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06/08/2009 - 11:53

A rosa de Hiroshima

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Há exatos 64 invernos, em 6 de agosto de 1945, a humanidade escrevia um dos seus piores capítulos: a Segunda Guerra Mundial. Naquele ano, a ferida viva do Holocausto pulsava na civilização ocidental – levemente suturada pelo suicídio do ditador-anti-cristo Adolf Hitler, em abril –, quando o mundo testemunhou, estarrecido, outra atrocidade: a bomba atômica que os Estados Unidos lançaram sobre  Hiroshima. Ali, mais de 100 mil pessoas foram varridas do mapa sem tempo de entender como e porquê – a maioria delas, camponeses indefesos, já que a cidade foi escolhida justamente por ser alheia aos armamentos e absolutamente vulnerável, recolhida entre os vales. Três dias mais tarde, um novo bombardeio em outro alvo interiorano, Nagasaki, ceifou a vida de mais de 70 mil inocentes, confirmando a eficiência demoníaca da tecnologia bélica detonada pelo presidente americano em exercício, Harry S. Truman. Na ocasião, o físico J. Robert Oppenheimer, que comandou a equipe de cientistas e engenheiros responsáveis pelo artefato, declarou: “Eu me tornei a Morte, um destruidor de mundos”. Mesmo arrependido, sua conta foi entregue: morreu de câncer 3 anos depois dos atentados.

Os EUA venceram. E Hiroshima e Nagasaki ainda sentem na pele os traumas do ataque (literalmente, já que a radiotividade nuclear imprimiu rastros que atravessaram as décadas).

O Japão, hoje uma das nações mais pacifistas do mundo, também se tornou a segunda maior potência econômica do globo. O planeta inteiro olha para ele.

Muito além da cultura zen, tecnologia de ponta, artes marciais, inspiração purista, jardins simétricos e filosofias milenares, origamis e sushis, macarrões instantâneos e karaokês, a terra do sol nascente exportou para o mundo talentos fantásticos na arquitetura, no design e nas artes. No dia em que o país lembra um dos seus momentos mais dramáticos, fazemos aqui um registro, em forma, cor e volume, de alguns herois da estética nipônica para a casa no século 20.


Croqui do arquiteto Tadao Ando para o Centro de Arte Contemporânea de Venice


Gaveterio relovucionário que o designer Shiro Kuramata desenhou para a Cappellini, nos anos 90.


Sofá, mesa de centro e luminária do escultor, arquiteto e designer  Isamu Noguchi, produzidas entre as décadas de 60 e 70


Pintura coloridíssima de Takashi Murakami, um dos responsáveis pelo status de arte  dos toys, referências de rua e HQs / Cadeiras de madeira e papel reciclado de Shigeru Ban, do final da década de 90

Saideira com uma das canções mais cults da MPB, imortalizada pelo divo Ney Matogrosso, lá nos anais do Secos e Molhados:

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Décor, Design Tags: , , , , , , ,
14/07/2009 - 21:27

Subindo pelas paredes

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E lá no Rio a arte está, literalmente, subindo pelas paredes. Projeto da Galeria A Gentil Carioca (www.agentilcarioca.com.br) convida um time de artistas para, cada qual à sua maneira, produzir uma instalação outdoor na parede lateral do prédio, em pleno centrão do Rio. A cada edição (que dura em média quatro meses), um nome quente da cena contemporânea leva para a rua esta ação que propõe democratizar a arte e incentivar o interesse da população. Entre pinturas, grafites e performances instigantes, nomes como Dane Mitchell, Guga Ferraz e Carlos Garaicoa já passaram por lá com obras pouco convencionais que transformam a paisagem urbana.

Inquilinos da vez, os irmãos Tiago e Gabriel Primo radicalizaram ao ponto de ganhar reportagem internacional na Reuters de hoje (clique aqui para ler a matéria original)

Imagine que os big brothers ignoraram o limite vertical do paredão para simular uma casa ao ar livre, brincando com a estética da dos realitys shows, do urbanismo desenfreado e da decoração kitsch (a produção inclui rede, cama, escrivaninha, espreguiçadeiras e até um gramofone: tudo chumbado para garantir o trânsito dos homens-aranha).

Faça chuva ou faço sol, a instalação nunca fica vazia: quando um deles precisa ir ao banheiro, por exemplo, o outro fica de prontidão, para deleite dos voyers de ocasião.

