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Arquivo da Categoria Casa Vogue

01/06/2010 - 21:17

Terra em transe…

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… e Allex em trânsito. Maquiavel dizia que “uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança”. Mas a gente demora um bocado para encarar uma guinada.

Foram 10 anos. Densos, intensos, imensos. Com o pedigree Vogue, ergui pilotis que escoram o lado “platinum” do meu curriculum vitae. Complexo, convexo, suado e sofrido ­– mas reconhecido, graças a Deus. Muito além da superfície estética, aprendi naquela casa os quiprocós da criação, a engenhosidade da função e a excelência da publicação.

Entrei com a minha verborrágica sopa de letrinhas; os Carta, com o toque gourmet que tempera as revistas mais chics desses brasis. Não é tudo. Nas fissuras da fina estampa, tive a oportunidade de estudar arte, dissecar conteúdos, entrevistar ídolos, dar de cara com lendas vivas e cair na estrada em trips espetaculares que fizeram de mim um jornalista melhor. Um crachá que também garantiu acesso a veículos de outras plataformas – fashion, cult, pop ou blockbuster –, onde cravei assinatura em textos culturais, críticos, intelectuais, acadêmicos e politizados – ou pseudo tudo isso. Não salvei o planeta, é verdade – e tomei uma senda bem diferente daquele romantismo ambicionado por qualquer foca prestes a abocanhar o canudo de jornalismo, com sede de mudar o mundo num manifesto. Mas comemoro a odisseia sem um miligrama de culpa. Foram quase 120 edições e incontáveis colaborações com todos os títulos da casa. Muitos fios de cabelos brancos depois, parto para outra.

De fato, um parto também no sentido metafórico, já que deixo aqui amigos queridíssimos (Zé Renato, Ana Paula, Paula Queiroz – muitas vezes, meu braço direito neste blog –, Fabrizio Rollo, Ana Lúcia, Ana Montenegro, Tissy Brauen, Guilherme Marcon e muitos mais) e um pouco da minha alma. Levo outro tanto disso tudo comigo, para sempre. Foi uma escolha pessoal e intransferível – simplesmente vital para quem não se acomoda no conforto do ninho. Este puxadinho virtual continua despretensiosamente do jeito que sempre foi. Enquanto metabolizo a nova rotina – e só durante essa fase de transição –, fecho a quitanda por uns dias (deixo vocês com um patchwork das minhas duas últimas edições de Casa Vogue, junho e julho. Até daqui a pouco, de endereço novo, como editor-chefe da bacanérrima Wish Report. Te vejo lá, né?

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue Tags: ,
03/02/2010 - 10:30

Décadence avec elegance

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Chegou a vez de detonar o design, no melhor sentido da expressão. Quem dá a dica é Sergio Zobaran, decano do décor (um dos meus jornalistas prediletos, inclusive), que ensina que “a décadence avec elegance” é a tendência da vez.

Décadence avec elegance 3Cadeira verde da Conceito: firma casa;  sofá da tre-uni; mesa lateral / de apoio da ,ovo

Olho no texto que ele escreveu sob medida para o In Casa:

“Em altíssima no mundo que dita a decoração (= Europa, onde o estilo é denominado ‘shabby’ na Inglaterra, ‘pauvre’ na França, ou ‘povero’, na Itália, mas sempre seguido de ‘chic’), estão os móveis detonados,  com aquele algo mais que apenas a pátina do tempo. Normalmente são um destaque na casa, mas com cuidado, para “seu cafofo não ficar com uma cara brecholenta”, como me disse o colecionador João Pedrosa, antecipando a minha mudança de casa mais recente – e o modismo. Mas agora eles aparecem direto, e preenchem até lugares públicos, como um restaurante inteiro: o Derrière, em Paris, detonadaço em todos os seus ambientes, como os de uma casa.

