Publicidade

Publicidade

Arquivo da Categoria Arquitetura

04/04/2010 - 21:47

Uma casinha em Springfield

Compartilhe: Twitter

Acabo de colocar no meu carrinho da Amazon o box com a 20ª temporada de “Os Simpsons”. Mesmo passando a barreira dos 30, continuo amarradão na série animada que Matt Groening criou 20 anos atrás para escandalizar os costumes norteamericanos com o que havia de mais politicamente incorreto na ocasião.

Eram os anos 90 e o mundo assistia de camarote à franca expansão da democracia, o colapso da União Soviética, a Guerra do Golfo, o clone de Dolly, o fim do Apartheid e a eleição de Mandela na África do Sul. Também se começava a sentir na pele os efeitos deliciosamente devastadores da globalização (como viver sem ela, hoje em dia?) que tomaria o planeta de assalto nos anos seguintes, com a popularização dos PCs pessoais e da internet. No Brasil, Collor assombrava a classe média com o fisco das poupanças e a gente temperava a macarronada de domingo com “The Simpsons”, exibido originalmente aqui pela Globo – àquela época, campeão absoluto de audiência.

Fundamentais na formação cultural de qualquer aborrecente plugado na cena pop, Bart e cia influenciaram não apenas a nossa forma de ver e lidar com o humor, mas nos nutriram de um entendimento nada distorcido (embora über ácido) da sociedade contemporânea na maior potência econômica mundial do planeta. E a gente se via ali, espelhados neles, já que, colonizados que somos, aprendemos a assimilar muito rápido tudo o que vem de fora – não que seja algo do qual devamos nos orgulhar. Mas que é assim, ah, é!

No balanço das horas, entre animês japas, blockbusters em 3D e uma enxurrada de cartoons cult, vieram evoluções mais apimentadas em animação, como South Park, Futurama (do próprio Groening), Family Guy e afins. Demodê ou não, continuo com o bom e velho Simpsons e sua maneira de sacanear a si próprios tanto quanto aos outros – incluindo arquitetos e decoretes famosos.

A casa da família, por exemplo, decorada por Margie Simpson à moda pastiche que faz a cabeça dos Yankees (quem nunca reparou na cortina estampada com espigas de milho da cozinha?), é um retrato do lifestyle da terra de Obama. No dia da mentira, entre imagens icônicas do desenho animado e a minha caricatura simpsoniana, colo aqui a planta da toca de Homer e um take do episódio engraçadíssimo onde o arquiteto canadense Frank Gehry (nem ele escapou!) baixa para dar um sopro de vanguarda no urbanismo careta de Springfield. O resto, você vê na Fox!

Autor: - Categoria(s): Arquitetura Tags: , ,
22/09/2009 - 19:10

Japan Pop Show

Compartilhe: Twitter

japandesign1

Sempre me empolgo quando um grande arquiteto mira a sua prancha para a concepção de produto. Afinal, o que é o design senão a própria arquitetura traçada numa escala reduzida, com todos os valores que pedem as artes humanistas? É o caso da luminária “Mayuhana”, cria do japonês Toyo Ito (o cara que projetou a Serpentine Gallery, em Londres – só isso, tá?).

Como se fosse um novelo de lã (mas com aquela lógica que os nipônicos adoram), ele trança filamentos delgados de fibra de vidro sobre um molde de forma orgânica, que tem esse look meio colmeia, meio casulo, ao mesmo tempo muito modernex. O efeito de iluminação é bacanérrimo, já que a luz filtrada brinca com o jogo de sombras à moda zen, lembrando aquelas luminárias folclóricas de papel-arroz. No Brasil, com exclusividade na Dominici (www.dominici.com.br).