Autor: - Categoria(s): Arquitetura Tags: , , , , ,
01/07/2009 - 23:09

O veneno antimonotonia de Rosenbaum

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Em sua carreira meteórica, Jean Michel Basquiat conseguiu um feito e tanto: pixou seu nome com letras garrafais no muro da contracultura norte-americana, nos coloridos anos 80 (quando quase toda a subversão setentista já havia ecoado pelos quatro cantos do planeta). Gênio precoce, badalado e festejado aos 19 anos, morreria pouco mais tarde, aos 27, depois de uma vida de glam e excessos, regada a sexo, drogas, grafitti e rock’n roll. Basquiat namorou Madonna, foi amigo de Andy Warhol e teve muito mais do que quinze minutos de fama: sua marca ficaria impressa para sempre no circuito, como uma das figuras mais originais da arte contemporânea.

Quando nos sentamos para bolar o conteúdo da já tradicional edição de arte de Casa Vogue, nossa diretora Clarissa Schneider teve o insight: “Vamos convidar Marcelo Rosenbaum para interpretar um ambiente à Basquiat”. Bingo! Ninguém melhor do que ele para encarar o desafio. Sou fã número um do Rosebambambã por vários motivos: ele tem uma verve criativa cheia de gás; inventa moda sem nenhuma pretensão; converte o ordinário em extraordinário num piscar de olhos; é moderno até o tutano sem dar as costas para a cultura popular brasileira; é pop porque fala com a elite e com o povão com um carisma infinito; não segue padrões convencionais e subverte a estética o quanto pode, sempre que pode, entre outros adjetivos. Mas o que mais me surpreende em seu trabalho é a entrega absoluta. Com um briefing nas mãos e a liberdade de sempre na cuca, Marcelo inventou um Basquiat tão legítimo que podemos sentí-lo no espaço – tipo loft nova-iorquino, total 80s. Fui lá acompanhar tudo de perto, boquiaberto com a mistura fina: o grafite, a street art, os pneus empilhados, os móveis de design, os tribalismos, as projeções em video, a fusão luxo-lixo… Sem falar no look new-wave com direito a Louboutin-agulha-vermelho-vertiginoso onde a modelo Isabella Melo (adoro esse link fashion-decorex) tentava se equilibrar fazendo a linha “musa de Basquiat”, produzida pelas poderosas Verena Bonzo e Jéssica Juliani.

Sempre faço questão de assinar os textos que publicamos sobre o Marcelo em Casa Vogue. Mas, desta vez, justamente buscando um distanciamento mais crítico (e talvez menos inflamado), encomendei o feito a um dos nossos colaboradores prediletos, o Sergio Zobaran, que chegou chegando no título: “Vida louca vida.” Para te deixar com água na boca e fazer você sair correndo agora até a banca mais próxima buscar a sua revista predileta com a superprodução de Rosebambambã na íntegra, antecipo aqui alguns registros do Romulo Fialdini (outro de nossos colaboradores prediletos) e uma impressão zobaraniana (não menos empolgada do que a minha):

O Marcelo Rosenbaum não produz apenas lares, doces lares na TV. Como anda muito global, e lá dizem que ‘quem sabe faz ao vivo’, ele montou, para este especial de julho da Casa Vogue, um editorial sensacional: um real loft novaiorquino (um ambiente só, pédireito alto and so on) em homenagem ao Basquiat – em pleno bairro de Pinheiros, SP. Mais precisamente em seu genial escritório-galpão, uma antiga gráfica. E lá fui eu estudar a vida deste artista plástico muito louco que era o norteamericano Jean-Michel Basquiat (claro que, na minha pesquisa além-google, li que era haitiano, e por aí vai… mas haitiano era o pai, daí o nome francês!), antes de entrevistar o Rosenbaum, que já conhecia desde os tempos politicamente incorretos em que assinou um fumoir para a Casa Cor, idos de 2003. A produção incrível desta sofisticadíssima toca foi de parte a parte: no nosso time, um aparato com direito a stylist, produtora e assistente, beauty maker & assistant, fotógrafo, modelo magérrima-cabelão-lata de spray na mão, diretora de redação, editor-chefe (os meus chefinhos), e eu, o repórter… No coletivo dele, uma penca de designers, artistas e produtores modernos e antenados também (people like us). Resultado: o fera Basquiat, que só viveu 27 anos, entre 1960 e 1988, ganhou um ambiente incrível e a cara dele, por tudo que li e vi no livro que o Wair de Paula me emprestou (e seu trabalho me fez lembrar mais uma vez de Alex Vallaury, Leonilson e Jadir Freire, entre outros tantos pós e contemporâneos dele, grafiteiros ou não), e pelos móveis, obras de arte e objetos selecionados a dedo para compor o décor – em que dá vontade de ficar pra sempre. A inspiração do texto, além de tudo de bacana à nossa frente, foram as músicas de época do Cazuza, anos 80 na veia. Afinal, além de tudo (grafites e heroínas como Madonna em sua cama), nosso herói morreu de overdose, como outros da letra J da vez: Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin. A vida foi breve, as marcas para sempre. Só não passe a perceber Basquiat em tudo o que agora vê por aí. Garanto: tem tudo a ver, sim, com o que vemos/vivemos hoje – só que de forma mais mainstream. Mas estes sintomas passam em um mês. A matéria fica: linda e ali registrada na Casa Vogue. Aprecie com moderação…