Décadence avec elegance 1Mesa bandeja da Oficina de Agosto; cadeiras da Vila Nova; vaso da l’oeil

O que antes era encoberto, como um buraco na forração de couro de um sofá Chesterfield, agora é explícito, fazendo charme decadente e contrastante em um ambiente moderno, por exemplo. Além dos couros, os tecidos dos estofados podem permanecer os mesmos, velhos, ainda que poídos, rotos, esfarrapados, ou mesmo as suas imitações envelhecidas propositalmente. E vale ainda a forração nova feita em saco de aniagem, para reforçar o conceito. As mesas e cadeiras antigas de ferro, que um dia estiveram ao tempo, nos jardins, entram em casa no estado em que lá foram abandonadas – ou seja, azinhavradas, enferrujadas. As madeiras nem sempre ganham restauração sob este novo olhar, uma releitura (sorry!) excêntrica que Juliana Benfatti sempre fez tão bem em sua loja-garimpo sofisticado paulista. Ouça ainda Christian-Jack Heymès (que adora um restauro, mas mantém alguns exemplares ‘no estado’ em seu antiquário Patrimônio, nos Jardins): “preste atenção desde a arte – duas das mais famosas obras mundiais que estão no Louvre foram mantidas como encontradas: a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia”.

Portanto, veja bem: nada em arte e decoração é tão novidade assim. Afinal, quem cresceu nos anos 1960 viu passar a moda do decapé (reveja exemplares novos na Artefacto Beach&Country), e dos espelhos oxidados, contanto que tivessem boas molduras – e, ainda nos 1970, eles ornaram paredes inteiras nas boates, halls de entrada e lavabos do primeiro time. O secular mobiliário da Provence também ganhou novamente espaço em lojas especializadas, entre nós, a partir dos 80, com seu ar branquinho, porém desgastado. Mas o excesso do seu uso praticamente nos fez enjoar dele, ainda que continuem a existir e até mesmo a ganhar novos endereços. O espírito do eixo Tiradentes-Vila Madalena preencheu ambientes de móveis supostamente velhinhos, ou envelhecidos artificialmente por sucessivas pinturas (e descascamentos) de cores diversas. Encheu também – com raras exceções originais ou muito bem (re)feitas, como tudo o que vinha da Jacaré do Brasil, ainda viva em Trancoso, mas sem sua filial paulista.

Décadence avec elegance 2Seleção de móveis patinados e em madeira de demolição, tudo da Artefacto Beach and Country

Enfim, agora é a vez dos detonados, encontrados desde os brechós, passando pelas vendas em garagem, família muda-se, etc, e nos antiquários mais sofisticados. Até quando a moda dura? Sei não… se as peças forem ricas de origem (em estilo e material) acho que por muito tempo. Tanto quanto a qualidade de seus móveis… Como diria o dono de antiquário e decorador belga Axel Vervoordt: “qualquer peça, se é boa, tem uma eterna contemporaneidade”.

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Décor Tags: , ,
13/11/2009 - 18:59

Bauhaus now!

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E no ano em que a Bauhaus sopra noventa velinhas, Casa Vogue fez uma mega matéria sobre a lendária escola alemã que sacudiria para sempre as linhas cartesianas  da arquitetura e do design. Se você não viu ainda, já para bancas: tá imperdível! A começar pelo elã da coisa…

Muito mais do que uma simples reportagem, nossa big-boss-com-bossa, Clarissa Schneider, poderosa que é, teve o insight e foi à luta: escolheu um time de estetas e encomendou, a cada um deles, uma criação de inspiração bauhausiana, sob medida. Elenco: Irmãos Campana, Marcelo Rosenbaum, Cláudia Moreira Salles, Attilio Baschera, Candida Tabet, Fernando Prado, Gerson de Oliveira e Luciana Martins.

De tão especial, a coisa evoluiu para a expo mais diferentona que já se fez sobre Bauhaus por essas bandas, sem nenhuma gotinha de pretensão sequer.

Uma prévia desse resultado, você espia aqui e agora, sem delongas (o resto, só na revista). Mas para finalizar em grande estilo, deixo vocês com um fragmento do texto que Flávia Rocha tão bem escreveu sobre o assunto: leitura obrigatória.

“Não é exagero dizer que o mundo não seria o mesmo sem a Bauhaus – sua filosofia humanista, socialista, democrática, universal, carregada do espírito utópico do entreguerras, superou o seu próprio tempo. A escola, que funcionou aos trancos e barrancos entre 1919 e 1933, deixou seu traço em aberto para que qualquer um, a qualquer momento, fizesse bom proveito dele.  A semente lançada num território instável – a Alemanha pré-nazista – não fincou raízes geográficas (só na Alemanha, teve três endereços: Weimar, Dessau, Berlim, dissidentes a recriaram em Chicago em 1937 — hoje Illinois Institute of Technology, e desde 1999 funciona como uma fundação, a Bauhaus Dessau, além de ter inspirado outras escolas similares mundo afora). As raízes encontraram terreno fértil nas mentes que a conceberam, arquitetos, artistas, artesãos e designers europeus que tinham em comum um desejo de revolução: simplificar, massificar, transplantar o design das oficinas para as fábricas e para as ruas, aplicar modernidade no dia-a-dia.

