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Arquivo da Categoria Sem categoria

22/02/2010 - 15:00

Por uma vida menos ordinária

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Não importa o quão abrasivo seja o sol. Pra quem vive em Sampa, os dias nessa época do ano sempre acabam cinzentos e, por conta do lixo e de quem se lixa, em águas turvas que congestionam toda e qualquer via pública – principalmente aquela debaixo do nosso nariz. Poderia ser uma metáfora, mas não é: entre uma onomatopeia sem fim de buzinas que podem ser ouvidas aqui da minha janela, já deu pra farejar a enchente e sacar que a coisa vai longe. Pra variar, estico o expediente (ando trabalhando demais ultimamente), mas a concentração me deixou no vácuo…

balanco-tropicalia-patricia-urquiola-micasaPor uma vida menos ordinária: a poltrona “Balanço Tropicália”, da designer Patricia Urquiola, disponível no Brasil através da Micasa © Divulgação

Há momentos em que dá vontade jogar a toalha e ficar “de boa”, como dizem os manos, à toa na vida, vendo a banda passar. Tô numa dessas. Daí, como bom DDA que sou (tenho uma capacidade fora do comum para me refugiar em cantinhos secretos da mente, onde ninguém me encontra), me transportei para outra dimensão, visualizando-me largado à bordo de uma limonada suíça nessa poltrona-casulo suspensa, retro-futurista (modelo Balanço Tropicália, desenhada pela espivetada Patricia Urquiola, à venda na Micasa), no melhor estilo “Mon Oncle” – alguém aí viu o filme do Jacques Tati?

E eis que bate um desejo incontrolável de fuga, de recreio-veraneio na varanda, por uma vida mais colorida – e menos ordinária. Amanhã tem mais cor (e menos down, espero).

+ micasa.com.br

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17/07/2009 - 16:13

On the wall

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Pegando o gancho dos grafites (ou grafittis, como preferem os puristas), saca só o figurino hot-hot-hot dessas geladeiras. Descolex é pouco, né? Pois elas são só a pontinha do iceberg. Parceria da Micasa (www.micasa.com.br) com o Estúdio 20.87, as máquinas ganharam look turbinado pelas mãos dos designers Julio Zukerman e Henrique Lima, do duo “Mulheres Barbadas”. Conhecidos pelo trabalho autoral de muitos elementos e poucas cores (e por disponibilizar seus desenhos para download na web), os ilustradores trabalham preenchendo espaços com desenhos über-moderninhos, simbiose das culturas do HQ e da arte de rua. O bacana da parceria da dupla com a Micasa, é o pedigree em dose dupla: além dos produtos do Estúdio 20.87 (como as geladeiras pop-popozudas), a dupla também customiza as peças de design 5 estrelas da Vitra. PS: eles vão grafitar, de cabo a rabo, um dos ambientes da Casa do Lado (loja anexa à Micasa), com pôsteres, quadros e desenhos nas paredes e tetos, com direito a um plus: o diretor Luciano Sanches vai filmar toda a peripécia para um documentário.

Legenda: Geladeiras customizadas pelo “Mulhores Barbadas”, na Micasa

Dica da Paula Queiroz, Tomaz Viana, representado pela Galeria Movimento (www.galeriamovimento.com.br) é outro grafiteiro que curte linkar sua arte com o universo doméstico. Seu barato é pegar móveis antigos e pintar o sete neles.


Legenda: A velha gaveta de cômoda ganhou look terceiro milênio no grafite de Tomaz Viana

Ainda da série “ArtParade”, a mana Patrícia Favalle (jornalistona das melhores que conheço e amiga-gêmea-quase siamesa deste blogueiro que vos escreve), está morrendo de amores pelo trabalho do Jgor (www.jgor.com.br), artista novo na praça, totalmente off road, mas com desenho super in. Ela aposta nele – e eu também. Mas como Paty consegue ser ainda mais inflamada do que eu em suas chancelas, deixo-a com a sopa de letrinhas sobre o cara (muito bem temperada, por sinal).