Atenção: a capa que eu colei acima não é a que está nas bancas – escolher capa é um trabalho complicado: colocamos mil opções na frente, consultamos gregos e troianos, votamos e estudamos os prós e contras de cada uma delas, antes de determinar a eleita em si. Mas acho esse estudo tão genial, mas tão genial, que quis dividir com vocês. Clarissa teve a ideia do spray na mão da modelo garfitando o logo, e acrescentou o arranjo de flores de plástico à produção de Rosenbaum; Zé Renato entrou com o recorte e com o “A” estilizado da “Anarquia”. Romulo e Marcelo dirigiram a top com toda a ginga. Demais, não?

Para fechar o post no melhor estilo “Vida louca, vida breve”, escolhi um flashback do balacobaco. Clarissa e eu comentávamos agorinha, que nada mais Basquiat na música brasileira do que Cazuza. Zobaran fecha no discurso. Àqueles que, como eu, cresceram nos 80s, um salve com uma das frases mais definitivas (e suicidas) da nossa poesia-pop-cantada: “vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”:

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue Tags: , , , , , , , , , , , ,
08/06/2009 - 21:48

Quem dá mais?

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Looks naturebas estão entre as poucas sumidades do décor (ou quase unanimidades, para fazer jus ao bordão de Nelson Rodrigues). E é quase impossível não gostar da mobília de Hugo França, já que pouca gente respeita tanto as formas naturais quanto ele (que só trabalha com resíduos já descartados pela mãe natureza ou pelo homem – como canoas velhas, toras queimadas, vestígios de árvores e que tais – e não desmata nada, que fique bem claro).

Com traço totalmente eco-friendly, a interferência no shape é mínima, o que explica muito o sucesso internacional do artista, adepto do estilo art brut. Quer um exemplo do tal prestígio do homem? A Sotheby’s promove no próximo dia 12 um leilão dedicado às peças mais importantes do design do século XX. A seleção dos lotes vai desde as clássicas luminárias Tiffany do início do século passado, até criações de Frank Gehry.

Nesse mexidão bem transado, sobrou espaço para a chaise Taja, by Hugo, que abre o evento como uma das apostas mais bacanas do primeiro lote. França é o único designer brasileiro entre nomes como Jean Prouvè, Isamu Noguchi, Wendell Castle, Gio Ponti e Alexandre Noll.

Autor: - Categoria(s): Artes, Décor, Design Tags: , , , ,
05/06/2009 - 11:00

Punk design

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Se você curte adesivos, cola mais. Se é adepto de mobília customizada, então… senta que lá vem história! Olha só que bacana essa dica do über-gênio André Rodrigues, editor do SPFW e alguém que, como eu, adora a subversão em prosa, verso, cor e forma: os designers Jimmie & Martin (www.jimmiemartin.co.uk), autores dos i-sticks mais descolados que eu já vi; e dos móveis que nem Alice viu em sua trip ácida pelo País das Maravilhas.

Acima, wallpaper do duo Jimmie&Martin – o adesivo pode ser muito bem usado como cabeceira fake de uma cama box / foto: Divulgação

Estetas por natureza, o ex-modelo e o ex-vendedor de design se conheceram num clube em Estocolmo, na Suécia. Rolou uma química e, quando se deram conta, estavam morando juntos. E colecionando traças e troços. “Consumíamos peças de antiquários, feiras de antiguidades e leilões. Comprávamos os objetos e, durante o processo de restauração, percebíamos que lhes faltava ousadia e contemporaneidade. Então começamos a interferir com grafites, estampas, desenhos. Foi a maneira que encontramos de tornar imperfeito aquilo que era perfeito. A perfeição é um tédio. Um dia, quando estávamos de mudança, uma pessoa viu os móveis e adorou, pediu para colocarmos à venda em sua loja. E foi assim que tudo começou“, contaram os meninos ao André, direto do seu QG em Londres.