E por falar em olhinhos puxados, começa hoje, no Shopping Iguatemi SP, o Japan Design, feira de produtos de arte, moda e design japoneses organizado pela JETRO – Japan External Trade Organization.  “São Paulo, uma das grandes capitais do mundo, está em sinergia com o evento que já passou por Milão, Paris e Nova York. Esperamos um público seleto, consumidor de arte e design, que prima pela qualidade e sofisticação dos produtos japoneses”, explica Hiroshi Hara, Diretor Vice-Presidente da Jetro. “Moscou e Dubai serão os próximos destinos”, completa.
japandesign2
Até 4 de outubro, você pode conferir (e comprar) produtos tradicionais de diferentes localidades da terra do sol nascente. De Oita, por exemplo, a Aki utiliza papelão cortado a lazer em suas criações. São formas de animais, manequins e embalagens, recortadas em 3 D.
japandesign3
Entre tapetes e mobílias fabricadas em junco, de Kyoto vem a técnica milenar do Urushi, pintura em laca que remonta há mais de cinco mil anos, que aqui colore peças de madeira e resina com acabamento brilhante. Na onda da imagem que abre o post, a Taniguchi traz luminárias assinadas pelo premiado designer japonês radicado na Itália, Toshiyuki Kita.  As peças são confeccionadas em papel artesanal washi, com técnica especial que  dispensa as emendas nas cúpulas.

japandesign4

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Décor, Design Tags: , ,
26/08/2009 - 12:34

Suave é a noite

Compartilhe: Twitter

Paisagem de Nice, região costeira da França conhecida como Cote D’Azur ou Riviera Francesa / foto: Reprodução

Parafraseando Fitzgerald (o escritor, não a Ella), vou dar um pulinho ali na Cote D’Azur e já volto – uma work-trip daquelas, com pompa e circunstância de férias. Mando notícias do mundo de lá, na medida do possível – como faço sempre que encontro algo descolex deste nosso universo esteta. Beijão e até a volta!

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Casa Vogue, Décor, Design Tags: , ,
07/08/2009 - 10:48

Design de autor

Compartilhe: Twitter

E tá rolando lá em Bento Gonçalves, RS, até sábado agora, 08/08, a Casa Brasil, espécie de versão brasuca do Salão do Móvel de Milão, que reúne marcas e criadores para fazer uma amostra da sua produção mais recente. Por conta do fechamento de Casa Vogue, tive que recusar o convite simpático dos organizadores, mas tô de olho no que aparece de mais bacana por lá.

Sergio Rodrigues, que dispensa apresentações, é o curador da coleção Design do Autor, da Schuster (www.moveis-schuster.com.br) que convidou um time bacana de pranchatas para assinar uma linha industrial com pegada personalizada. O briefing: referências brasileiras materiais naturais.

Com vocês, as peças assinadas por Lattoog, Mendes Hirth, Rejane Leite, Veronica Rodrigues e Zanini de Zanini (o filho do homem).

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Décor, Design Tags: , , , , , , ,
06/08/2009 - 11:53

A rosa de Hiroshima

Compartilhe: Twitter

Há exatos 64 invernos, em 6 de agosto de 1945, a humanidade escrevia um dos seus piores capítulos: a Segunda Guerra Mundial. Naquele ano, a ferida viva do Holocausto pulsava na civilização ocidental – levemente suturada pelo suicídio do ditador-anti-cristo Adolf Hitler, em abril –, quando o mundo testemunhou, estarrecido, outra atrocidade: a bomba atômica que os Estados Unidos lançaram sobre  Hiroshima. Ali, mais de 100 mil pessoas foram varridas do mapa sem tempo de entender como e porquê – a maioria delas, camponeses indefesos, já que a cidade foi escolhida justamente por ser alheia aos armamentos e absolutamente vulnerável, recolhida entre os vales. Três dias mais tarde, um novo bombardeio em outro alvo interiorano, Nagasaki, ceifou a vida de mais de 70 mil inocentes, confirmando a eficiência demoníaca da tecnologia bélica detonada pelo presidente americano em exercício, Harry S. Truman. Na ocasião, o físico J. Robert Oppenheimer, que comandou a equipe de cientistas e engenheiros responsáveis pelo artefato, declarou: “Eu me tornei a Morte, um destruidor de mundos”. Mesmo arrependido, sua conta foi entregue: morreu de câncer 3 anos depois dos atentados.

Os EUA venceram. E Hiroshima e Nagasaki ainda sentem na pele os traumas do ataque (literalmente, já que a radiotividade nuclear imprimiu rastros que atravessaram as décadas).

