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04/04/2010 - 21:47

Uma casinha em Springfield

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Acabo de colocar no meu carrinho da Amazon o box com a 20ª temporada de “Os Simpsons”. Mesmo passando a barreira dos 30, continuo amarradão na série animada que Matt Groening criou 20 anos atrás para escandalizar os costumes norteamericanos com o que havia de mais politicamente incorreto na ocasião.

Eram os anos 90 e o mundo assistia de camarote à franca expansão da democracia, o colapso da União Soviética, a Guerra do Golfo, o clone de Dolly, o fim do Apartheid e a eleição de Mandela na África do Sul. Também se começava a sentir na pele os efeitos deliciosamente devastadores da globalização (como viver sem ela, hoje em dia?) que tomaria o planeta de assalto nos anos seguintes, com a popularização dos PCs pessoais e da internet. No Brasil, Collor assombrava a classe média com o fisco das poupanças e a gente temperava a macarronada de domingo com “The Simpsons”, exibido originalmente aqui pela Globo – àquela época, campeão absoluto de audiência.

Fundamentais na formação cultural de qualquer aborrecente plugado na cena pop, Bart e cia influenciaram não apenas a nossa forma de ver e lidar com o humor, mas nos nutriram de um entendimento nada distorcido (embora über ácido) da sociedade contemporânea na maior potência econômica mundial do planeta. E a gente se via ali, espelhados neles, já que, colonizados que somos, aprendemos a assimilar muito rápido tudo o que vem de fora – não que seja algo do qual devamos nos orgulhar. Mas que é assim, ah, é!

No balanço das horas, entre animês japas, blockbusters em 3D e uma enxurrada de cartoons cult, vieram evoluções mais apimentadas em animação, como South Park, Futurama (do próprio Groening), Family Guy e afins. Demodê ou não, continuo com o bom e velho Simpsons e sua maneira de sacanear a si próprios tanto quanto aos outros – incluindo arquitetos e decoretes famosos.

A casa da família, por exemplo, decorada por Margie Simpson à moda pastiche que faz a cabeça dos Yankees (quem nunca reparou na cortina estampada com espigas de milho da cozinha?), é um retrato do lifestyle da terra de Obama. No dia da mentira, entre imagens icônicas do desenho animado e a minha caricatura simpsoniana, colo aqui a planta da toca de Homer e um take do episódio engraçadíssimo onde o arquiteto canadense Frank Gehry (nem ele escapou!) baixa para dar um sopro de vanguarda no urbanismo careta de Springfield. O resto, você vê na Fox!

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06/08/2009 - 11:53

A rosa de Hiroshima

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Há exatos 64 invernos, em 6 de agosto de 1945, a humanidade escrevia um dos seus piores capítulos: a Segunda Guerra Mundial. Naquele ano, a ferida viva do Holocausto pulsava na civilização ocidental – levemente suturada pelo suicídio do ditador-anti-cristo Adolf Hitler, em abril –, quando o mundo testemunhou, estarrecido, outra atrocidade: a bomba atômica que os Estados Unidos lançaram sobre  Hiroshima. Ali, mais de 100 mil pessoas foram varridas do mapa sem tempo de entender como e porquê – a maioria delas, camponeses indefesos, já que a cidade foi escolhida justamente por ser alheia aos armamentos e absolutamente vulnerável, recolhida entre os vales. Três dias mais tarde, um novo bombardeio em outro alvo interiorano, Nagasaki, ceifou a vida de mais de 70 mil inocentes, confirmando a eficiência demoníaca da tecnologia bélica detonada pelo presidente americano em exercício, Harry S. Truman. Na ocasião, o físico J. Robert Oppenheimer, que comandou a equipe de cientistas e engenheiros responsáveis pelo artefato, declarou: “Eu me tornei a Morte, um destruidor de mundos”. Mesmo arrependido, sua conta foi entregue: morreu de câncer 3 anos depois dos atentados.