Bauhaus, que significa “casa de construção”, teve três dirigentes, e cada um imprimiu sua marca nas diretrizes da escola. Entre 1919 e 1928, sob orientação de seu fundador, o arquiteto Walter Gropius, tiveram prioridade as oficinas técnicas, conciliando arte e artesanato à proposta de funcionalidade, um projeto que substituía ornamentação e exclusividade por produção em massa de peças de design.  Entre 1928 e 1930, sob direção de Hannes Meyer e influência marxista, a Bauhaus se voltou para projetos arquitetônicos e industriais, sobrepondo funcionalidade à estética, o que causou grande controvérsia. Nos seus últimos anos, dirigida por Mies Van der Rohe, sob uma ótica intelectual,  a Bauhaus voltou a se preocupar com a criação de uma estética modernista, liderada pelo departamento de Arquitetura. Na lista negra do Nazismo, foi fechada pelo governo de Hitler, em 1933. Passaram por lá, como instrutores, algumas figuras icônicas: Paul Klee, Johannes Itten, Josef Albers, Herbert Bayer, László Moholy-Nagy, Otto Bartning, Wassily Kandinsky, Piet Mondrian, Marcel Breuer…  os vestígios de suas linguagens vemos por toda a parte, e veremos ainda no futuro.”

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Luminária by Fernando Prado e fruteira dos Irmãos Campana

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Estante modular e luminária da dupla Gerson de Oliveira e Luciana Martins; o tapete é de Marcelo Rosenbaum

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Luminária de Claudia Moreira Salles; tecido de Attilio Baschera; estante Candida Tabet

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Décor, Design Tags: , , ,
04/11/2009 - 10:37

Febre amarela

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Cena assinada por Roberto Migotto para a Casa Vogue

Embora o décor não seja tão efêmero como a moda (ainda bem, porquê não dá para mudar o look da casa como quem troca de roupa, né?), variar é preciso. Nem me refiro ao estilo, que é uma coisa menos mutante, mas sim às cores que pontuam o cantinho nosso de cada dia.

Estava aqui dando uma folheada rápida num livro chamado “Fundamentos da Geocromoterapia”, da espanhola Marta Povo (Editora Pensamento, 2004), estudiosa da energia das formas e das cores na seara doméstica, e pincei um texto que radicaliza essa proposta de caprichar na paleta: “As suas casas adoecem tanto ou mais que vocês mesmos. Os espaços são como seres vivos submetidos a diversas alterações de energia. Se vocês vão ao médico, mas voltam para casa e o lugar está ‘doente’, de nada adiantam as correções feitas sobre o corpo. A sua casa deveria ser um lugar de cura e equilíbrio, que favoreça o seu caminho, e não um lugar doente que roube as suas energias. É aí que entra a Geocromoterapia, método de correção da informação celular e psíquica dos ambientes, com finalidades preventivas, equilibrantes e evolutivas a partir do layout e das cores”.

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Mesa lateral ripada, Conceito; abajur Bertolucci; balde de gelo vintage, em madeira pintada, de Jorge Zalszupin

Ok, pode parecer “poltergeist” demais para internautas céticos como eu. Mas ninguém precisa comprovar cientificamente (embora seja mais do que sabido) que algumas cores são muito mais aconchegantes do que outras; que determinados tons cansam ou excitam mais e por aí vai. No final das contas, experimentar é preciso.

Meu cafofo, por exemplo, já teve sua fase “laranja mecânica” (todos os plásticos da casa eram nessa cor: dos acessórios do banheiro às panelas da cozinha – praticamente só elas sobreviveram, já que não abro mão das minhas amadas Le Creusets, conquistadas com muito suor); radicalizei para um lance meio “black is beautiful” (coleciono vasos pretos e muitas outras peças negrinhas começaram a entrar no pacote para “ornar”); depois tentei clarear tudo com uma pegada “white party” (que, definitivamente, não tem nada a ver comigo – less is more só é bonito na casa dos outros, né?); e, finalmente, descambei para o indefectível “ensaios sobre beges, crus e marrons”.