“O pincel tange descontrolado sobre a superfície. Do azul ao vermelho as cores encontram-se inéditas, imprimindo nas latas, portas, papelão, telas e outras variáveis urbanas a criação do paulista José Ferreira Junior. Como se observa nos seus quadros, marcados pela referência de Jean-Michel Basquiat, a força bruta das formas unida à liberdade do graffiti, transcende os contornos da imagem num contexto entorpecente. No raciocínio permitido pela semelhança, José, que nasceu em Cajuru, cidade do interior paulista, se transformou no grafiteiro JGor. Já na Paulicéia, desde 2003, o jovem balzaquiano fez da arte marginal sua própria linguagem, estendendo a produção aos calques de canetinha, giz de cera, óleo, esmalte e técnicas mistas. O aprendizado desenvolvido sem mestres, teorias, materiais e informações didáticas, – eis mais uma afinidade com Basquiat –, é instintivo e popularesco, sem que isso lhe cause demérito algum. Afinal, como questionava o poeta-andarilho Gentileza: “O que é mais inteligente, o livro ou a sabedoria?” Patricia Favalle


Legenda: Óleo de Jgor lembra as pinturas de Basquiat

Fechando o post do dia na mesma onda, mas numa prancha um pouco mais lúdica e romântica, vale espiar o trabalho da Calu Fontes (www.calufontes.com). O vaso de porcelana com pinturas e apliques de flores, pássaros e mandalas, dá uma deixa da nova coleção da arquiteta-ceramista-ilustradora. Calu é expert em customizar xícaras, vasos, pratos, moringas, vasilhas e o que mais a sua imaginação mandar. “Não desenho croquis, sigo adiante e deixo as linhas fluírem. Por isso, quando inicio a pintura, nunca sei como ela ficará no final”, diz.


Legenda: Vaso da ceramista Calu Fontes: “pixação” romântica e cheia de estilo

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12/05/2009 - 11:30

Pé de arte

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Se estivessem na vertical, enquadrados por uma moldura qualquer, os trabalhos de Jürgen Dahlmanns se passariam fácil por arte contemporânea. Deitadas sobre o chão, essas pseudo-telas logo denunciam o uso: são tapetes. Holandês radicado na Alemanha, formado em ciências políticas e arquitetura, o artista chegou a atuar em projetos de expressão, como o complexo cultural MuseumsQuartier, em Viena, na Áustria. Mas com 20 e poucos anos, durante uma ego-trip pelo Nepal, deu com a arte da tapeçaria tibetana e teve o insight. Diploma de um lado, sonhos do outro, correu o mundo e dissecou o assunto, até desenvolver a própria técnica.

Mantendo a tradição artesanal na confecção, mas abastecido pela força cosmopololita e vanguardista de sua Berlim, Dahlmanns desenvolveu um estudo de cores e padrões que colocam sua produção no limite entre a arte e o design, com materiais especiais (lãs e sedas de alto padrão) combinados à manufatura rústica que garante a pluraridade do conjunto e a exclusividade de cada modelo.

Não crio repetindo padrões, mas reproduzo a vida e a cor”, conta. O efeito visual passeia pelo abstracionismo, passa pelas figuras lúdicas e pelo pop, brinca com a street art e com a escrita em frases estilizadas. “Nossos tapetes são malcriados e inteligentes. A mesma combinação que admiro nas pessoas”, provoca.

Tramados no Himalaia, nó a nó, os tapetes têm um processo de produção demorado: podem levar até quatro meses cada, o que só acentua a personalidade do produto. E foi exatamente essa característica que chamou a atenção da By Kamy (www.bykamy.com), que traz com exclusividade para o Brasil as criações de Jürgen Dahlmanns, na exposição Love Stories, em cartaz até o final de julho. “Ele desenha seus croquis à mão, como se fosse uma pintura. Depois, concretiza sua forma com matérias-primas ecologicamente corretas. Tudo é tecido em ponto fino, como são os melhores tapetes orientais. O efeito final parece um desenho, mas na verdade tudo é tecido à mão”, explica Kamyar Abrarpour, que descobriu o trabalho do artista numa feira em Frankfurt, há cerca de quatro anos. “Ele é ousado e original, é alta-costura tapeceira. E é isso que nos interessa nas exposições que realizamos, como já fizemos com grandes designers como Teddy Summer ou Behrouz Kolahi”, finaliza. Enfim, arte aos seus pés.