O Japão, hoje uma das nações mais pacifistas do mundo, também se tornou a segunda maior potência econômica do globo. O planeta inteiro olha para ele.

Muito além da cultura zen, tecnologia de ponta, artes marciais, inspiração purista, jardins simétricos e filosofias milenares, origamis e sushis, macarrões instantâneos e karaokês, a terra do sol nascente exportou para o mundo talentos fantásticos na arquitetura, no design e nas artes. No dia em que o país lembra um dos seus momentos mais dramáticos, fazemos aqui um registro, em forma, cor e volume, de alguns herois da estética nipônica para a casa no século 20.


Croqui do arquiteto Tadao Ando para o Centro de Arte Contemporânea de Venice


Gaveterio relovucionário que o designer Shiro Kuramata desenhou para a Cappellini, nos anos 90.


Sofá, mesa de centro e luminária do escultor, arquiteto e designer  Isamu Noguchi, produzidas entre as décadas de 60 e 70


Pintura coloridíssima de Takashi Murakami, um dos responsáveis pelo status de arte  dos toys, referências de rua e HQs / Cadeiras de madeira e papel reciclado de Shigeru Ban, do final da década de 90

Saideira com uma das canções mais cults da MPB, imortalizada pelo divo Ney Matogrosso, lá nos anais do Secos e Molhados:

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Décor, Design Tags: , , , , , , ,
29/07/2009 - 14:22

Decodificado

Compartilhe: Twitter

Hoje fui lá na COD (Creative Original Design), a loja que ocupa aquele prédio classudão projetado por Paulo Mendes da Rocha na avenida Cidade Jardim, onde a Forma fez e aconteceu nos últimos 50 anos. Sim, o endereço continua lindo – e bem cuidado –  nas mãos da nova marca, incluindo no que se refere a demanda com selo Made in Brazil, como as criações descoladas do Wagner Archela – o cara que me levou lá para apresentar o esquema, inclusive. Enquanto não mostro as últimas do Archela, separei duas peças especiais do Pedro Useche.

A primeira é este carrinho de chá simplérrimo  (exatamente por isso, ultra-elegante), que borrifa um sopro de modernidade sobre uma forma já clássica, de apelo bem brasuca.

O cabideiro, também compatriota, faz menção honrosa às natureza com seu jeitão de galho seco (ou seria uma antena das civilizações pré-tv a cabo?) . Seja lá o que for, a peça se enquadra  no último grito do design, que pede simbiose entre mimetismo + look alienígena (aguarde post sobre o tema amanhã).

Grande vitrine  do design internacional (a COD representa as formas e volumes insuspeitos da Teperman, Rolf Benz e Herman Miller), a nova loja também destaca a porção designer de Oscar Niemeyer. Aquela chaise deslumbrante de madeira e palhinha (um dia ainda terei uma!), é um dos high-lights do espaço.  www.codbr.com

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Décor, Design Tags: , , , , , ,
24/07/2009 - 14:56

Muxarabi

Compartilhe: Twitter


Aparador Xadrez, Maria Cândida Machado para a Interni

Dica para refrescar o décor – e a cuca: mais do que as transparências, as superfícies vazadas são o máximo da leveza na decoração – desde as palhinhas dos anos dourados aos rabiscos do último grito do design. Por mais pesado que seja o material (ferro, aço, madeira ou coisa que o valha), esse efeito oxigena o look e ajuda a equilibrar as combinações.


Cena do quarto do refúgio ventiladíssimo projetado por Isay Weinfeld no litoral paulista

Falo por experiência própria: lá em casa, por exemplo, onde o aproveitamento de cada centímetro cúbico vale ouro (o apê é uma lata de atum, como vocês sabem), meu set de cadeiras Bertoia funciona como nenhum outro, fazendo o espaço, apertado, fluir melhor. Ali consigo até inserir elementos mais sólidos, de shape denso, como um banquinho brutalista de Hugo França, sem embates – só não dá para abusar muito para não comprometer a circulação.