Confesso que tenho sentido falta de cor, ultimamente, e venho incrementando aos poucos. Minha aposta da vez é o amarelo. Por enquanto, a incursão solar se resume a uma Arne Jacobsen de acrílico na entrada e a uma miniatura de Panton (souvenir da Mais Design) na estante de livros, mas a tendência é abusar – depois conto aqui o que tenho em mente.

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Miniatura de Verner Panton; mesa Cravo; cadeira japonesa de Teruhiro Yanagihara

Os tons cítricos, tão em alta na moda (quem viu os desfiles da última temporada da Chanel, onde as modelos desfilaram com esmaltes jade – o último grito  –, sabe do que eu tô falando), funcionam super bem em casa.

No ano passado arrematei num “brique-a-braque” uma penteadeira cinquentista, pés palito, meio detonada pelo tempo. Mandei pintar com tinta automotiva (que dá aquele efeito laqueado) e a peça ficou escandalosa de linda. Como não tenho (ainda) espaço para ela, tive que emprestá-la para a minha mãe, que não se mostrou muito disposta a devolver o móvel. Patrícia Favalle (amiga amada e jornalistona de primeira) viu, gostou e contou para outra jornalista e amiga querida, a Adriana Brito, que mandou  pintar um cofre antigo (daqueles com cara de escotilha)  com a mesma tinta, convertendo a peça paquidérmica num delicado criado-mudo.

Mas resolvi abrir alas mesmo para a cor depois que a Cynthia Garcia, uma das minhas divas do jornalismo e oráculo de estilo (ela sabe tudo de moda, décor e do estilo em si), me contou que pintou as portas da casa de amarelão, contrastando com batentes pretos e piso de parquê. Ousadamente chique, não?

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Cerâmicas pintadas; garden seat La Boheme, by Phillipe Starck; abajur Kartell; estofado Egg

Voltando ao lado B, só para esgotar a pegada holística: o amarelo é a cor que mais contribui para a felicidade, por ser muito brilhante e alegre (é como estar em festa a cada dia). Também simboliza, ao lado da sua variação dourada, o luxo. Está intimamente relacionada ao lado intelectual do cérebro e a expressão de nossos pensamentos. Estimula o poder de discernir e discriminar, a memória e as ideias claras, o controle de decisão e a capacidade de julgar. Também ajuda a nos organizar, a assimilar inovações e contribui para a habilidade de compreender os diferentes pontos de vista. Como nem tudo são flores, também há um lance negativo: o amarelo contribui para alimentar o medo.

Impressões pessoais, pesquisas cromoterápicas e folclores à parte, vale registrar uma informação que denuncia a demanda mercadológica do tom: todo e qualquer modelo de móvel assinado, produzido hoje em dia, principalmente em acrílico e poliuretano, está disponível na cor amarela: de Charles Eames a Saarinen; de Pierre Poulin a Mies van der Rohe. Ou seja: o amarelo agrada.

Na categoria “manual prático”, aproveitando a deixa, perguntei ao Fabrizio Rollo, nosso consultor de estilo favorito, quais as suas impressões sobre o amarelo. Claro que ele fez um giro histórico e fechou com altas dicas de combinação. Confira:

“O amarelo virou moda – mas não confunda moda com tendência. É curioso como essa cor, principalmente em suas tonalidades mais vibrantes, está em alta, se você considerar que, na Idade Média, as casas dos doentes contagiosos tinham suas portas pintadas assim, em sinal de alerta, o que lhe rendeu um status nada positivo. Uma das cores puras (como o vermelho e o azul), ela está ligada aos intelectuais, pois estimula o pensamento e o raciocínio. Mas cor é uma relação muito pessoal. Encarar ou não o amarelo na decoração, tem mais a ver com o seu gosto do que com qualquer outra coisa. Se você ama, porquê não usar? Tenha em mente que é um pigmento caro (é muito mais barato pintar a casa de branco, né?).

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Cofre antigo garimpado por Adriana Brito, que mandou pinta-lo de amarelão; mesa lateral by Roberta Rampazzo; garden seat Kartell e bowl de murano da Arterix

E é importante ficar atento a alguns senões. Quando forte, por exemplo, principalmente se aplicado em grandes superfícies, o amarelo enjoa muito fácil. Também há outro equívoco comum: nunca pinte uma parede só de amarelo (ou de qualquer outra cor). Não existe nada mais cafona!