Os EUA venceram. E Hiroshima e Nagasaki ainda sentem na pele os traumas do ataque (literalmente, já que a radiotividade nuclear imprimiu rastros que atravessaram as décadas).

O Japão, hoje uma das nações mais pacifistas do mundo, também se tornou a segunda maior potência econômica do globo. O planeta inteiro olha para ele.

Muito além da cultura zen, tecnologia de ponta, artes marciais, inspiração purista, jardins simétricos e filosofias milenares, origamis e sushis, macarrões instantâneos e karaokês, a terra do sol nascente exportou para o mundo talentos fantásticos na arquitetura, no design e nas artes. No dia em que o país lembra um dos seus momentos mais dramáticos, fazemos aqui um registro, em forma, cor e volume, de alguns herois da estética nipônica para a casa no século 20.


Croqui do arquiteto Tadao Ando para o Centro de Arte Contemporânea de Venice


Gaveterio relovucionário que o designer Shiro Kuramata desenhou para a Cappellini, nos anos 90.


Sofá, mesa de centro e luminária do escultor, arquiteto e designer  Isamu Noguchi, produzidas entre as décadas de 60 e 70


Pintura coloridíssima de Takashi Murakami, um dos responsáveis pelo status de arte  dos toys, referências de rua e HQs / Cadeiras de madeira e papel reciclado de Shigeru Ban, do final da década de 90

Saideira com uma das canções mais cults da MPB, imortalizada pelo divo Ney Matogrosso, lá nos anais do Secos e Molhados:

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Décor, Design Tags: , , , , , , ,
29/07/2009 - 14:22

Decodificado

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Hoje fui lá na COD (Creative Original Design), a loja que ocupa aquele prédio classudão projetado por Paulo Mendes da Rocha na avenida Cidade Jardim, onde a Forma fez e aconteceu nos últimos 50 anos. Sim, o endereço continua lindo – e bem cuidado –  nas mãos da nova marca, incluindo no que se refere a demanda com selo Made in Brazil, como as criações descoladas do Wagner Archela – o cara que me levou lá para apresentar o esquema, inclusive. Enquanto não mostro as últimas do Archela, separei duas peças especiais do Pedro Useche.

A primeira é este carrinho de chá simplérrimo  (exatamente por isso, ultra-elegante), que borrifa um sopro de modernidade sobre uma forma já clássica, de apelo bem brasuca.

O cabideiro, também compatriota, faz menção honrosa às natureza com seu jeitão de galho seco (ou seria uma antena das civilizações pré-tv a cabo?) . Seja lá o que for, a peça se enquadra  no último grito do design, que pede simbiose entre mimetismo + look alienígena (aguarde post sobre o tema amanhã).

Grande vitrine  do design internacional (a COD representa as formas e volumes insuspeitos da Teperman, Rolf Benz e Herman Miller), a nova loja também destaca a porção designer de Oscar Niemeyer. Aquela chaise deslumbrante de madeira e palhinha (um dia ainda terei uma!), é um dos high-lights do espaço.  www.codbr.com

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Décor, Design Tags: , , , , , ,
24/07/2009 - 14:56

Muxarabi

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Aparador Xadrez, Maria Cândida Machado para a Interni

Dica para refrescar o décor – e a cuca: mais do que as transparências, as superfícies vazadas são o máximo da leveza na decoração – desde as palhinhas dos anos dourados aos rabiscos do último grito do design. Por mais pesado que seja o material (ferro, aço, madeira ou coisa que o valha), esse efeito oxigena o look e ajuda a equilibrar as combinações.


Cena do quarto do refúgio ventiladíssimo projetado por Isay Weinfeld no litoral paulista

Falo por experiência própria: lá em casa, por exemplo, onde o aproveitamento de cada centímetro cúbico vale ouro (o apê é uma lata de atum, como vocês sabem), meu set de cadeiras Bertoia funciona como nenhum outro, fazendo o espaço, apertado, fluir melhor. Ali consigo até inserir elementos mais sólidos, de shape denso, como um banquinho brutalista de Hugo França, sem embates – só não dá para abusar muito para não comprometer a circulação.


