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Arquivo de julho, 2010

28/07/2010 - 11:16

Origens

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O Empório Beraldin, quem diria, sopra 15 velinhas. Quando ingressei no mercado do design, pouco mais de dez anos atrás, a marca dos elegantíssimos Zeco e Valéria já era  unanimidade entre os estetas. E foi uma das minhas primeiras referências em acabamentos de alto padrão – assim o é até hoje. Na minha modesta opinião, nenhum outro endereço tem tantas opções naquilo que eu chamo de arte final orgânica para a casa. Lembro de ter visitado uma cobertura nababesca, lá no Conjunto Nacional, em plena Avenida Paulista, cujas paredes da sala de jantar eram totalmente tomadas por pastilhas de côco, então uma exclusividade do Empório. Sem falar nos móveis revestidos com os mais variados couros, de boi a rã – a versão brasileirinha dos inventivos donos do pedaço para o nada ecológico galuchat, aquele acabamento feito com a pele da arraia. Entre sedas e linhos, palhas, bambus, bordados típicos e outras bossas que só os Beraldin têm, fico com as pastilhas de chifre e osso, que transformam qualquer acessório em objeto de desejo. A mesa África, que enche o post do dia de graça, é das minhas. A peça encabeça a coleção Origens, que reforça a vibe do Empório Beraldin de apostar nas matérias-primas naturais, repeitando o meio-ambiente e valorizando o trabalho manual. Os produtos da nova safra incluem tapetes, móveis, tecidos, revestimentos e objetos que evocam a cultura afro-indígena brasileira, com influências das aquarelas de Debret, Eckhout, pinturas tribais, batikis africanos e trançados de cestaria. Dá vontade levar tudo e mais um pouco para casa.

Empório Beraldin
Rua Matheus Grou, 604
11 3030-3960
www.emporioberaldin.com.br

Autor: - Categoria(s): Décor Tags:
22/07/2010 - 12:33

Alabastro

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A loja da Juliana Benfatti é uma caixinha de surpresas. E das boas. Depois de muito tempo sem aparecer, voltei lá outro dia com o Zé Renato Maia. Tanto ele quanto eu, fãs confessos dos garimpos da mulher estilosíssima que empresta seu nome – e sua expertise – para a simpática casinha em estilo europeu da Rua Sampaio Vidal, ficamos embasbacados com uma aquisição recente do acervo: vasos de alabastro. Eram dezenas deles: gorduchos, bojudos, esguios, longilíneos, pequenos, grandes, de todos os tamanhos e variações, todos espetaculares, nenhum igual ao outro, como as joias devem ser. Não que se trate de uma pedra preciosa, mas é quase isso.

Também conhecido como espato acetinado, o alabastro é um calcite oriental antigamente usado para fabricação de urnas funerárias e frascos de perfume. No décor, ganhou forma e conteúdo na Itália, já que os caríssimos comedores de macarrão fazem desde lustres até molduras de janela com o mineral. Luxo pouco é bobagem!

Dizem que a matéria-prima foi descoberta no Egito dos faraós – cheguei a ver até sarcófagos esculpidos em alabastro quando estive bancando o Indiana Jones no Cairo e em Alexandria. A mágica da coisa é que a pedra é quase transparente. Quando a luz incide sobre ela, ilumina seus veios e imperfeições (perfeitas, diga-se de passagem).

Num dos seus últimos périplos pelo Marrocos, Juliana deu de cara com um nômade egípcio que trazia uma charrete carregada de vasos como os que você vê na foto. Veterana que é, não pensou duas vezes e arrematou cada peça do lote, vasinho por vasinho. Um deles é meu. O outro, do Zé Renato. Se você correr, acho que consegue um também.

Juliana Benfatti
Rua Sampaio Vidal, 786, Jardim Paulistano – São Paulo (SP)
Tel: (11) 3083-7858

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21/07/2010 - 18:35

Folheando a fibra

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Tem gente que torce o nariz para fibra sintética. Ok, eu também tenho certa implicância com tudo o que é fake – ou quase tudo. Mas como não se render ao design i-m-p-e-c-á-v-e-l da Dedon? No caso, a matéria-prima da grife alemã, composta por tramas de polímero de altíssima performance que não se contraem com o calor e nem retraem com o frio (não que alguém vá cozinhar sua espreguiçadeira, mas o fio dos caras resiste até 70º), é só um detalhe diante do shape. Ex-jogador de futebol pelo Chelsea e pelo Bayern de Munique, Bobby Dekeyser marcou um gol de placa quando entrou para a indústria moveleira. “Sempre adorei a natureza e, quando ingressei no setor, queria fazer algo com estilo para área externa”, diz. Criada por ele há 20 anos, a Dedon tornou-se a principal referência em mobiliário outdoor de luxo no mundo.