Vieram então algumas congratulações de estofo, como os prêmios “Novos Designers do Reino Unido”, “Melhor Design de Mobiliário” e “Design & Decoration”, além da parceria com mister Phillipe Starck nos interiores do hotel St Martins Lan. Tá?

Mas além dos adesivos (grandes simuladores da realidade, como os de criado-mudo que ficam perfeitos contracenando com uma cama de verdade), eles também brincam com a proporção dos móveis e objetos, subvertendo geral numa produção divertidíssima. Cores sintéticas e fluorescentes, caveiras, grafites, pink flamingos, animal prints e frases de efeito grafitadas dão o tom no acervo (vide a seleção e tire suas próprias conclusões).

Algumas sacadas são geniais, como o móvel preto antiquíssimo que granhou uma explosão de cores nas gavetas (foto acima). “Não acreditamos que estamos destruindo as peças, pelo contrário. Estamos recriando móveis antigos porque achamos que as pessoas não querem mais madeira crua. Os consumidores buscam cada vez mais customização do produto final. Então mantemos a forma original, que é praticamente insuperável, e recriamos a estética para atrair tanto os clientes mais conservadores, que apreciam as formas clássicas, quanto os mais ousados, que buscam elementos transgressores”.

O duo Jimmie (direita) e Martin: punk design na veia / foto: Divulgação

Autor: - Categoria(s): Artes, Décor, Design Tags: , , , , , , , ,
04/06/2009 - 21:57

Harry Potter

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Os óculos com aros redondos lembram os usados pelo “macumbeiro” mais pop do planeta. Qualquer semelhança não é mera coincidência: Jeff Zimmerman, designer e artista plástico norte-americano, sempre se interessou pela alquimia das matérias. Descobriu o poder da mutação na forja do vidro e tem enfeitiçado uma legião de admiradores com sua glass art, que mixa leveza e impacto em formas etéreas, quasetão tecnológicas quanto orgânicas. Tatuado na mão esquerda, com ares de runas celtas, o símbolo químico do vidro denuncia seu pacto com o ofício que abraçou. Entre luminárias (algumas delas com proporções nababescas) e esculturas que lembram as de um outro Jeff (o Koons, com seus balões de metal superinflados), morri de amores pelos vasos de look prateado – que separei aqui para mostrar para vocês.


Reparem como o banho interno de prata dá um efeito cromado à peça, como se o recheio fosse a superfície e vice-versa. Apenas um dos truques que ele saca da manga. Fui apresentado ao Zimmerman na semana passada, durante seu périplo brasileiro, pela arc-arquiteta Fernanda Marques e pela top-produtora e fofíssima amiga Bianca Schaffer. Fiquei embasbacado com o trabalho do cara, que fala apaixonadamente sobre como acata a forma do material durante a queima e faz a direção artística a patir de então: “o fogo me fascina; observar a mutação da massa vítrea sob as chamas e determinar o que o objeto vai virar a partir do rumo que ele tomou, é um dos pontos altos deste trabalho”.

A própria Fernanda Marques, antenadíssima que é, tem causado sensação na Casa Cor São Paulo 2009 com seu espaço que, entre outros hypes, traz as criações de Jeff. Zesty Meyers, mecenas da R20th Century Gallery, que representa o trabalho do artista, é profético: “Ele está só começando”. Assino e dou fé.

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05/05/2009 - 10:24

Koolhaas veste Prada

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Outro dia assisti um filme coreano esquisitíssimo chamado “O Hospedeiro” (confira o trailer oficial aqui), do diretor Bong Joon-ho. Carregado de mensagens subliminares, este foi, com certeza, um dos mais pertubadores que já vi. O enredo parece de uma boboseira sem fim, tipo aquela novelinha de mutantes da Record, mas é coisa séria: um cientista despeja substâncias tóxicas em um rio de Seoul, alimentando um monstrengo medonho que emerge das águas sedento por sangue.

