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01/06/2010 - 21:17

Terra em transe…

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… e Allex em trânsito. Maquiavel dizia que “uma mudança deixa sempre patamares para uma nova mudança”. Mas a gente demora um bocado para encarar uma guinada.

Foram 10 anos. Densos, intensos, imensos. Com o pedigree Vogue, ergui pilotis que escoram o lado “platinum” do meu curriculum vitae. Complexo, convexo, suado e sofrido ­– mas reconhecido, graças a Deus. Muito além da superfície estética, aprendi naquela casa os quiprocós da criação, a engenhosidade da função e a excelência da publicação.

Entrei com a minha verborrágica sopa de letrinhas; os Carta, com o toque gourmet que tempera as revistas mais chics desses brasis. Não é tudo. Nas fissuras da fina estampa, tive a oportunidade de estudar arte, dissecar conteúdos, entrevistar ídolos, dar de cara com lendas vivas e cair na estrada em trips espetaculares que fizeram de mim um jornalista melhor. Um crachá que também garantiu acesso a veículos de outras plataformas – fashion, cult, pop ou blockbuster –, onde cravei assinatura em textos culturais, críticos, intelectuais, acadêmicos e politizados – ou pseudo tudo isso. Não salvei o planeta, é verdade – e tomei uma senda bem diferente daquele romantismo ambicionado por qualquer foca prestes a abocanhar o canudo de jornalismo, com sede de mudar o mundo num manifesto. Mas comemoro a odisseia sem um miligrama de culpa. Foram quase 120 edições e incontáveis colaborações com todos os títulos da casa. Muitos fios de cabelos brancos depois, parto para outra.

De fato, um parto também no sentido metafórico, já que deixo aqui amigos queridíssimos (Zé Renato, Ana Paula, Paula Queiroz – muitas vezes, meu braço direito neste blog –, Fabrizio Rollo, Ana Lúcia, Ana Montenegro, Tissy Brauen, Guilherme Marcon e muitos mais) e um pouco da minha alma. Levo outro tanto disso tudo comigo, para sempre. Foi uma escolha pessoal e intransferível – simplesmente vital para quem não se acomoda no conforto do ninho. Este puxadinho virtual continua despretensiosamente do jeito que sempre foi. Enquanto metabolizo a nova rotina – e só durante essa fase de transição –, fecho a quitanda por uns dias (deixo vocês com um patchwork das minhas duas últimas edições de Casa Vogue, junho e julho. Até daqui a pouco, de endereço novo, como editor-chefe da bacanérrima Wish Report. Te vejo lá, né?

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue Tags: ,
17/05/2010 - 12:20

Abacachic!

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Mais um fechamento tumultuado – e nós somos experts em descascar o abacaxi, quebrar o coco e não arrebentar a sapucaia. Tomo emprestado o título do rei do trocadilho desta redação, Monsieur Fabrizio Rollo, para batizar o post do dia com uma dose de genialidade cítrica.

Acaba de sair a nova revista-catálogo da Tania Bulhões Home (taniabulhoeshome.com.br), coordenada e editada por este que vos escreve, com fotos do lince César Cury, produção impecável da ainda mais impecável Paula Queiroz, direção de arte do meu ídolo Zé Renato Maia e supervisão da todo-poderosa (e toda-fofa) Tania e sua equipe – capitaneada por Lord Marcelo Tucci. E chega de adjetivos, porquê senão vão achar que eu tô levando jabá!

A revista marca oficialmente a temporada 2010 da loja com cara de chateau, recheada de novidades clássicas, contemporâneas ou casuais, marcadas por uma brasilidade que não esnoba a influência europeia dos nossos colonizadores. Por essas e outras, apesar do friozinho que sopra a Paulicéia, vale a dica do look tropicaliente.

Símbolo da realeza (com coroa e tudo), o abacaxi dourado da foto é uma mesa lateral de latão e vidro, totalmente feita à mão, com mais de 200 pecinhas minuciosamente encaixadas. Meio over para alguns e maravilhosa para outros tantos, a peça não passa despercebida, definitivamente. Eu, que adoro uma dose de surrealismo, Lalanes e afins, confesso: acho chic no úrrrrrrrrrrrrrtimo e teria um par delas – não fosse o preço tão azedo para o meu humilde borderô: quase R$ 12 mil cada (só de pensar, brotou uma afta no meu bolso).