Em tons muito clarinhos, como o marfim, o amarelo é sempre elegante. Mas alguma ousadia na medida certa sempre causa sensação. Na história do  décor do século 20, o living decorado pela inglesa Nancy Lancaster (uma das fundadoras da marca Colefax & Fowler), era inteiramente pintado em amarelo-trator (bem Caterpillar) em plena década de 50!

O amarelo-açafrão combina muito bem com tons militares e envelhecidos, para ambientes mais rústicos, com cara de campo. O amarelo puro é ultra-moderno (pense em Mondrian ou no arquiteto Rietveld). E muito cuidado ao misturar amarelo com vermelho. Dependendo da intensidade, você pode cair naquele look fast-food. E ninguém quer uma casa que estimule o apetite…”

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Décor, Design Tags: , , , , , , ,
17/09/2009 - 20:30

Um salve para as divas

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Ainda estou contaminado pelas cerâmicas deslumbrantes que vi lá na Cote d’Azur, mais precisamente na cidadela de Vallauris. Fomos conferir uma exposição incrível, num lugar não menos incrível: o Museu Municipal Magnelli. Até dezembro, eles apresentam uma coleção bárbara sobre o trabalho da família Massiers, os cardeais dessa arte. Imagine você que o museu instalado desde 1977 numa antiga abadia, tem uma capela romana que abriga, na sua abóbada, dois painéis pintados em 1952 por ninguém menos que Picasso! Aliás, o museu também tem no acervo vasos e pratos über-inacreditáveis traçados pelo mestre. Très chic!

Outra curiosidade do pequeno condado: Jean Marais, galã do cinema francês nos anos dourados (lembra de A Bela e a Fera?), se dividia entre os sets de filmagem e as cerâmicas. Essa segunda faceta artística pode ser conferida no museu que leva seu nome. Babado forte: Marais foi amante de outro Jean célebre que arrasava nas cerâmicas: Cocteau.

Sem querer ser venenoso (e já sendo), foi no museu Jean Marais que descobri de onde vem boa parte das ideias geniais do americano, considerado um gênio ceramista, Jonathan Adler. (“cooooooooooooooobra“, diria meu amigo Sergio Germano!).

De volta ao que interessa, o post do dia homenageia duas divas gringas das cerâmicas cujo trabalho é de uma poética comovente: Eva Zeisel e Gwyn Hanssen Pigott.

3_Eva Zeisel

Julius Wiedmann, nosso correspondente em Londres, escreveu sobre Eva (www.evazeisel.org) na Casa Vogue desse mês. Vai lá ver! Em plena atividade aos 104 anos de idade, a artista húngara é considerada a fina flor do gênero, com várias condecorações de design no currículo. A sensibilidade para curvas e sua percepção única de sensualidade ajudam a esculpir coleções utilitárias para, de fato, serem usadas, algo que a própria sempre enfatizou. Até mesmo em relação ao fato de serem modulares e economizar espaço na hora de guardar (note que boa parte delas não possui pegas, alças e afins, sem perder a ergonomia).

2_Eva Zeisel II

Há alguns anos, Flávia Rocha escreveu sobre outra grande dama que dá vida ao barro: Gwyn Hanssen Pigott. Formada em História da Arte, desde os anos 50, a artista australiana arrasa numa produção cheia de referências estéticas de outras épocas. A inspiração vem da grande paixão de Gwyn: as cerâmicas chinesas e coreanas. Mas o shape é pessoal e intransferível, com um desenho moderno que não despreza certa rusticidade orgânica. Lindo de ver – e maravilhoso de ter.

4_Gwyn

7_Gwyn 4

Por falar em divas, tenho recebido muitos e-mails a respeito da matéria que escrevi na Vogue de setembro sobre o come back (triunfal) de Whitney Houston – adoooooooooro aquela mulher com tantos “os” que nem caberiam aqui. Atormentada pelas drogas, a artista feminina mais premiada do mundo foi ao inferno e voltou. De alta do rehab, acaba de lançar um álbum quase biográfico que a coloca de volta no topo (ela está liderando as vendas fonográficas no mundo, tá?). Ontem, na abertura da nova temporada do The Oprah Winfrey Show, a apresentadora se debulhou em lágrimas com a apresentação de Whitney. O GNT vai exibir o programa no Brasil em duas partes (21 e 22 de setembro), como foi lá nos EUA (14 e 15). Enquanto a gente não vê a entrevista bombástica, colo aqui o vídeo que pesquei no Youtube. Pode me chamar de cafona, mas fiquei arrepiadíssimo. Salvem as divas!