Dois takes registram a versão do muxarabi contemporâneo de Weinfeld na casa de praia

Mas o mote inspirador do post veio da arquitetura: há dois anos, publicamos na Casa Vogue um refúgio de praia fabuloso, em Iporanga (Guarujá, litoral norte de Sampa), assinado pelo Isay Weinfeld (na minha modesta opinião, o melhor projeto residencial traçado por ele nos últimos anos). Observe como o Isay equilibra as linhas retas e puras do desenho com o sotaque étnico dos muxarabis (treliça característica da arquitetura moura, de grande identidade estética e uso estratégico: possibilita ver sem ser visto, como pede o estilo low profile das mulheres árabes).


Da esquerda para a direita: cadeira Pantosh, da Lattog; poltrona de Aristeu Pires; chaise Rodolfo Dordoni para a Atrium; poltrona Espaço Casa; banquetas Reinhad Dienes

Mais conceitual ainda (e exótica) é a casa japonesa dos arquitetos Masahiro & Mao Harada, batizada de “Sakura House” (ou “Casa Cereja”). Totalmente de vidro, a morada recebeu, para efeitos de proteção, uma segunda pele de aço inoxidável, composta por painéis furados sistematicamente com desenhos que simulam as folhas da cerejeira, símbolo nipônico de prosperidade. O visual modernex traz mais do que apelo vanguardista: a casa é absolutamente ventilada e iluminada, mesmo estrangulada pelo terreno minúsculo (uma realidade em Tóquio).


No alto, chaise Spine, de André Dubrevil; à esquerda, poltrna de Estevão Toledo e mesa de Ferrucio Laviani, Montenapoleone

Sean Godsell, um dos papas da arquitetura contemporânea, assina a Glenburn House, incrustada no alto de um morro no vale do rio Yarra, uma das mais belas regiões da Austrália, entre florestas de eucaliptos, vinhedos e fazendas. Toda ripadinha, a casa se estende pela paisagem quase como um código de barras. A construção é uma investigação profunda da ideia de varanda como espaço fluido, com jogos de filtros e sombras. Genial!


Day bed étnica Indoasia; estante Freecell; cadeira Bertoia e mesa de centro Linea

Na pegada “ventilada” dos muxarabis das mil e uma noites, dos furinhos orientais e das ripas australianas, armei (junto com a Paula Queiroz, jornalista e produtora cheia de gás – e talento) uma seleção de mobília vazadinha que funciona como coringão em qualquer canto – e combina com qualquer estilo de décor. Tem de tudo um pouco e um pouco de tudo: das Bertoias da minha sala de jantar (aqui também em versão Diamond) à cereja do bolo do design italiano – garimpado na Montenapoleone e na Atrium –, dos traços tétricos de Konstantin Grcic, via Micasa, às linhas bem esticadas dos nosso Aristeu Pires e Estevão Toledo. Tudo para a sua casa respirar melhor! Oxigênio já!


Aparador Claudio Bambrilla, Montenapoleone


Seleção pinçada na Artefacto: mesa lateral e chaise Karim Rashid; poltrona Pigalle, do filipino Kenneth Cobonpue


Casa projetada por Sean Godsell na Austrália


Cadeira de Jum Hashimoto; cadeira de Konstantin Grcic; poltrona Toque da Casa; cadeira de Patrick Jouin; Bertoia em versão Diamond


Cadeira de raquete de tênis by Punga & Smith; cadeira plahinha Velha Bahia; cadeira Clarissa, Toque da Casa; poltrona de tiras versao clara, Toque da Casa; poltrona Armando Cerello


Cadeira Artefacto Beach & Country; versão de cadeira Konstantin Grcic com pés de inox; banquetas ripadas Abitare; mesa de apoio Catallogo e gardean seat Artefacto Basic