O segredo do sucesso dessas peças que fazem a cabeça dos astros de Hollywood são as formas agregadas ao trabalho artesanal – grupos de artesãos filipinos chegam a levar mais de 20 dias na confecção de uma única peça. E o design tem pedigree: Richard Frinier, Jean-Marie Massaud, Frank Lighthart e Philippe Starck costumam cravar sua assinatura em peças bacanérrimas, como a chaise folha da foto (uma das que mais curto no portfólio da grife). A notícia da vez: a Dedon acaba de ganhar espaço só dela no Brasil, pelas mãos da Collectania (www.collectania.com.br), ali na Gabriel. Veraneio na varanda, já!

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19/07/2010 - 23:24

Na velocidade do som

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Mesmo em tempos de globalização instantânea, há um certo delay entre os lançamentos gringos e as novidades que pintam por aqui. Não que o mercado do décor tenha que ouvir (e assimilar) imediatamente o último grito do design – como acontece com a moda. Sem falar nas burocracias de importação, que derrubam qualquer boa vontade. Mas algumas lojas duras na queda conseguem abreviar essa distância para atender aos consumidores mais ávidos. A Micasa é uma delas. Uma das melhores vitrines do décor modernex na Pauliceia, a casa de Houssein Jarouche traz para essas bandas a representação exclusiva da Established & Sons. Criada em 2005 por Alasdahir Wills, marido da estilista Stella Mcartney (sim, a filha do Beatle Paul), a grife inglesa opera só com a cereja do bolo do design internacional: irmãos Bouroullec, Richard Woods e Sebastian Wrong, Terence Woodgate e John Barnard, Jaime Rayon, Konstantin Grcic, Zaha Hadid e outros nomes casca-grossa do circuito.

Nas imagens do dia, dois neohits: a luminária pendente desenhada pelo belga Sylvain Willenz (que pode ser comprada individualmente ou em penca de 10 ou 20); e a Aquatable de vidro preto, by Zaha Hadid. Antene-se.

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15/07/2010 - 01:40

A vida como ela é

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Você provavelmente já ouviu falar em certo paparazzo moderninho que entra na casa dos outros (geralmente, gente mais moderninha ainda) a bordo de uma Leica indiscreta e registra takes inspirados, sem frescuras, sem produção e sem enrolação. Não? Então prepare-se para conhecer Todd Selby. “Gosto de gente de verdade. E de casas de verdade também”, diz o fotógrafo e ilustrador norte-americano que ganhou notoriedade ao clicar escritores, artistas, estilistas e outros personagens marcantes (marcantes mesmo, longe do esteriótipo das pseudo celebridades sem nada a dizer) em seus habitats, mostrando a identidade desses caras com os seus espaços de vivência e criação, o que ajuda a entender de onde vem a verve criativa do povo todo (com destaque para os fashionistas).

Pela sua lente já passaram os refúgios de Karl Lagerfeld, Christian Louboutin, Jonathan Adler e outras anfitriões coloridos de fazer inveja a André Ramos e Bruno Chateaubriand.

Publicadas originalmente em seu site, acompanhadas por desenhos dos donos do pedaço (Todd faz desenhos deliciosos!) e um questionário despretensioso sobre life style (preenchido a mão pelas “vítimas” de Selby), algumas dessas casas personalíssimas estão no livro The Selby is in your place, da Abrams Books. Enquanto você não encomenda o seu, acesse o fantástico mundo de Todd no theselby.com

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14/07/2010 - 01:34

Sushi

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Com a precisão de um sushiman, o designer Shin Azumi fatiou uma lâmina de madeira compensada para fazer o modernex banco AP, que fez e aconteceu na última edição do Salão Internacional do Móvel, em Milão. Com efeito escultórico que lembra um origami, a peça foi praticamente dobrada nas extremidades, sem emendas, bem à moda do minimalismo oriental. No Brasil, você encontra na Montenapoleone.

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13/07/2010 - 16:35

Esquadros

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Visitar a capital do design sem passar pela Sawaya & Moroni é quase como ir a Roma e não ver o Papa. Pontífices do circuito moderno italiano, William e Paolo (o Sawaya e o Moroni, nesta ordem), são olheiros veteranos que estampam nas vitrines de sua loja homônima o crème de la crème da produção contemporânea.  Há alguns dias, troquei uma ideia com Mister Will para escrever sobre o apê do casal, apresentado na Wish Report deste mês (a da minha estreia, com Shirley Mallmann na capa). Por lá, o loft de 1922 conservou as bases originais (com paredes de boiserie e piso de parquê de madeira) para usar e abusar da vanguarda no décor – você já deve ter desconfiado, mas só pra confirmar, o sofá e a luminária que você vê na foto levam assinatura de Zaha Hadid, uma das designers representadas por eles na S&M. O efeito é matador – confira na revista as fotos espetaculares do Ruy Teixeira.