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Design Tags: , , , , , , , ,
11/09/2009 - 19:16

Marcenaria sitiada

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estevao-toledo-cortada-blog

Se você costuma passear por este blog de vez em quando, já deve conhecer o trabalho do Estevão Toledo, um dos caras em quem aposto forte como um dos designers mais bacanas da sua geração. Com site novo no ar, Estê aterrissa na web com uma página descoladérrima que você precisa conferir: www.estevaotoledo.com

Escrevi sobre o trabalho dele na Casa Vogue deste mês. Você viu? Colo aqui uma nesga do conteúdo…

“Há uma assinatura no trabalho de Estevão Toledo, uma característica que faz com que a sua produção seja imediatamente associada ao seu nome: a simplicidade. Sem firulas, o designer paulistano assina um trabalho autoral, direto, que deixa elegantemente à mostra suas emendas e sistemas de encaixe, tirando partido deles como charme-extra. Essa alta-marcenaria conta com muito capricho nos acabamentos, mas sem makes que escondam o que há por trás do traço e da ergonomia de cada peça. “A madeira por si só já é linda. A gente não precisa fazer muita coisa”, conta o artista avesso aos looks pavônicos, que trocou a trilha do pai engenheiro para se dedicar ao dedenho industrial. Formado pela FAAP, Estevão foi aluno de craques da madeira como Carlos Motta, estagiou com Baba Vacaro, além de fazer cursos com Pedro Petry e oficinas com os Irmãos Campana. Todo esse background colaborou para a criação da própria identidade moveleira – e da própria marca, tocada por ele com empenho artesanal, metade no seu ateliê de ciração, metade no galpão-oficina, de onde saem mesas, cadeiras, poltronas, estantes, cabideiros e outros etceteras descolados, em tiragens limitadas e personalizadas que estão ganhando cada vez mais espaço na cena”.

Pra ver o conteúdo na íntegra, corra para a banca mais próxima e garanta seu exemplar da Casa Vogue: está incrível!

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Design Tags: , , , ,
26/08/2009 - 12:34

Suave é a noite

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Paisagem de Nice, região costeira da França conhecida como Cote D’Azur ou Riviera Francesa / foto: Reprodução

Parafraseando Fitzgerald (o escritor, não a Ella), vou dar um pulinho ali na Cote D’Azur e já volto – uma work-trip daquelas, com pompa e circunstância de férias. Mando notícias do mundo de lá, na medida do possível – como faço sempre que encontro algo descolex deste nosso universo esteta. Beijão e até a volta!

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Casa Vogue, Décor, Design Tags: , ,
10/08/2009 - 18:39

Entre o céu e a terra

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Um amigo chato (embora querido) perguntou outro dia quando é que vou mudar o look desta página, dizendo que ela tá ficando demodê. Não tá não!  Até eu, sagitariano típico que enjoa das coisas num piscar de olhos, ainda não cansei – a menos que você, venerado leitor, concorde com o sujeito oculto e exija uma repaginada no blog. Sem falar que chocolate com turquesa continua na crista da onda, sobretudo quando o assunto é casa. No projeto do meu novo refúgio privê (que, por enquanto, é só um projeto mesmo), a biblioteca leva papel de parede marrom, listrado de azul clarinho. Enquanto não acerto as seis dezenas da Mega, vou me conformando com as almofadinhas neste padrão, bonitas e aconchegantes, no melho efeito comfort look (que é como as casas devem ser, né?).

Devaneios à parte, vale lembrar que a decoração não tem o mesmo grau de efemeridade da moda, e que a escolha desses padrões dotados de muita personalidade tem que ser sensatamente comedida, já que você vai ter que aturá-los por um bom tempo.

Fabrizio Rollo, nossa enciclopédia viva de estilo, há alguns meses deu o look em Casa Vogue como tendência. O tempo passou, a onda, não: “Não é mais tendência, porque já se espalhou e virou moda. Mas continua valendo”. Viu? Por enquanto, eu só quero chocolate – com recheio de turquesa. E você?