Fachada da Sakura House, no Japão


Estofados B&B Italia, Atrium; cadeira Baber; sofá Shiro Kuramata

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Décor, Design Tags: , , ,
14/07/2009 - 21:27

Subindo pelas paredes

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E lá no Rio a arte está, literalmente, subindo pelas paredes. Projeto da Galeria A Gentil Carioca (www.agentilcarioca.com.br) convida um time de artistas para, cada qual à sua maneira, produzir uma instalação outdoor na parede lateral do prédio, em pleno centrão do Rio. A cada edição (que dura em média quatro meses), um nome quente da cena contemporânea leva para a rua esta ação que propõe democratizar a arte e incentivar o interesse da população. Entre pinturas, grafites e performances instigantes, nomes como Dane Mitchell, Guga Ferraz e Carlos Garaicoa já passaram por lá com obras pouco convencionais que transformam a paisagem urbana.

Inquilinos da vez, os irmãos Tiago e Gabriel Primo radicalizaram ao ponto de ganhar reportagem internacional na Reuters de hoje (clique aqui para ler a matéria original)

Imagine que os big brothers ignoraram o limite vertical do paredão para simular uma casa ao ar livre, brincando com a estética da dos realitys shows, do urbanismo desenfreado e da decoração kitsch (a produção inclui rede, cama, escrivaninha, espreguiçadeiras e até um gramofone: tudo chumbado para garantir o trânsito dos homens-aranha).

Faça chuva ou faço sol, a instalação nunca fica vazia: quando um deles precisa ir ao banheiro, por exemplo, o outro fica de prontidão, para deleite dos voyers de ocasião.

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01/07/2009 - 23:09

O veneno antimonotonia de Rosenbaum

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Em sua carreira meteórica, Jean Michel Basquiat conseguiu um feito e tanto: pixou seu nome com letras garrafais no muro da contracultura norte-americana, nos coloridos anos 80 (quando quase toda a subversão setentista já havia ecoado pelos quatro cantos do planeta). Gênio precoce, badalado e festejado aos 19 anos, morreria pouco mais tarde, aos 27, depois de uma vida de glam e excessos, regada a sexo, drogas, grafitti e rock’n roll. Basquiat namorou Madonna, foi amigo de Andy Warhol e teve muito mais do que quinze minutos de fama: sua marca ficaria impressa para sempre no circuito, como uma das figuras mais originais da arte contemporânea.

Quando nos sentamos para bolar o conteúdo da já tradicional edição de arte de Casa Vogue, nossa diretora Clarissa Schneider teve o insight: “Vamos convidar Marcelo Rosenbaum para interpretar um ambiente à Basquiat”. Bingo! Ninguém melhor do que ele para encarar o desafio. Sou fã número um do Rosebambambã por vários motivos: ele tem uma verve criativa cheia de gás; inventa moda sem nenhuma pretensão; converte o ordinário em extraordinário num piscar de olhos; é moderno até o tutano sem dar as costas para a cultura popular brasileira; é pop porque fala com a elite e com o povão com um carisma infinito; não segue padrões convencionais e subverte a estética o quanto pode, sempre que pode, entre outros adjetivos. Mas o que mais me surpreende em seu trabalho é a entrega absoluta. Com um briefing nas mãos e a liberdade de sempre na cuca, Marcelo inventou um Basquiat tão legítimo que podemos sentí-lo no espaço – tipo loft nova-iorquino, total 80s. Fui lá acompanhar tudo de perto, boquiaberto com a mistura fina: o grafite, a street art, os pneus empilhados, os móveis de design, os tribalismos, as projeções em video, a fusão luxo-lixo… Sem falar no look new-wave com direito a Louboutin-agulha-vermelho-vertiginoso onde a modelo Isabella Melo (adoro esse link fashion-decorex) tentava se equilibrar fazendo a linha “musa de Basquiat”, produzida pelas poderosas Verena Bonzo e Jéssica Juliani.