Enquanto isso, deixo vocês com um dos lançamentos mais quentes da nova coleção de Sawaya & Moroni, apresentado na última edição do Salão Internacional do Móvel de Milão: o banco Tunnels, desenhado pelo duo Jakob + Macfarlane. Composto por uma sequência de esquadros de madeira que se fundem e criam um caminho sinuoso e levemente tétrico (como se um túnel estivesse dentro do outro), o banco mostra o interesse contínuo dos artistas pelo estudo da geometria e do efeito ótico. Modernino até a última fileira.

+ sawayamoroni.com

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01/07/2010 - 19:08

Aerolineas

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Salve! Cá estou, de casa nova, já ambientado – e super in (centivado) pelos fabulosos comments de amigos tão queridos na última pensata. Valeu pela força, galera!

Para reabrir os trabalhos deste puxadinho que volta com sangue nos olhos, nosso rentrée se inspira numa das fotos mais impactantes do meu número de estreia na Wish Report (aquele que tem Shirley Mallmann linda, leve e loira na capa). Idealizada por Stephanie Marie Elie e clicada por Eduardo Rezende, a produção junta no mesmo balaio o shape-gaivota do novo superesportivo Mercedes-Benz SLS AMG, a “língua” de Tomie Ohtake sobre o pórtico niemeyeriano do Auditório Ibirapuera, e a silhueta voluptuosa da top holandesa Celine Brink. Em comum no trio, as curvas aerodinâmicas que também aparecem como tendência forte no universo das formas e volumes – e que tiro como mote da seleção do dia.

Móveis de Jean Marie Massaud, um dos papas contemporâneos do design aerodinâmico

Criações de Konstantin Gric, que por aqui podem ser encontradas na Micasa

Ron Arad na cabeça! Designer acelera nas formas futuristas com perfume aerovintage

Uma das principais evoluções do desenho moderno, a aerodinâmica pegou a indústria de jeito nos anos 30, muito além de seus carrões possantes – pense em um ferro de passar roupas, por exemplo.

Philippe Starck mistura linhas consagradas na descolada Frank e abusa da inspiração aerodinâmica na cadeira que tem até um aerofólio no encosto

Se nos automóveis o efeito é físico – há uma ligação direta entre os desenhos de aeronaves, navios, carros, antenas, pontes e outros elementos com os quais o ar interage em sua superfície  –, nos móveis e utilitários ele é quase que meramente estético.

Produção dos Irmãos Bouroullec

Claro que muitos designers usam o recurso para favorecer a ergonomia (como fez o americano Henry Seely, em 1882, ao inventar o ferro elétrico tal e qual usamos hoje – uma das formas mais bem resolvidas da história, para alegria das donas de casa). Mas há uma intenção muito mais subversiva por trás dos desenhos aerodinâmicos do que propriamente funcional.

Sofá Zaha Hadid, estante de Shiro Kuramata e poltrona Studio Gunnlaugsdottir: nomes impronunciáveis, formas inimitáveis

A iraquiana Zaha Hadid é um exemplo: suas formas desconstruídas, fluídas, derretidas são absolutamente aerodinâmicas, seja na escala da arquitetura, seja no desenho industrial. Em ambos os casos, o apelo visual é catártico – nada que Verner Panton já não tivesse feito no final dos anos 50, mas ainda assim, há quem evoque o espírito com apelo pra lá de original. Da mesma escola, Ron Arad, Marc Newson, os Irmãos Bouroullec, Jasper Morrison, Konstantin Grcic, Marcel Wanders, Ross Lovegrove, Jean Marie Massaud e até Philippe Starck também acelaram nos aeroshapes.

Sofá e móvel em forma de cornucópia by Ross Lovegrove

Para quem curte uma pimenta futurista no décor, está aberta a temporada do aerodesign. Escolha os seus prediletos, dinamite as retas e dinamize o layout da casa.

Tronos-fetiche do moderninho Konstantin Grcic. A Micasa tem

A um passo da aerodinâmica, Marc Newson também se inspira no estilo

Cadeira Jasper Morrison, luminária Dominici, poltrona cleassica de Verner Panton (à venda na Clássica Design) e luminária-bandeja dos Irmãos Bouroullec

Poltrona em forma de coração, outro clássico de Verner Panton criado nos anos 50; banco super aero de Crhis Katasi

Aparador de Jacqueline Terpins

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