Azulejo artístico pintado por Calu Fontes


Almofada Empório Beraldin, Colar Vitória Régia, de pedra amazonite e Madeira sucupira, de Fabrizio Fiannonne, e poltrona com estofado nas cores da estação


Ambiente “Como água para chocolate”, by Fabrizio Rollo


Garden seats Vila Vitória e Rug Hold. Ao fundo, mesa de centro Artefacto

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Décor, Design Tags:
01/07/2009 - 23:09

O veneno antimonotonia de Rosenbaum

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Em sua carreira meteórica, Jean Michel Basquiat conseguiu um feito e tanto: pixou seu nome com letras garrafais no muro da contracultura norte-americana, nos coloridos anos 80 (quando quase toda a subversão setentista já havia ecoado pelos quatro cantos do planeta). Gênio precoce, badalado e festejado aos 19 anos, morreria pouco mais tarde, aos 27, depois de uma vida de glam e excessos, regada a sexo, drogas, grafitti e rock’n roll. Basquiat namorou Madonna, foi amigo de Andy Warhol e teve muito mais do que quinze minutos de fama: sua marca ficaria impressa para sempre no circuito, como uma das figuras mais originais da arte contemporânea.

Quando nos sentamos para bolar o conteúdo da já tradicional edição de arte de Casa Vogue, nossa diretora Clarissa Schneider teve o insight: “Vamos convidar Marcelo Rosenbaum para interpretar um ambiente à Basquiat”. Bingo! Ninguém melhor do que ele para encarar o desafio. Sou fã número um do Rosebambambã por vários motivos: ele tem uma verve criativa cheia de gás; inventa moda sem nenhuma pretensão; converte o ordinário em extraordinário num piscar de olhos; é moderno até o tutano sem dar as costas para a cultura popular brasileira; é pop porque fala com a elite e com o povão com um carisma infinito; não segue padrões convencionais e subverte a estética o quanto pode, sempre que pode, entre outros adjetivos. Mas o que mais me surpreende em seu trabalho é a entrega absoluta. Com um briefing nas mãos e a liberdade de sempre na cuca, Marcelo inventou um Basquiat tão legítimo que podemos sentí-lo no espaço – tipo loft nova-iorquino, total 80s. Fui lá acompanhar tudo de perto, boquiaberto com a mistura fina: o grafite, a street art, os pneus empilhados, os móveis de design, os tribalismos, as projeções em video, a fusão luxo-lixo… Sem falar no look new-wave com direito a Louboutin-agulha-vermelho-vertiginoso onde a modelo Isabella Melo (adoro esse link fashion-decorex) tentava se equilibrar fazendo a linha “musa de Basquiat”, produzida pelas poderosas Verena Bonzo e Jéssica Juliani.

Sempre faço questão de assinar os textos que publicamos sobre o Marcelo em Casa Vogue. Mas, desta vez, justamente buscando um distanciamento mais crítico (e talvez menos inflamado), encomendei o feito a um dos nossos colaboradores prediletos, o Sergio Zobaran, que chegou chegando no título: “Vida louca vida.” Para te deixar com água na boca e fazer você sair correndo agora até a banca mais próxima buscar a sua revista predileta com a superprodução de Rosebambambã na íntegra, antecipo aqui alguns registros do Romulo Fialdini (outro de nossos colaboradores prediletos) e uma impressão zobaraniana (não menos empolgada do que a minha):