Sempre faço questão de assinar os textos que publicamos sobre o Marcelo em Casa Vogue. Mas, desta vez, justamente buscando um distanciamento mais crítico (e talvez menos inflamado), encomendei o feito a um dos nossos colaboradores prediletos, o Sergio Zobaran, que chegou chegando no título: “Vida louca vida.” Para te deixar com água na boca e fazer você sair correndo agora até a banca mais próxima buscar a sua revista predileta com a superprodução de Rosebambambã na íntegra, antecipo aqui alguns registros do Romulo Fialdini (outro de nossos colaboradores prediletos) e uma impressão zobaraniana (não menos empolgada do que a minha):

O Marcelo Rosenbaum não produz apenas lares, doces lares na TV. Como anda muito global, e lá dizem que ‘quem sabe faz ao vivo’, ele montou, para este especial de julho da Casa Vogue, um editorial sensacional: um real loft novaiorquino (um ambiente só, pédireito alto and so on) em homenagem ao Basquiat – em pleno bairro de Pinheiros, SP. Mais precisamente em seu genial escritório-galpão, uma antiga gráfica. E lá fui eu estudar a vida deste artista plástico muito louco que era o norteamericano Jean-Michel Basquiat (claro que, na minha pesquisa além-google, li que era haitiano, e por aí vai… mas haitiano era o pai, daí o nome francês!), antes de entrevistar o Rosenbaum, que já conhecia desde os tempos politicamente incorretos em que assinou um fumoir para a Casa Cor, idos de 2003. A produção incrível desta sofisticadíssima toca foi de parte a parte: no nosso time, um aparato com direito a stylist, produtora e assistente, beauty maker & assistant, fotógrafo, modelo magérrima-cabelão-lata de spray na mão, diretora de redação, editor-chefe (os meus chefinhos), e eu, o repórter… No coletivo dele, uma penca de designers, artistas e produtores modernos e antenados também (people like us). Resultado: o fera Basquiat, que só viveu 27 anos, entre 1960 e 1988, ganhou um ambiente incrível e a cara dele, por tudo que li e vi no livro que o Wair de Paula me emprestou (e seu trabalho me fez lembrar mais uma vez de Alex Vallaury, Leonilson e Jadir Freire, entre outros tantos pós e contemporâneos dele, grafiteiros ou não), e pelos móveis, obras de arte e objetos selecionados a dedo para compor o décor – em que dá vontade de ficar pra sempre. A inspiração do texto, além de tudo de bacana à nossa frente, foram as músicas de época do Cazuza, anos 80 na veia. Afinal, além de tudo (grafites e heroínas como Madonna em sua cama), nosso herói morreu de overdose, como outros da letra J da vez: Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin. A vida foi breve, as marcas para sempre. Só não passe a perceber Basquiat em tudo o que agora vê por aí. Garanto: tem tudo a ver, sim, com o que vemos/vivemos hoje – só que de forma mais mainstream. Mas estes sintomas passam em um mês. A matéria fica: linda e ali registrada na Casa Vogue. Aprecie com moderação…

Atenção: a capa que eu colei acima não é a que está nas bancas – escolher capa é um trabalho complicado: colocamos mil opções na frente, consultamos gregos e troianos, votamos e estudamos os prós e contras de cada uma delas, antes de determinar a eleita em si. Mas acho esse estudo tão genial, mas tão genial, que quis dividir com vocês. Clarissa teve a ideia do spray na mão da modelo garfitando o logo, e acrescentou o arranjo de flores de plástico à produção de Rosenbaum; Zé Renato entrou com o recorte e com o “A” estilizado da “Anarquia”. Romulo e Marcelo dirigiram a top com toda a ginga. Demais, não?

