista bombástica, colo aqui o vídeo que pesquei no Youtube. Pode me chamar de cafona, mas fiquei arrepiadíssimo. Salvem as divas!

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16/09/2009 - 20:17

Zé colmeia

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2_lsselection-(2)

Do balacobaco esses vasos Colméia de madeira cor-de-mel importados da Tailândia pela LS Selection (www.lsselection.com.br) (você já foi lá? Tem vasos para todos os gostos, dos mais exagerados – que eu adoro –  aos pequenos potiches). Na foto, eles ficam ótimos em trio. Mas em casa, procure evitar essa combinação: o efeito fica muito mais fino quando a gente usa um de cada vez, sem esse desejo desesperado de sair “ornando” tudo com tudo.  O catatau, mais gorduchinho, fica ótimo como centro de mesa – principalmente se for uma Saarinen branca…
3_Mensa-Collection-by-Studio-Lazerian-333
…ou algo ainda mais modernoso, como a mesa criada pelo estúdio Lazerian (www.lazerian.co.uk). A peça faz uma “rede de intrigas” com sua estrutura de madeira laminada. A-d-o-r-o.

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15/09/2009 - 20:11

Paris é aqui

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2_homedesign-(1)

Super descolex essa mesa Paris, onde os jogos de vazios da estrutura bancam a leveza da peça. Inspirado na Torre Eiffel, o designer Frederico Cruz Pereira mixou cortes laminados de madeira de espessuras muito finas em efeito vazado (mas bem resistentes, como não poderia deixar de ser algo batizado com o nome da “Dama de Ferro), coroado por um portentoso tampo de vidro. Você encontra na Home Design (www.homedesign.com.br).

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14/09/2009 - 19:26

Na pendura

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poltrona-moon2

Não sei porquê me identifico tanto com formas rotundas (qualquer semelhança não é mera coincidência). A-d-o-r-o essa poltrona suspensa Moon, tramada em apuí e junco, que a Breton Actual (www.bretonactual.com.br) tá lançando “inspirada nas tendências de Milão” – ou seria na lendária Bubble Chair sessentista de Eero Aarnio? Abafa! Seja qual for o mote, o fato é que a gorducha caberia direitinho na minha varanda. Por hoje é só, pe-pe-pessoal!

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11/09/2009 - 19:16

Marcenaria sitiada

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Se você costuma passear por este blog de vez em quando, já deve conhecer o trabalho do Estevão Toledo, um dos caras em quem aposto forte como um dos designers mais bacanas da sua geração. Com site novo no ar, Estê aterrissa na web com uma página descoladérrima que você precisa conferir: www.estevaotoledo.com

Escrevi sobre o trabalho dele na Casa Vogue deste mês. Você viu? Colo aqui uma nesga do conteúdo…

“Há uma assinatura no trabalho de Estevão Toledo, uma característica que faz com que a sua produção seja imediatamente associada ao seu nome: a simplicidade. Sem firulas, o designer paulistano assina um trabalho autoral, direto, que deixa elegantemente à mostra suas emendas e sistemas de encaixe, tirando partido deles como charme-extra. Essa alta-marcenaria conta com muito capricho nos acabamentos, mas sem makes que escondam o que há por trás do traço e da ergonomia de cada peça. “A madeira por si só já é linda. A gente não precisa fazer muita coisa”, conta o artista avesso aos looks pavônicos, que trocou a trilha do pai engenheiro para se dedicar ao dedenho industrial. Formado pela FAAP, Estevão foi aluno de craques da madeira como Carlos Motta, estagiou com Baba Vacaro, além de fazer cursos com Pedro Petry e oficinas com os Irmãos Campana. Todo esse background colaborou para a criação da própria identidade moveleira – e da própria marca, tocada por ele com empenho artesanal, metade no seu ateliê de ciração, metade no galpão-oficina, de onde saem mesas, cadeiras, poltronas, estantes, cabideiros e outros etceteras descolados, em tiragens limitadas e personalizadas que estão ganhando cada vez mais espaço na cena”.

Pra ver o conteúdo na íntegra, corra para a banca mais próxima e garanta seu exemplar da Casa Vogue: está incrível!

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Design Tags: , , , ,
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