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09/02/2009 - 17:33

Deu na Wallpaper!

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E a descoladíssima Wallpaper, bíblia das tendências fashion+arts+decor mundo afora, acaba de lançar a sua já tradicional edição com os melhores do ano.

Pela quinta temporada consecutiva, a revista inglesa abre fevereiro de 2009 com a lista dourada dos melhores de 2008, em categorias tão antagônicas que vão desde os acessórios masculinos mais batutas à melhor mobília da casa.

Por questões éticas, não posso debulhar aqui o conteúdo na íntegra, mas tomei a liberdade de arrancar algumas páginas para vocês. Dica de design-maníaco: vale a pena investir alguns dólares no seu exemplar.

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28/01/2009 - 13:36

Não fuja da arraia

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A caminho do almoço, passei em frente a Scandinavian Designs (www.scandinavia-designs.com.br) e tive que me render a um minuto de contemplação da vitrine, que tá escandalosa de linda.

Não canso de falar da loja (já escrevi uma matéria a respeito para a Vogue, outra para a Casa Vogue, mais os drops postados neste blog). Então, aqui vai mais um:

A poltrona de balanço Sting Ray, do designer dinamarquês Thomas Pedersen, é uma das coisas mais escandalosas que vi nos últimos dias. Trata-se de uma interpretação soltinha, meio fusion, de uma cadeira de balanço com uma concha, com inspiração óbvia e declarada nas arraias marinhas, aqueles animais subaquáticos que mais parecem tecidos planadores. Repare na mistura fina de design tosco por fora, macio e refinado por dentro. Não à toa, o móvel abocanhou o Red Dot Design Award, em 2008. Olha só a semelhança de formas com o bicho de verdade:

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28/10/2008 - 15:48

Bom filho…

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Oiê! Tô de volta, com uma mala de curiosidades – que ainda não tive tempo de desfazer – sobre as paradas que visitei. Aos pouquinhos, vou contar tudo para vocês… E prometo responder os coments na medida do possível!

Até lá, o desafio é assimilar o turbilhão de babados que rolaram – ou que ainda estão rolando – por aqui. Na seara das artes e do design, nosso tricô diário, tem produto novo na praça, expos maravilhosas, Karim Rashid (de novo e sempre!) e Bienal vazia (com pichação anunciada e tudo). Vou lá ver o que tem de bom para contar para vocês. Mas antes gostaria de saber o que os caros leitores deste blog, estetas do coração, acham dessa onda anarco-spray que tomou o circuito de assalto – começou nos muros da universidade, transbordou para a Choque Cultural e, agora, invadiu a maior mostra de arte contemporânea da paulicéia.
Digam lá!

Na minha mais modesta e óbvia opinião (entusiasta da street art), acho que toda manifestação artística é válida, desde que ela não interfira/agrida em obras pré-existentes e não viole o espaço alheio… Pichar o “vazio” proposto por Ivo Mesquita e Ana Paula Cohen no primeiro andar do Pavilhão da Bienal arrancou aplausos de alguns, e protestos de outros tantos. E você, o que achou? Antes de responder, se possível, leia na Ilustrada de hoje as críticas de alguns cardeais do assunto sobre o tal vazio…

Pegando o gancho – que não tem nada a ver com pichação, mas tem tudo a ver com arte de rua -, saca só a foto que fizemos lá no porto de Vólos, Grécia. É o trabalho de osgemeos transbordando fronteiras…

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16/10/2008 - 13:22

Carnet de voyage

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Alô, alô, aqui do velho continente! Sei que prometi notícias on board, mas o tempo anda mais escasso por essas bandas do que lá na redação – e olha que tenho dormido pouco! Já passei pela Grécia, pela Turquia e pelo Egito.