Meio nonsense, meio sci-fi, meio dramalhão off-Hollywood, o filme é muito mais político do que parece, tocando em feridas como as relações da Coreia x Estados Unidos, ética governamental, pandemia (olha que visionários!), o urbanismo desenfreado e suas consequências óbvias, como a poluição. Na fotografia (sombria, mas fantástica), dá para notar nuances concretas de um gigante asiático que se destaca também por sua arquitetura vanguardista. Daí o link com o post de hoje.

O pavilhão Prada Transformer (sim, aquele da grife italiana), inaugurado no finzinho de abril, é a mais nova criação do gênio holandês Rem Koolhaas, um dos maiores compassos da atualidade. Composto por quatro formas geométricas – círculo, hexágono, cruz e retângulo –, o prédio de 20 metros de altura foi instalado ao lado do Palácio de Gyeonghui, no centro de Seoul, como espaço sazonal de exposições. A primeira da temporada, “Waist Down – Skirts by Miuccia Prada” , já tá no ar. Desfiles, shows e outros eventos já estão programados. Por isso a estrutura mutante.


Os moldes de aço desenvolvidos por Rem Koolhaas, com inspiração em formas geométricas – círculo, hexágono, cruz e retângulo / imagem: Divulgação


Acima, o conceito mostra que o Prada Transformer pode ser usado para desfiles, exposições de arte, projeções de cinema e eventos especiais / imagem: Divulgação

Ao invés de ter apenas uma condição, concebemos um pavilhão que, através da rotação, adquire um caráter diferente e acomoda diferentes necessidades. É um projeto excitante por ser o primeiro híbrido entre a moda Prada e a Fondazione Prada“, diz Koolhaas. É, parece que a moda inventada por Zaha Hadid (lembra do pavilhão itinerante que ela desenhou para a Chanel?) pegou mesmo. Até na Coreia!

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Design Tags: , , , , , , ,
07/04/2009 - 17:38

Design sem fronteiras

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Na foto acima, a poltrona “Diz”, de Sérgio Rodrigues / foto: Divulgação

O MAM (www.mam.org.br) estreia hoje, a partir das 20h, a expo “Design brasileiro hoje: fronteiras”. Com curadoria da sabe-tudo Adélia Borges (juro que não conheço ninguém mais expert no assunto do que ela), a mostra explora a produção atual nas mais diversas áreas. O objetivo é apontar a relevância global e a multidisciplinaridade inerente ao design produzido atualmente no país, por meio de peças utilitárias com vocações antagônicas, de móveis a objetos, equipamentos, veículos, acessórios, livros, embalagens, luminárias, vinhetas e apresentações para tevê e cinema, etc. Dessa forma (ou através dessas formas, como preferir), será possível perceber como o design permeia o cotidiano das pessoas (e acredite: ele está em tudo aquilo que você vê).

Capa do livro sobre André Lima na coleção “Moda Brasileira”, da Cosac Naify / foto: Divulgação

Olho no descritivo: Com uma posição assegurada no cenário internacional, o design brasileiro vê neste início de século a ampliação de suas fronteiras internas, possibilitando a descoberta de olhares diferenciados em todos os cantos do Brasil. A criação nessa área deixa de ser algo restrito às grandes metrópoles ou trazido do exterior.

Faqueiro “Riva”, de Arthur Casas e Rubens Simões / foto: Divulgação

O recorte da mostra são projetos recentes, do século 21, de maneira a mostrar um momento em que o design no Brasil floresce como nunca em sua história. Internamente, assiste-se à expansão das divisas geográficas, com a atividade se disseminando por praticamente todos os Estados do país. No cenário internacional, há um crescente reconhecimento e penetração do design brasileiro, celebrado por atributos como inventividade e criatividade. Nesta seleção, a idéia “não é fazer um ranking dos melhores, muito menos de traçar um panorama exaustivo de uma produção que é vasta e plural“, nas palavras da curadora. O que se busca é mostrar a amplitude e variedade de um campo que só vem se desenvolvendo e profissionalizando cada vez mais por todo o país.

Mesa “Seis”, do (meu favorito) Marcelo Rosembaum / foto: Divulgação

Assim, ao lado das famosas sandálias Melissa desenhadas pelos irmãos Campana,  figuram as bijuterias de borracha de autoria de Marzio Fiorini. A vassoura Noviça, produzida pela Bettanin e criada por Liane Schames Kreitchmann, se junta à lavadora de roupas desmontável Superpop, de Chelles e Hayashi Design. Frequentemente, profissionais de outros campos de atuação cruzam a fronteira do design: o artista Guto Lacaz emprestou sua inventividade para a Tok Stok na forma do porta-revistas Zig Zag; a identidade visual do Colégio Vera Cruz ficou a cargo de Alexandre Wollner, um dos expoentes do concretismo; o arquiteto Isay Weinfeld é representado na mostra pela fruteira de sua criação (veja lista completa dos participantes abaixo).