Autor: - Categoria(s): Décor Tags: , ,
03/02/2010 - 10:30

Décadence avec elegance

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Chegou a vez de detonar o design, no melhor sentido da expressão. Quem dá a dica é Sergio Zobaran, decano do décor (um dos meus jornalistas prediletos, inclusive), que ensina que “a décadence avec elegance” é a tendência da vez.

Décadence avec elegance 3Cadeira verde da Conceito: firma casa;  sofá da tre-uni; mesa lateral / de apoio da ,ovo

Olho no texto que ele escreveu sob medida para o In Casa:

“Em altíssima no mundo que dita a decoração (= Europa, onde o estilo é denominado ‘shabby’ na Inglaterra, ‘pauvre’ na França, ou ‘povero’, na Itália, mas sempre seguido de ‘chic’), estão os móveis detonados,  com aquele algo mais que apenas a pátina do tempo. Normalmente são um destaque na casa, mas com cuidado, para “seu cafofo não ficar com uma cara brecholenta”, como me disse o colecionador João Pedrosa, antecipando a minha mudança de casa mais recente – e o modismo. Mas agora eles aparecem direto, e preenchem até lugares públicos, como um restaurante inteiro: o Derrière, em Paris, detonadaço em todos os seus ambientes, como os de uma casa.

Décadence avec elegance 1Mesa bandeja da Oficina de Agosto; cadeiras da Vila Nova; vaso da l’oeil

O que antes era encoberto, como um buraco na forração de couro de um sofá Chesterfield, agora é explícito, fazendo charme decadente e contrastante em um ambiente moderno, por exemplo. Além dos couros, os tecidos dos estofados podem permanecer os mesmos, velhos, ainda que poídos, rotos, esfarrapados, ou mesmo as suas imitações envelhecidas propositalmente. E vale ainda a forração nova feita em saco de aniagem, para reforçar o conceito. As mesas e cadeiras antigas de ferro, que um dia estiveram ao tempo, nos jardins, entram em casa no estado em que lá foram abandonadas – ou seja, azinhavradas, enferrujadas. As madeiras nem sempre ganham restauração sob este novo olhar, uma releitura (sorry!) excêntrica que Juliana Benfatti sempre fez tão bem em sua loja-garimpo sofisticado paulista. Ouça ainda Christian-Jack Heymès (que adora um restauro, mas mantém alguns exemplares ‘no estado’ em seu antiquário Patrimônio, nos Jardins): “preste atenção desde a arte – duas das mais famosas obras mundiais que estão no Louvre foram mantidas como encontradas: a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia”.

Portanto, veja bem: nada em arte e decoração é tão novidade assim. Afinal, quem cresceu nos anos 1960 viu passar a moda do decapé (reveja exemplares novos na Artefacto Beach&Country), e dos espelhos oxidados, contanto que tivessem boas molduras – e, ainda nos 1970, eles ornaram paredes inteiras nas boates, halls de entrada e lavabos do primeiro time. O secular mobiliário da Provence também ganhou novamente espaço em lojas especializadas, entre nós, a partir dos 80, com seu ar branquinho, porém desgastado. Mas o excesso do seu uso praticamente nos fez enjoar dele, ainda que continuem a existir e até mesmo a ganhar novos endereços. O espírito do eixo Tiradentes-Vila Madalena preencheu ambientes de móveis supostamente velhinhos, ou envelhecidos artificialmente por sucessivas pinturas (e descascamentos) de cores diversas. Encheu também – com raras exceções originais ou muito bem (re)feitas, como tudo o que vinha da Jacaré do Brasil, ainda viva em Trancoso, mas sem sua filial paulista.

Décadence avec elegance 2Seleção de móveis patinados e em madeira de demolição, tudo da Artefacto Beach and Country

Enfim, agora é a vez dos detonados, encontrados desde os brechós, passando pelas vendas em garagem, família muda-se, etc, e nos antiquários mais sofisticados. Até quando a moda dura? Sei não… se as peças forem ricas de origem (em estilo e material) acho que por muito tempo. Tanto quanto a qualidade de seus móveis… Como diria o dono de antiquário e decorador belga Axel Vervoordt: “qualquer peça, se é boa, tem uma eterna contemporaneidade”.