Para fechar o post no melhor estilo “Vida louca, vida breve”, escolhi um flashback do balacobaco. Clarissa e eu comentávamos agorinha, que nada mais Basquiat na música brasileira do que Cazuza. Zobaran fecha no discurso. Àqueles que, como eu, cresceram nos 80s, um salve com uma das frases mais definitivas (e suicidas) da nossa poesia-pop-cantada: “vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”:

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17/06/2009 - 18:00

In casa com os Stones

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Li na Ilustrada de ontem uma entrevista que o jornalista Ivan Finotti fez com o fotógrafo dinamarquês Bent Rej, que acompanhou a primeira turnê dos Stones, em 1965, após o boom do hit “Satisfaction”, porta de acesso da banda à estratosfera do rock. Rej registrou essas imagens antológicas no livro “Rolling Stones – O Começo”, lançamento da Larousse (www.larousse.com.br) que traz, entre muitas pérolas de bastidores, pequenos drops do life style dos garotos ingleses tão logo eles compraram suas primeiras casas. “Mostrá-los como pessoas normais foi inédito na época”, contou Rej à Finotti. “Roqueiros eram como deuses e sua vida privada era secreta. Eu até hoje não sei como eles me deixaram fazê-lo”. Clique aqui para ler a reportagem completa.

Óbvio que, quando se pensa nos Stones, a primeira coisa que vem à cabeça é a tríade sexo + drogas + rock’n roll, com direito a quebra-quebra de suítes presidenciais e móveis atirados do 20º andar de hotéis luxuosos – como a tchurma do heavy metal imitaria nas décadas seguintes.

Mas, mesmo desconfiando da pose angelical dos rapazes nessas ambientações bem-comportadas, o documento tem seus méritos. Além de valer pela curiosidade de espiar pela fechadura no melhor estilo “como viviam os ricos e famosos nos anos dourados”, o book mostra no pano de fundo um estilo neo-inglês de morar nos anos 60s, longe da sisudez classuda e das flores da Rainha, com móveis mais limpos (boa parte deles dinamarqueses), de desenho esguio, linhas retas, pés palito, tons sóbrios com cores pontuais aqui e ali. Um visual moderno, de fato, no compasso do iê-iê-iê e da cabeleira de Mick Jagger & cia.

Entre os episódios mais pitorescos, Rej contou um exemplo do quanto a vida imita a arte, por mais fake que a tal “arte” tenha sido na ocasião: “Keith Richards não tinha uma casa, ele morava com os pais. Então, reservamos uma suíte no Hilton Hyde Park e fingimos que ele vivia ali. Mas Richards gostou tanto que resolveu ficar de verdade. E morou lá durante alguns meses, o que fez a nossa história virar autêntica”.

Descortinando o fog londrino para a saideira, direto do meu baú oitentista, separei um momento “sobe o som” com a über-diva Aretha Franklin (neste clipe, aparentemente recém-saída de uma tela de Andy Warhol – aliás, foi o próprio papa da pop art quem assinou a capa de um dos álbuns mais blockbusters de Aretha, em 1986), aqui duelando com o Keith Richards (o stone sem-teto que se instalou no hotel-locação) e sua guitarra nervosa. Para arrematar, Whoopi Goldberg brincando de “Os Trapalhões” na Sessão da Tarde – aliás, a cena foi extraída de um filme pastelão dela. Mas a música é um clássico dos Stones: “Jumping Jack Flash”! Yeah, Yeah, Yeah…

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Décor Tags: , , , ,
02/06/2009 - 11:15

Decora Brasil

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Sob o tema da “Sustentabilidade”, a Casa Cor São Paulo 2009 recebe os visitantes com um jardim suspenso em homenagem ao pintor e paisagista Burle Marx. No detalhe, uma frase célebre do artista: “Gostaria que os que viessem depois de mim, pudessem ao menos ver alguma coisa que lembrasse o país fabuloso que é o Brasil, do ponto de vista botânico, dono da flora mais rica do mundo”.