Colhi impressões estéticas fantásticas que divido com vocês na volta – além das traquitanas maravilhosas que levo comigo, no melhor estilo caixeiro viajante. Agora estou a caminho da Itália e, logo mais, Paris. Enquanto isso, saca só uns recortes do meu diário de bordo. Fotos by André Rodrigues.

Clássicos do Egito: Queops e a Esfinge


A nova biblioteca de Alexandria.


Baía de Lindos, Rodhes, Grécia.


Ruínas do templo de Artemis, em Kusadasi.


Chão de mosaicos em ruínas de Lindos


Vista de Makrinitsa, Vólos, Grécia


Ruínas de Ephesus, Turquia.


Tapeçaria artesanal em Kusadasi, Turquia.


Forte de Kusadasi, visto do Porto.

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05/08/2008 - 10:34

Vuitton in Japan

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Dica quente do insuperável-idolatrado-salve-salve André Rodrigues, o homem por trás do portal SPFW: o escritório de arquitetura holandês UNstudio acaba de revelar o novo conceito para a flasgship da Louis Vuitton no Japão. O local exato da epopéia arquitetônica na terra do sol nascente ainda permanece guardado a sete chaves. Mas sabe-se que a idéia da LV é transmitir, através de um edifício de 10 andares – proporções inéditas na sua história -, que a marca está com os dois pés no futuro.

De acordo com o UNstudio, os elementos tradicionais que representam os valores clássicos da Vuitton estarão presentes na construção do edifício. A parte que mais se destaca no projeto é a estrutura gigante em forma de uma planta com quatro delicadas pétalas, exatamente como visto na logomarca oficial da grife, considerada o case de iconografia mais bem sucedido da história da moda. O resto, é esperar para ver.

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04/08/2008 - 18:56

Contadoras de causos

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Linda, linda, linda e linda, Casa Vogue de agosto acaba de aterrissar nas bancas, com tudo aquilo que a gente gosta e mais um pouco – não dá para resistir a esta capa, dá?


Do balacobaco, a seleção de casas é encabeçada pela morada-ateliê de Louise Bourgeois, a escultora franco-americana famosa pelas aranhas gigantes – uma delas faz parte do acervo permamente do MAM-SP e provoca todo mundo que passa por lá (como já contei no último post, aquele sobre o Duchamp). Louise, inteiraça aos 96 anos, continua aprontando das suas – e Casa Vogue conta tudo pra você!


De Nova York para o Brasil, os outros refúgios escalados dão conta do estilo que mais faz a minha cabeça: o “cada um na sua”. Casas com as digitais dos donos do pedaço, carregadas de personalidade e conteúdo, fazem jus ao título da edição: “Contadoras de histórias”, ensinando, inspirando, dando os ombros para efemeridades…


Tem também um caldeirão fervilhante com tudo para bombar a sua cozinha; uma compilação com as boas novidades do design internacional; o melhor das artes e antiguidades do Carré Rive Gauche e um montão de outros motivos para devorar a revista de uma vez – ou deixá-la por perto para quando bater aquela vontadezinha de folhear um bombocado recheado de coisas boas.


E o post de hoje vai em homenagem à minha avó, que tá soprando 80 velinhas! Salve Dona Adelaide! =)

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01/08/2008 - 17:21

Comédia da vida privada

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Parque do Ibirapuera, sexta-feira ensolarada, julho de 2008. Transeuntes sarados (ou tentando chegar lá) em vai-e-vem, a pé, a bordo de bikes, skates, patins, patinetes e i-pods, cantarolam as modinhas da vez. Algazarra da molecada aproveitando o final das férias julinas na “praia do paulistano”. Banhistas do concreto passeiam com seus pets e alimentam os cisnes do lago (pobres penosas) com pipoca na groselha e salgadinhos de isopor – tão cruel para o fígado dos pobrezinhos quanto entubar o ganso para fazer foie gras.


