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31/08/2010 - 20:25

Acrichic

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Mais de dez anos atrás, fui apresentado à bacanuda designer Maria Francisco (filha da engraçadíssima e inesquecível Nair Bello). Estilosa até o tutano, Maria sabe das coisas. Pupila de Costanza Pascolato num passado distante, essa paulista com molho carioca tem uma maneira inacreditável de lidar com acrílico, a matéria-prima matriz de sua marca Maria Bello. A nova coleção, Fabric Forever, acentua o interesse da esteta pelo universo fashion. “Quero eternizar estampas de coleções passadas de diferentes estilistas. Meu amigo Reinaldo Lourenço é o primeiro da lista”, contou-me ela ao telefone.

A técnica é a mesma: incorporar tecidos em chapas de acrílico, produzindo luminárias, abajures, pendentes, mesas laterais, bandejas, caixas, braceletes, pufes e tecidos emoldurados. Tudo divino e maravilhoso!

Bello Garagem
Rua Cônego Eugênio Leite, 170 C
Tel. 11 2638-7982

Autor: - Categoria(s): Design Tags: ,
19/05/2010 - 14:59

Mais que nada

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E Tokujin tá com tudo e não tá prosa. Muito além das subversões contemporâneas de muito conceito, baita impacto e pouca assimilação, o designer japonês também manda muitíssimo bem quando resolve fazer algo convencionalmente bonito – se é que existe algo universalmente belo, já que a estética é a coisa mais subjetiva que eu conheço. Sua nova coleção de acrílicos (sou apaixonado pelo material, vocês sabem), composta por poltronas, sofás, mesas, bancos e cadeiras, é de uma chiqueria sem fim. Com linhas retas puríssimas que quase desaparecem no horizonte do living, as peças impressionam pela espessura do material, usado aqui em blocos maciços que marcam território pela solidez absurda, compondo um look paradoxalmente rígido, forte e levíssimo. É tudo. Ou nada, dependendo do seu ponto de vista. Com exclusividade para a Kartell.

+ www.kartell.com

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24/02/2010 - 11:26

Nova Era Glacial

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E a vida continua. Preciso de pouco, muito pouco, pra me divertir. E sou mais vira-lata do que cachorro sem dono quando o assunto é “vamos mudar a cara da casa já!”.

Fiquei em estado de choque quando vi essa e-s-p-e-t-a-c-u-l-a-r linha de stools que o Fabrizio Rollo pinçou em suas últimas caçadas europeias. Dá vontade de penhorar todos os bens que eu nem tenho ainda para comprar um par deles.

verre-acrylique-bleu-nature

Imersos em massa densa de acrílico, tipo ice cube, os gravetos ganham look futurista, como se tivessem sobrevivido a uma nova Era glacial – é a simbiose perfeita entre alta tecnologia e pureza orgânica. Fabricados pela francesa Bleu Nature (a mesma empresa bambambã daquelas luminárias maravilhosas pelas quais eu me derreti em elogios exatamente um ano atrás, clique aqui para ver), eles custam os olhos da cara e ainda não têm previsão de aportar em terras brasilis.

Se você gostou, vai precisar de duas balas na agulha: uma para arrematar a peça, outra para bancar o frete. Procure na www.bleunature.com

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15/06/2009 - 20:26

A insustentável leveza do ser

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Há quem torça o nariz para ele, mas o acrílico é um dos meus materiais prediletos no décor, em suas mais diferentes materializações. Em casa, tenho um bocado delas, desde uns copos baratinhos de bar da TokStok, passando por uma luminária risca-de-giz do Marton e um par de cadeiras Arne Jacobsen, entre outras transparências que curto combinar com madeira e afins, para quebrar o gelo.

E para quem duvida do pedigree da matéria-prima, um breve histórico: descoberto pelo Dr. Otto Roehm, em 1901, o acrílico pertence ao grupo das resinas metacrílicas. Trata-se de um elemento termoplástico, proveniente do petróleo, só que com muito mais transparência e rigidez do que o plástico, seu primo mais pobre.