Dois takes registram a versão do muxarabi contemporâneo de Weinfeld na casa de praia

Mas o mote inspirador do post veio da arquitetura: há dois anos, publicamos na Casa Vogue um refúgio de praia fabuloso, em Iporanga (Guarujá, litoral norte de Sampa), assinado pelo Isay Weinfeld (na minha modesta opinião, o melhor projeto residencial traçado por ele nos últimos anos). Observe como o Isay equilibra as linhas retas e puras do desenho com o sotaque étnico dos muxarabis (treliça característica da arquitetura moura, de grande identidade estética e uso estratégico: possibilita ver sem ser visto, como pede o estilo low profile das mulheres árabes).


Da esquerda para a direita: cadeira Pantosh, da Lattog; poltrona de Aristeu Pires; chaise Rodolfo Dordoni para a Atrium; poltrona Espaço Casa; banquetas Reinhad Dienes

Mais conceitual ainda (e exótica) é a casa japonesa dos arquitetos Masahiro & Mao Harada, batizada de “Sakura House” (ou “Casa Cereja”). Totalmente de vidro, a morada recebeu, para efeitos de proteção, uma segunda pele de aço inoxidável, composta por painéis furados sistematicamente com desenhos que simulam as folhas da cerejeira, símbolo nipônico de prosperidade. O visual modernex traz mais do que apelo vanguardista: a casa é absolutamente ventilada e iluminada, mesmo estrangulada pelo terreno minúsculo (uma realidade em Tóquio).


No alto, chaise Spine, de André Dubrevil; à esquerda, poltrna de Estevão Toledo e mesa de Ferrucio Laviani, Montenapoleone

Sean Godsell, um dos papas da arquitetura contemporânea, assina a Glenburn House, incrustada no alto de um morro no vale do rio Yarra, uma das mais belas regiões da Austrália, entre florestas de eucaliptos, vinhedos e fazendas. Toda ripadinha, a casa se estende pela paisagem quase como um código de barras. A construção é uma investigação profunda da ideia de varanda como espaço fluido, com jogos de filtros e sombras. Genial!


Day bed étnica Indoasia; estante Freecell; cadeira Bertoia e mesa de centro Linea

Na pegada “ventilada” dos muxarabis das mil e uma noites, dos furinhos orientais e das ripas australianas, armei (junto com a Paula Queiroz, jornalista e produtora cheia de gás – e talento) uma seleção de mobília vazadinha que funciona como coringão em qualquer canto – e combina com qualquer estilo de décor. Tem de tudo um pouco e um pouco de tudo: das Bertoias da minha sala de jantar (aqui também em versão Diamond) à cereja do bolo do design italiano – garimpado na Montenapoleone e na Atrium –, dos traços tétricos de Konstantin Grcic, via Micasa, às linhas bem esticadas dos nosso Aristeu Pires e Estevão Toledo. Tudo para a sua casa respirar melhor! Oxigênio já!


Aparador Claudio Bambrilla, Montenapoleone


Seleção pinçada na Artefacto: mesa lateral e chaise Karim Rashid; poltrona Pigalle, do filipino Kenneth Cobonpue


Casa projetada por Sean Godsell na Austrália


Cadeira de Jum Hashimoto; cadeira de Konstantin Grcic; poltrona Toque da Casa; cadeira de Patrick Jouin; Bertoia em versão Diamond


Cadeira de raquete de tênis by Punga & Smith; cadeira plahinha Velha Bahia; cadeira Clarissa, Toque da Casa; poltrona de tiras versao clara, Toque da Casa; poltrona Armando Cerello


Cadeira Artefacto Beach & Country; versão de cadeira Konstantin Grcic com pés de inox; banquetas ripadas Abitare; mesa de apoio Catallogo e gardean seat Artefacto Basic


Fachada da Sakura House, no Japão


Estofados B&B Italia, Atrium; cadeira Baber; sofá Shiro Kuramata

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Décor, Design Tags: , , ,
14/07/2009 - 21:27

Subindo pelas paredes

Compartilhe: Twitter

E lá no Rio a arte está, literalmente, subindo pelas paredes. Projeto da Galeria A Gentil Carioca (www.agentilcarioca.com.br) convida um time de artistas para, cada qual à sua maneira, produzir uma instalação outdoor na parede lateral do prédio, em pleno centrão do Rio. A cada edição (que dura em média quatro meses), um nome quente da cena contemporânea leva para a rua esta ação que propõe democratizar a arte e incentivar o interesse da população. Entre pinturas, grafites e performances instigantes, nomes como Dane Mitchell, Guga Ferraz e Carlos Garaicoa já passaram por lá com obras pouco convencionais que transformam a paisagem urbana.