O Marcelo Rosenbaum não produz apenas lares, doces lares na TV. Como anda muito global, e lá dizem que ‘quem sabe faz ao vivo’, ele montou, para este especial de julho da Casa Vogue, um editorial sensacional: um real loft novaiorquino (um ambiente só, pédireito alto and so on) em homenagem ao Basquiat – em pleno bairro de Pinheiros, SP. Mais precisamente em seu genial escritório-galpão, uma antiga gráfica. E lá fui eu estudar a vida deste artista plástico muito louco que era o norteamericano Jean-Michel Basquiat (claro que, na minha pesquisa além-google, li que era haitiano, e por aí vai… mas haitiano era o pai, daí o nome francês!), antes de entrevistar o Rosenbaum, que já conhecia desde os tempos politicamente incorretos em que assinou um fumoir para a Casa Cor, idos de 2003. A produção incrível desta sofisticadíssima toca foi de parte a parte: no nosso time, um aparato com direito a stylist, produtora e assistente, beauty maker & assistant, fotógrafo, modelo magérrima-cabelão-lata de spray na mão, diretora de redação, editor-chefe (os meus chefinhos), e eu, o repórter… No coletivo dele, uma penca de designers, artistas e produtores modernos e antenados também (people like us). Resultado: o fera Basquiat, que só viveu 27 anos, entre 1960 e 1988, ganhou um ambiente incrível e a cara dele, por tudo que li e vi no livro que o Wair de Paula me emprestou (e seu trabalho me fez lembrar mais uma vez de Alex Vallaury, Leonilson e Jadir Freire, entre outros tantos pós e contemporâneos dele, grafiteiros ou não), e pelos móveis, obras de arte e objetos selecionados a dedo para compor o décor – em que dá vontade de ficar pra sempre. A inspiração do texto, além de tudo de bacana à nossa frente, foram as músicas de época do Cazuza, anos 80 na veia. Afinal, além de tudo (grafites e heroínas como Madonna em sua cama), nosso herói morreu de overdose, como outros da letra J da vez: Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin. A vida foi breve, as marcas para sempre. Só não passe a perceber Basquiat em tudo o que agora vê por aí. Garanto: tem tudo a ver, sim, com o que vemos/vivemos hoje – só que de forma mais mainstream. Mas estes sintomas passam em um mês. A matéria fica: linda e ali registrada na Casa Vogue. Aprecie com moderação…

Atenção: a capa que eu colei acima não é a que está nas bancas – escolher capa é um trabalho complicado: colocamos mil opções na frente, consultamos gregos e troianos, votamos e estudamos os prós e contras de cada uma delas, antes de determinar a eleita em si. Mas acho esse estudo tão genial, mas tão genial, que quis dividir com vocês. Clarissa teve a ideia do spray na mão da modelo garfitando o logo, e acrescentou o arranjo de flores de plástico à produção de Rosenbaum; Zé Renato entrou com o recorte e com o “A” estilizado da “Anarquia”. Romulo e Marcelo dirigiram a top com toda a ginga. Demais, não?

Para fechar o post no melhor estilo “Vida louca, vida breve”, escolhi um flashback do balacobaco. Clarissa e eu comentávamos agorinha, que nada mais Basquiat na música brasileira do que Cazuza. Zobaran fecha no discurso. Àqueles que, como eu, cresceram nos 80s, um salve com uma das frases mais definitivas (e suicidas) da nossa poesia-pop-cantada: “vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”:

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30/04/2009 - 19:26

Siga o mestre

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Às portas de fechar a quitanda para mais um feriadão deste calendário brasuca-ôba-ôba (vou me jogar em Campos do Jordão, e você?), antecipo em post, com exclusividade, um pequeno recorte da nova casa de campo do Sig Bergamin, aqui pertinho de Sampa. Ontem estivemos lá (Zé Renato, Rômulo Fialdini e eu) para armar uma matéria superespecial da edição de junho de Casa Vogue – prepare-se, porquê ela virá mais quente do que nunca!


Sig Bergamin e sua cadela Ásia, em registro exclusivo para a Casa Vogue / foto: Rômulo Fialdini

Chegamos cedinho, junto com o sol do outono. Dia lindo, céu limpo, brisa fresca como as flores que saltavam aos olhos – as do jardim e as arranjadas em vasos, bules e canecas, com a ginga cara ao dono do pedaço. E lá veio o Sig com seus três mascotes, as frenéticas América, África e Ásia (a menorzinha, que você vê posando com ele), fazendo algazarra na varanda, em clima de comercial de margarina. Alcunhas tão cosmopolitas quanto os carimbos no passaporte do esteta-desbravador que as batizou.

Dentro da casa, a luz filtrada pelas árvores frondosas dava um tempero especial ao cenário, impregnado da alma do Sig. Suas digitais estão em cada cantinho: na combinação improvável (e deliciosa) de cores, padrões e volumes; na cultura que jorra dos artefatos pinçados nos quatro cantos do planeta – do Laos a Trancoso, com escala nos melhores mercados de Paris e Nova York; nos pôsteres de cinema; nas obras de arte; nas louças e nas coleções – de pano de prato, de bules, de cerâmicas, de pássaros. Uma assemblage trés chic que faz justiça ao seu status de maior decorador do Brasil. Mais? Em breve, na Casa Vogue.


As multirreferências do designer Sig Bergamin na decoração do seu ambiente pessoal / foto: Rômulo Fialdini

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Décor Tags: , , ,
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