Cruzamos a cena, alienígenas àquele contexto (eu + Ana Lúcia Arruda, minha jornalista- pupila, e Tamara Emy, arteira em fuga). É a segunda vez que baixo no Ibira este mês, em pleno horário comercial – a primeira foi semana passada, para o Primeiro Fórum Internacional de Blogueiros que rolou lá no Planetário, sob a batuta do Marcelo Tas.


Cruzamos a linha de chegada do Museu de Arte Moderna de São Paulo, razão motriz da nossa escapada da redação. Diante da vitrine onde pousa a aranha gigante da escultora francesa Louise Bourgeois, um grupo atônito discute: “Se esse ‘troço’ estivesse na rua, alguém teria coragem de chamá-lo de arte?”. Disfarçando a minha bisbilhotice, presto atenção ao comentário e entro incomodado na expo “Marcel Duchamp: uma obra de arte que não é uma obra de arte”.

Quando o MAM (www.mam.org.br) abriu as portas, 60 anos atrás, Ciccillo Matarazzo, seu mecenas, recebeu uma carta de próprio punho de Duchamp, oferecendo uma mostra inaugural. Se na época a coisa não vingou (juro que não consegui identificar o motivo), hoje, quando o MAM completa 60 anos, o artista franco-americano ganha sua primeira individual na América Latina.
No começo do século 20, Duchamp atirou latrina abaixo (literalmente) o conceito formal da arte, refutando a idéia do mero prazer estético com “ready-mades” armados em rodas de bicicleta, vasos-sanitários e outros objetos ordinários. Essa subversão, que fazia a cabeça de surrealistas como André Breton, grande entusiasta de Duchamp, provocava uma única questão: “Pode alguém fazer uma obra que não seja arte?”. Com isso, ele negou a idéia de que a industrialização e a tecnologia seriam responsáveis pelo desenvolvimento e evolução da humanidade. As 120 obras em cartaz no MAM são, em sua maioria, réplicas, já que boa parte dos originais foi atirada ao lixo pela irmã do sujeito, para quem aquilo não passava de “sucata”. Talvez por isso, quarenta anos após a morte do mestre da contestação que abriu alas para outros transgressores como Madame Bourgeois, seu legado continue estimulando controvérsia na porta do museu.


Volto para o trabalho me sentindo meio ignóbil (feito aquele grupo da entrada), com um tanto de culpa, me perguntando se eu não estou sendo tão algoz da expressão artística não convencional quanto a mana do Duchamp. Explico. Já contei aqui que tô ajudando a minha mãe no extreame makeover da casa dela, né? Mama, que por um lado é a pessoa mais generosa do mundo, ao ponto de tirar a roupa do próprio corpo para doá-la ao primeiro friorento que surgir na frente dela, por outro, tem um apego quase patológico com as coisas da casa. Guarda de tudo um pouco e um pouco de tudo: de vidrinhos de maionese à jornais velhos (muito velhos), passando pelos potes de sorvete (que, para ela, são tupewares de primeiríssima) e pelas máquinas de costura quebradas (detalhe: ela não costura). Nesse processo todo, o mais desgastante para este pobre coitado que vos escreve, além de lidar com os mandos e desmandos de sua excelência o pedreiro (um dia você ainda vai enfrentar um), é convencê-la a se livrar de certas coisas, a dissolver o acúmulo. Imagine que, para o meu total desespero, ela tentou reciclar uma privada à moda de Duchamp, instalando ali (pasme!) uma viçosa e rechonchuda samambaia, tipo um eco-vaso-sanitário-cenográfico.


Até deu vontade de levá-la ao MAM, mas seria como aumentar a força bélica do inimigo: já pensou no tanto de idéias que a Dona Nely teria a partir das viagens engenhosas deste gênio da subversão? Melhor evitar…

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