E sábado retrasado (23/05) rolou o brunch de imprensa da Casa Cor São Paulo. E lá fomos nós, cheios de boa vontade – apesar do despreparo da assessoria de imprensa para conosco, jornalistas bem intencionados (e ocupadérrimos) que se propõem a dedicar uma manhã inteira do precioso final de semana para cobrir um evento cuja única razão de existir é justamente crescer e aparecer (primeiro para a mídia, que se encarrega de reportar aquilo que absorve para o mundo). Mágoas à parte, esta foi a minha única ressalva quanto à organização, que pareceu bem mais funcional.

O grande barato fica por conta da sustentabilidade, que virou prerrogativa básica em todos os espaços. Nada mais cafona e demodê do que trabalhar com madeira não certificada ou qualquer outro material que agrida o nosso tão sofrido meio ambiente. Ponto para o time! Alguns participantes vão bem longe no look in natura. O jardim vertical da paisagista Gica Mesiara, na entrada principal, é um luxo, por exemplo.

Conceitualmente, em geral, vê-se mais do mesmo. A diferença é que as alamedas estão ainda mais extensas, já que são 110 ambientes disputando a sua atenção nesta 23ª edição. Outras duas mostras simultâneas, Casa Hotel e Casa Kids, dilatam o roteiro.

A maratona cansa um pouco – mesmo os aficionados por décor, como é o caso da minha tchurminha. Pelo caminho, a gente confabula um bocado: “puxa, esse quase acertou”, “aquele errou feio”, “teria um ambiente assim”, “não teria aquele de jeito nenhum”, “nossa, que tipo de pessoa moraria nessa casa?”. Mas apesar da liberdade opinativa que tenho neste blog, acho extremamente deselegante gongar qualquer um dos trabalhos apresentados. Os caras ralam um bocado para participar da Casa Cor. Investem tempo, dinheiro, sangue, suor e paixão naquela vitrine que, muitas vezes, pode determinar o êxito da sua agenda profissional pelos próximos anos. Fato: Casa Cor é projeção – e das grandes. Partindo dessa premissa, não vale apontar aquilo que, para mim, é um equívoco estético (e que pode não ser para você). O mercado está aí, democrático, com lugar para todo mundo – logo, cada qual com a sua demanda! E gosto é a coisa mais subjetiva do planeta, seja ele estético, gastronômico, musical ou sexual – pronto: falei!

Apesar da lacuna deixada pela ausência de tops como Sig Bergamin, Marcelo Rosenbaum, Roberto Migotto, Esther Giobbi e Fabrizio Rollo (que arrasou na sua estreia na edição passada), tive boas surpresas por lá, ainda segundo o meu radar pessoal e intransferível. E dessas, faço questão de destacar algumas, com comentários – confira o top 10 que fiz para o site www.spfw.com.br


Gica Mesiara – Paisagismo do Foyer de Entrada


Francisco Cálio – Sala de Jantar – Apartamento


Fernando Piva – Apartamento do Solteiro


Dado Castelo Branco – Bangalô


William Maluf – Home Theater Casa


Fernanda Marques – Loft


João Armentano – Fuori Cittá


Debora Aguiar – Refúgio do Velejador


Arthur Casas – Cabana do Xamã


Zoe Gardini – Lounge de Interligação


Fred Benedetti e Fernanda Abs – Suíte Ricardo Almeida

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26/05/2009 - 19:36

Alguma coisa acontece

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Sampa não tem praia, não tem montanha, é cinzenta e entulhada, sufocada pelo concreto, mas a gente não larga ela de jeito nenhum. Pródiga em aglutinar gente bacana, antenada e guerreira, a megalópole mixa sotaques estéticos e culturais que não estão no mapa. No recheio dos edifícios que tentam arranhar os céus da urbe, ou em oásis debruçados sobre o perímetro horizontal, um mosaico de tocas cheias de personalidade dão conta do jeito plural de ser e viver do paulistano – ou dos imigrantes que adotaram essas bandas como sua terrinha.