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Décor Tags: , ,
17/09/2009 - 20:30

Um salve para as divas

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Ainda estou contaminado pelas cerâmicas deslumbrantes que vi lá na Cote d’Azur, mais precisamente na cidadela de Vallauris. Fomos conferir uma exposição incrível, num lugar não menos incrível: o Museu Municipal Magnelli. Até dezembro, eles apresentam uma coleção bárbara sobre o trabalho da família Massiers, os cardeais dessa arte. Imagine você que o museu instalado desde 1977 numa antiga abadia, tem uma capela romana que abriga, na sua abóbada, dois painéis pintados em 1952 por ninguém menos que Picasso! Aliás, o museu também tem no acervo vasos e pratos über-inacreditáveis traçados pelo mestre. Très chic!

Outra curiosidade do pequeno condado: Jean Marais, galã do cinema francês nos anos dourados (lembra de A Bela e a Fera?), se dividia entre os sets de filmagem e as cerâmicas. Essa segunda faceta artística pode ser conferida no museu que leva seu nome. Babado forte: Marais foi amante de outro Jean célebre que arrasava nas cerâmicas: Cocteau.

Sem querer ser venenoso (e já sendo), foi no museu Jean Marais que descobri de onde vem boa parte das ideias geniais do americano, considerado um gênio ceramista, Jonathan Adler. (“cooooooooooooooobra“, diria meu amigo Sergio Germano!).

De volta ao que interessa, o post do dia homenageia duas divas gringas das cerâmicas cujo trabalho é de uma poética comovente: Eva Zeisel e Gwyn Hanssen Pigott.

3_Eva Zeisel

Julius Wiedmann, nosso correspondente em Londres, escreveu sobre Eva (www.evazeisel.org) na Casa Vogue desse mês. Vai lá ver! Em plena atividade aos 104 anos de idade, a artista húngara é considerada a fina flor do gênero, com várias condecorações de design no currículo. A sensibilidade para curvas e sua percepção única de sensualidade ajudam a esculpir coleções utilitárias para, de fato, serem usadas, algo que a própria sempre enfatizou. Até mesmo em relação ao fato de serem modulares e economizar espaço na hora de guardar (note que boa parte delas não possui pegas, alças e afins, sem perder a ergonomia).

2_Eva Zeisel II

Há alguns anos, Flávia Rocha escreveu sobre outra grande dama que dá vida ao barro: Gwyn Hanssen Pigott. Formada em História da Arte, desde os anos 50, a artista australiana arrasa numa produção cheia de referências estéticas de outras épocas. A inspiração vem da grande paixão de Gwyn: as cerâmicas chinesas e coreanas. Mas o shape é pessoal e intransferível, com um desenho moderno que não despreza certa rusticidade orgânica. Lindo de ver – e maravilhoso de ter.

4_Gwyn

7_Gwyn 4

Por falar em divas, tenho recebido muitos e-mails a respeito da matéria que escrevi na Vogue de setembro sobre o come back (triunfal) de Whitney Houston – adoooooooooro aquela mulher com tantos “os” que nem caberiam aqui. Atormentada pelas drogas, a artista feminina mais premiada do mundo foi ao inferno e voltou. De alta do rehab, acaba de lançar um álbum quase biográfico que a coloca de volta no topo (ela está liderando as vendas fonográficas no mundo, tá?). Ontem, na abertura da nova temporada do The Oprah Winfrey Show, a apresentadora se debulhou em lágrimas com a apresentação de Whitney. O GNT vai exibir o programa no Brasil em duas partes (21 e 22 de setembro), como foi lá nos EUA (14 e 15). Enquanto a gente não vê a entrevista bombástica, colo aqui o vídeo que pesquei no Youtube. Pode me chamar de cafona, mas fiquei arrepiadíssimo. Salvem as divas!