Inquilinos da vez, os irmãos Tiago e Gabriel Primo radicalizaram ao ponto de ganhar reportagem internacional na Reuters de hoje (clique aqui para ler a matéria original)

Imagine que os big brothers ignoraram o limite vertical do paredão para simular uma casa ao ar livre, brincando com a estética da dos realitys shows, do urbanismo desenfreado e da decoração kitsch (a produção inclui rede, cama, escrivaninha, espreguiçadeiras e até um gramofone: tudo chumbado para garantir o trânsito dos homens-aranha).

Faça chuva ou faço sol, a instalação nunca fica vazia: quando um deles precisa ir ao banheiro, por exemplo, o outro fica de prontidão, para deleite dos voyers de ocasião.

Autor: - Categoria(s): Arquitetura Tags: , , , , ,
17/06/2009 - 18:00

In casa com os Stones

Compartilhe: Twitter

Li na Ilustrada de ontem uma entrevista que o jornalista Ivan Finotti fez com o fotógrafo dinamarquês Bent Rej, que acompanhou a primeira turnê dos Stones, em 1965, após o boom do hit “Satisfaction”, porta de acesso da banda à estratosfera do rock. Rej registrou essas imagens antológicas no livro “Rolling Stones – O Começo”, lançamento da Larousse (www.larousse.com.br) que traz, entre muitas pérolas de bastidores, pequenos drops do life style dos garotos ingleses tão logo eles compraram suas primeiras casas. “Mostrá-los como pessoas normais foi inédito na época”, contou Rej à Finotti. “Roqueiros eram como deuses e sua vida privada era secreta. Eu até hoje não sei como eles me deixaram fazê-lo”. Clique aqui para ler a reportagem completa.

Óbvio que, quando se pensa nos Stones, a primeira coisa que vem à cabeça é a tríade sexo + drogas + rock’n roll, com direito a quebra-quebra de suítes presidenciais e móveis atirados do 20º andar de hotéis luxuosos – como a tchurma do heavy metal imitaria nas décadas seguintes.

Mas, mesmo desconfiando da pose angelical dos rapazes nessas ambientações bem-comportadas, o documento tem seus méritos. Além de valer pela curiosidade de espiar pela fechadura no melhor estilo “como viviam os ricos e famosos nos anos dourados”, o book mostra no pano de fundo um estilo neo-inglês de morar nos anos 60s, longe da sisudez classuda e das flores da Rainha, com móveis mais limpos (boa parte deles dinamarqueses), de desenho esguio, linhas retas, pés palito, tons sóbrios com cores pontuais aqui e ali. Um visual moderno, de fato, no compasso do iê-iê-iê e da cabeleira de Mick Jagger & cia.

Entre os episódios mais pitorescos, Rej contou um exemplo do quanto a vida imita a arte, por mais fake que a tal “arte” tenha sido na ocasião: “Keith Richards não tinha uma casa, ele morava com os pais. Então, reservamos uma suíte no Hilton Hyde Park e fingimos que ele vivia ali. Mas Richards gostou tanto que resolveu ficar de verdade. E morou lá durante alguns meses, o que fez a nossa história virar autêntica”.