Anel “Puzzle Mix”, de Antonio Bernardo / foto: Divulgação

Sintetizando, é por meio dessas intersecções e múltiplas possibilidades que o design vem saindo das pranchetas especializadas para as prateleiras de lojas de todos os tipos e segmentos, provando que o design brasileiro alia praticidade, beleza e inovação ao cotidiano. Como define Adélia Borges, “se a contemporaneidade dilui as fronteiras, o design é por definição a atividade em que elas se interpenetram, em projetos em que a inventividade se põe a serviço de um cotidiano e de um mundo melhores para todos nós“, diz.

A clássica sandália Melissa interpretada pelos Irmãos Campana / foto: Divulgação

Em cartaz até 28 de junho.

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02/04/2009 - 20:11

Alegria, alegria…

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… E chiqueria, chiqueria. A Casa Vogue (minha revista predileta!) de abril chega às bancas mais colorete do que nunca. Não precisa nem procurar muito (a capa vai encontrar você), com look quente, solar, alto astral, totalmente demais.

“Pintura Íntima”, a matéria principal, diz tudo sobre o tema-conceito da vez: a vida imita a arte. Sob medida para nós (e para vocês), Roberto Migotto (über-decorador e arc-amigo de todas as horas para produções estético-culturais de primeira) interpretou, em estilo e ambientação, a explosão colorida da pintora, escultora, cenógrafa e estilista franco-ucraniana Sonia Delaunay, pioneiríssima na derrubada das barreiras entre as artes plásticas e as aplicadas, lá na Paris dos anos 20, quando os modernos começavam a dar os ombros para os caretas.

O mise-en-scene ficou tão deslumbrante, mas tão deslumbrante, que deu até canseira na equipe para escolher a capa do número (uma tarefa sempre difícil, mas que desta vez ficou muito mais complicada, considerando o caminhão-baú de possibilidades à mão).

Abusamos do vermelho, nossa base, mesclado a formas geométricas, listras e estampas criadas por Sonia, que dificilmente veríamos juntas num projeto comercial, embora muitas peças isoladas, ou mesmo algumas combinações possam perfeitamente ser usadas no dia a dia. É como um desfile de moda, que causa efeito e impressão, mas que não é exatamente comercial”, diz Migotto.

A pegada fashion ganhou pimenta com as caras, bocas e performance blasé da top Carol Demarqui, a bordo de um vestido da coleção que Valdemar Iodice desenhou inspirado justamente em Madame Delaunay. Não é que ela coube direitinho no papel da Soninha?

Inspiração pouca é bobagem. Num impulso sagitariano, bateu uma vontade louuuuuuca de pintar as paredes do meu lar, doce lar de vermelho-cereja. Mas tô segurando as pontas – pelo menos até terminar de pagar a penteadeira vintage que mandei laquear de amarelo-safari (o mesmo tom do recamier da capa desta edição), para usar como bar-solar de drinks furta-cor, baratos e afins. Um dia, mostro aqui como ficou. Enquanto isso não acontece, dá uma espiada no conteúdo desse mês:

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Casa Vogue, Décor, Design Tags: , , , , , , , ,
01/04/2009 - 23:59

As flores de plástico não morrem

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Neste 01/04, o post aterrissa na sua tela em clima de “April’s Fool’s”. Não existe nada mais apavorante no décor do que flores artificiais, né? Principalmente aquelas hiper-realistas, que enganam à primeira vista e logo decepcionam quem chega perto.

Sempre carreguei esta bandeira, mas abri uma pequena exceção ao conhecer o trabalho da artista plástica e designer Hella Jongerius, no Dezeen.com

Totalmente manufaturadas, as peças da moça são produzidas em argila, madeira, papel, couro, alumínio e o que mais tiver à mão. As técnicas esculturais de Jongerius não buscam um fake look, mas uma interpretação livre das formas orgânicas das flores, sobretudo as exóticas, com seus caules, pétalas e bulbos estilizados, em mood pop-art-futurista, tétrico, meio fálico, despretensioso e sem espinhos. Enfim, é de mentirinha, mas é divertidíssimo!

Autor: - Categoria(s): Artes, Décor, Design Tags: , , , ,
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