De olho nesse raio-x que não poupa os paredões de cimento, a editora Metalivros (www.metalivros.com.br) lança “Casas de São Paulo“, book bacanérrimo que registra 46 residências de estilos antagônicos. Com cliques impecáveis do Tuca Reinés e textos saborosos de Maria Ignez Barbosa, a obra estampa, em 240 páginas, fragmentos de décor e arquitetura que revelam, além da personalidade dos seus donos, um tanto da sofisticação do principal estado do País. O projeto vem sendo pensado há quase 20 anos pelo editor Ronaldo Graça Couto, e as casas foram editadas sequencialmente em três categorias: urbanas, campestres e praianas, conduzindo o leitor a uma viagem pela intimidade residencial de personalidades proeminentes na comunidade paulista.


No sentido horário, partindo da primeira imagem no canto superior esquerdo, as casas de: Gloria Kalil, Neco Stickel, Arthur Casas e Joyce Pascowitch

Minha amada e idolatrada big boss Clarissa Schneider (diretora da Casa Vogue e maior autoridade em chiqueria que eu conheço), assina o prefácio e abre as portas do seu apê para o livro – uma lição despretensiosa de estilo, como ela o é. Quase todas as residências reveladas em Casas de São Paulo são de pessoas conhecidas na mídia, porém, algumas vezes, pouco conhecidas na intimidade. Gloria Kalil, Charlô Whately, William Maluf, Attilio Baschera e Gregório Kramer, Waldick Jatobá, Joyce Pascowitch, Hector Babenco, Sig Bergamin e Houssein Jarouche integram o time. Confira!


No sentido horário, partindo da primeira imagem do canto superior esquerdo, as casas de: João Armentano, William Maluf, Maria Ignez Barbosa, Sig Bergamin, Luisa Strina e Tuca Reinés

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20/05/2009 - 21:11

No rabo do jacaré

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No caldeirão de Zaha Hadid (olha ela aqui de novo!), moda, arquitetura e design são farinhas do mesmo saco. Lembra do sapatinho que ela desenhou para a Melissa? Pois agora a arquiteta iraquiana rabisca mais um pisante, desta vez para a Lacoste (meu jacaré predileto, diga-se de passagem).

A novidade não acrescenta absolutamente nada de novo ou subversivo ao portfólio da designer, mas dá um sopro de vanguarda na marca do tenista francês René Lacoste, cujo desenho original da sua peça mais notória, a camisa polo, é praticamente o mesmo, desde 1927 (graças a Deus! Adoro a inovação… mas existem certas coisas que, definitivamente, não podem ser “mexidas”). Tradição de um lado, modernidade absoluta (e polêmica) do outro: Zaha é o que há de mais badalado no panorama internacional da arquitetura contemporânea. Mas, as formas que saltam da sua telinha de plasma 40”, dividem opiniões. Como sempre rasgo elogios inflamados à mulher, desta vez achei mais conveniente, para efeitos jornalísticos, ser menos opinativo e virar a moeda. Fabrizio Rollo, editor de estilo de Vogue e Casa Vogue, solta o verbo: “No começo, a estética dela causou um impacto no mundo. Parecia que nós precisávamos daquele ‘beliscão’ de modernidade e futurismo. Mas com o beliscão, vem o grito. Está na hora de coisas mais macias e doces, de menos dor. A impressão que dá é que ela se senta ao computador para criar, aperta um botão, e… o computador faz tudo para ela… Tenho um amigo, o arquiteto belga Vincent Van Doysen, que com suas linhas puristas conquistou clientes como a atriz Julianne Moore, que compartilha a mesmo opinião que eu”, diz.

Sou contra essa arquitetura escultural, em larga escala – em exceções, tudo bem. Mas imagine uma cidade abarrotada de prédios esculturais. Seria um caos, uma agressão urbana. Por mais verticalizadas que sejam, no conjunto, as linhas puras compõem um skyline mais harmônico”, conclui.

Na seleção de imagens abaixo, sem crocodilagem, uma retrospectiva do traço de Zaha, aplicado em prédios, móveis, casas e coisas:

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