Descortinando o fog londrino para a saideira, direto do meu baú oitentista, separei um momento “sobe o som” com a über-diva Aretha Franklin (neste clipe, aparentemente recém-saída de uma tela de Andy Warhol – aliás, foi o próprio papa da pop art quem assinou a capa de um dos álbuns mais blockbusters de Aretha, em 1986), aqui duelando com o Keith Richards (o stone sem-teto que se instalou no hotel-locação) e sua guitarra nervosa. Para arrematar, Whoopi Goldberg brincando de “Os Trapalhões” na Sessão da Tarde – aliás, a cena foi extraída de um filme pastelão dela. Mas a música é um clássico dos Stones: “Jumping Jack Flash”! Yeah, Yeah, Yeah…

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Décor Tags: , , , ,
02/06/2009 - 11:15

Decora Brasil

Compartilhe: Twitter


Sob o tema da “Sustentabilidade”, a Casa Cor São Paulo 2009 recebe os visitantes com um jardim suspenso em homenagem ao pintor e paisagista Burle Marx. No detalhe, uma frase célebre do artista: “Gostaria que os que viessem depois de mim, pudessem ao menos ver alguma coisa que lembrasse o país fabuloso que é o Brasil, do ponto de vista botânico, dono da flora mais rica do mundo”.

E sábado retrasado (23/05) rolou o brunch de imprensa da Casa Cor São Paulo. E lá fomos nós, cheios de boa vontade – apesar do despreparo da assessoria de imprensa para conosco, jornalistas bem intencionados (e ocupadérrimos) que se propõem a dedicar uma manhã inteira do precioso final de semana para cobrir um evento cuja única razão de existir é justamente crescer e aparecer (primeiro para a mídia, que se encarrega de reportar aquilo que absorve para o mundo). Mágoas à parte, esta foi a minha única ressalva quanto à organização, que pareceu bem mais funcional.

O grande barato fica por conta da sustentabilidade, que virou prerrogativa básica em todos os espaços. Nada mais cafona e demodê do que trabalhar com madeira não certificada ou qualquer outro material que agrida o nosso tão sofrido meio ambiente. Ponto para o time! Alguns participantes vão bem longe no look in natura. O jardim vertical da paisagista Gica Mesiara, na entrada principal, é um luxo, por exemplo.

Conceitualmente, em geral, vê-se mais do mesmo. A diferença é que as alamedas estão ainda mais extensas, já que são 110 ambientes disputando a sua atenção nesta 23ª edição. Outras duas mostras simultâneas, Casa Hotel e Casa Kids, dilatam o roteiro.

A maratona cansa um pouco – mesmo os aficionados por décor, como é o caso da minha tchurminha. Pelo caminho, a gente confabula um bocado: “puxa, esse quase acertou”, “aquele errou feio”, “teria um ambiente assim”, “não teria aquele de jeito nenhum”, “nossa, que tipo de pessoa moraria nessa casa?”. Mas apesar da liberdade opinativa que tenho neste blog, acho extremamente deselegante gongar qualquer um dos trabalhos apresentados. Os caras ralam um bocado para participar da Casa Cor. Investem tempo, dinheiro, sangue, suor e paixão naquela vitrine que, muitas vezes, pode determinar o êxito da sua agenda profissional pelos próximos anos. Fato: Casa Cor é projeção – e das grandes. Partindo dessa premissa, não vale apontar aquilo que, para mim, é um equívoco estético (e que pode não ser para você). O mercado está aí, democrático, com lugar para todo mundo – logo, cada qual com a sua demanda! E gosto é a coisa mais subjetiva do planeta, seja ele estético, gastronômico, musical ou sexual – pronto: falei!

Apesar da lacuna deixada pela ausência de tops como Sig Bergamin, Marcelo Rosenbaum, Roberto Migotto, Esther Giobbi e Fabrizio Rollo (que arrasou na sua estreia na edição passada), tive boas surpresas por lá, ainda segundo o meu radar pessoal e intransferível. E dessas, faço questão de destacar algumas, com comentários – confira o top 10 que fiz para o site www.spfw.com.br


Gica Mesiara – Paisagismo do Foyer de Entrada


Francisco Cálio – Sala de Jantar – Apartamento


Fernando Piva – Apartamento do Solteiro


Dado Castelo Branco – Bangalô


William Maluf – Home Theater Casa


Fernanda Marques – Loft


João Armentano – Fuori Cittá


Debora Aguiar – Refúgio do Velejador


Arthur Casas – Cabana do Xamã


Zoe Gardini – Lounge de Interligação


Fred Benedetti e Fernanda Abs – Suíte Ricardo Almeida

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Décor, Design Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
Voltar ao topo