Pela flexibilidade nos processos de fundição e pela solidez pós-produção, ele é uma das figuras mais versáteis do mercado, com durabilidade incrível – mesmo exposto ao tempo, o acrílico é dez vezes mais resistente do que o vidro, por exemplo, o que derruba o mito de fragilidade, salvo nos casos de espessuras muito finas. Claro que você não precisa montar em cima (ele pode envergar com o peso e craquelar por dentro) e nem esfregar uma palha de aço na superfície (risca fácil-fácil), mas, no geral, a manutenção não é onerosa.

Outra adversidade: acrílico, geralmente, custa caro. Mas, para quem gosta, o investimento vale muito, já que é peça para a vida toda. Embora hoje já seja considerado um clássico do décor, ele ainda carrega o status de material vanguardista, fazendo a cabeça dos modernos. Na década de 30, por exemplo, a chiquérrima Helena Rubinstein fez história com aquela sala de jantar deslumbrante, com mesas e cadeiras no melhor estilo Cinderela, bancando o efeito cristal. Mais tarde, nos 60s, as opções coloridas surgiram num boom explosivo pré-psicodelia, pasteurizado à exaustão nos 70s, depois esquecido por uns tempos, e resgatado com vigor pela indústria do design nas décadas seguintes.

O meu objeto de desejo da vez tá aí em cima: o móvel Gisela, do Wagner Archela (www.wagnerarchela.com.br), mago do acrílico que descobri há algum tempo e venho acompanhando de perto, com entusiasmo. Com espelho acoplado, ela pode ser usada como penteadeira, mas eu mandaria ver num portentoso aparador-bar, com umas garrafas vintage em cima ­ outro dia um famoso decorador disse que não tem nada mais cafona do que barŠ Então, acho que sou cafona, porquê eu não abro mão de uma bandejinha messsssssmo!

Repare como o shape clássico da peça ganha look oxigenado com a estrutura acrílica, em efeito retro-futurista. Aliás, reside aí uma das suas grandes vantagens: acrílico não envelhece jamais!

De volta ao Wagner (todas essas peças levam a sua assinatura), curto o seu trabalho tanto pela criatividade quanto por reconhecer a dificuldade operacional do acrílico. Seu manuseio exige espertise e tecnologia muito específicos, somados a um senso apurado de design ­ não é qualquer forma que cai bem em silhueta acrílica, considerando fatores como ergonomia, viabilidade técnica e afins.

Menino da italianíssima Mooca, o flerte de Archela com o material começou ao acaso. Engenheiro por formação e músico por vocação, Wagner cresceu influenciado pelo mix cultural e pelo perfil industrial do bairro. “A Mooca era repleta de pequenas metalúrgicas, marcenarias, estamparias, fábricas de roupas… A molecada vivia brincando dentro e ao redor das oficinas. Se a gente queria um brinquedo, descolava uns parafusos gigantes, rolimãs e peças de carro nas oficinas; depois, escolhia os caibros e retalhos de compensado nas fábricas de móveis e saíamos pela rua montando nossos brinquedos… aquele ambiente era incrível, muito criativo“, conta.

Wagner tocou por 10 anos no legendário Bourbon Street (casa que eu amo e que vialibizou muitas das entrevistas mais preciosas do meu portfólio, como B.B. King, Ibrahim Ferrer e Mary Wilson, das Supremes). Essa experiência na noite talvez tenha ajudado-o a equalizar poesia e função, o etéreo com a realização concreta, desde a primeira ciração em acrílico: uma série de vasos feitos a partir das chapas de um antigo aquário.

De lá para cá, Wagner tem feito sucesso em ferias internacionais, mostras e publicações em geral. Mas ele está só começando…

Um dos principais nichos do design em Sampa, a Forma (www.forma.com.br) ­ que, ao que tudo indica, vai mudar de endereço, deixando o tradicional prédio da Cidade Jardim para uma segunda marca, a c.o.d ­ montou uma vitrine com os grandes nomes do design contemporâneo made in Brasil. Claro que Archela está, merecidamente, entre eles.

Que o legado do acrílico – e do Wagner – continuem, leves, translúcidos e para toda a vida!

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