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Design Tags: , , , , , , , ,
11/09/2009 - 19:16

Marcenaria sitiada

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estevao-toledo-cortada-blog

Se você costuma passear por este blog de vez em quando, já deve conhecer o trabalho do Estevão Toledo, um dos caras em quem aposto forte como um dos designers mais bacanas da sua geração. Com site novo no ar, Estê aterrissa na web com uma página descoladérrima que você precisa conferir: www.estevaotoledo.com

Escrevi sobre o trabalho dele na Casa Vogue deste mês. Você viu? Colo aqui uma nesga do conteúdo…

“Há uma assinatura no trabalho de Estevão Toledo, uma característica que faz com que a sua produção seja imediatamente associada ao seu nome: a simplicidade. Sem firulas, o designer paulistano assina um trabalho autoral, direto, que deixa elegantemente à mostra suas emendas e sistemas de encaixe, tirando partido deles como charme-extra. Essa alta-marcenaria conta com muito capricho nos acabamentos, mas sem makes que escondam o que há por trás do traço e da ergonomia de cada peça. “A madeira por si só já é linda. A gente não precisa fazer muita coisa”, conta o artista avesso aos looks pavônicos, que trocou a trilha do pai engenheiro para se dedicar ao dedenho industrial. Formado pela FAAP, Estevão foi aluno de craques da madeira como Carlos Motta, estagiou com Baba Vacaro, além de fazer cursos com Pedro Petry e oficinas com os Irmãos Campana. Todo esse background colaborou para a criação da própria identidade moveleira – e da própria marca, tocada por ele com empenho artesanal, metade no seu ateliê de ciração, metade no galpão-oficina, de onde saem mesas, cadeiras, poltronas, estantes, cabideiros e outros etceteras descolados, em tiragens limitadas e personalizadas que estão ganhando cada vez mais espaço na cena”.

Pra ver o conteúdo na íntegra, corra para a banca mais próxima e garanta seu exemplar da Casa Vogue: está incrível!

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Design Tags: , , , ,
10/09/2009 - 10:00

Stand-up

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Vogue acaba de promover um concurso em parceria com a Panamericana Escola de Arte e Design (www.escola-panamericana.com.br). O mote: desafiar os alunos do último ano do curso de “Design de Interiores” a projetar um estande institucional da editora, atendendo a critérios como identidade da marca, viabilidade técnica, funcionalidade na montagem e fluidez (considerando que o estande em questão tem que dar conta do recado nas feiras e eventos, com longa vida útil).

Conheça aqui quem são e o que pensam os quatro finalistas. A começar pelo grande vencedor, Elcio da Silva Barros.


Nome: Elcio da Silva Barros
Idade: 36
Signo: JESUS CRISTO
Profissão: Ajustador Mecânco, Contabilista, Professor, (Padre, vocação) e agora Estudante de Design de Interiores.
Inspiração: “O Espaço, por excelência, são as pessoas”, eles devem ir ao stand por causa da marca Vogue.
Profissionais que admira na área: Regina Céli de Albuquerque Machado, Richard Meier, Paulo Mendes da Rocha, J. Mayer, Wagner Archela.
Seus clássicos prediletos do design:  Arquitetura a Felicidade,  (livro de Alain de Botton), Le Corbusier, Claudio Pastro, Fernando e Humberto Campana
Principais características do espaço projetado: Leveza, destaque da marca Vogue, modulação e objetividade.
Como definiria o estilo do seu projeto: Ousado, prático e eficaz.


Nome: Vania Natal dos Santos
Idade: 40 anos
Signo: Aquário
Profissão: Graduada em Engenharia Industrial Mecânica, com MBA em Gestão e Tecnologias Ambientais. Atualmente estudante de Design de Interiores
Inspiração: As capas da VOGUE, que são lindas!
Profissionais que admira na área:  Os brasileiros! Niemeyer, Arthur Casas, Marcelo Rosenbaum, Fernanda Marques.
Seus clássicos prediletos do design: Saarinen, Charles Eames, Jacobsen e Niemeyer
Principais características do espaço projetado: elementos curvos, pouca variação de materiais e área livre para circular.
Como definiria o estilo do seu projeto: Feminino, elegante e simples.

Nome: Andre Luiz de O Agostinho
Idade: 27 anos
Signo: Touro
Profissão: Analista de importação e exportação
Inspiração: Filmes fotográficos
Profissionais que admira na área: Philippe Starck
Principais características do espaço projetado: praticidade, leveza e elegância
Como definiria o estilo do seu projeto: simples e moderno


Nome: Lilian Sanches
Idade: 29
Signo: aquário
Profissão: arquiteta
Inspiração: linhas retas, projeto limpo, claro, objetivo.
Profissionais que admira na área: Arthur Casas, Zaha Hadid
Seus clássicos prediletos do design: Swan,  Barcelona
Principais características do espaço projetado: “Vogue em foco”.  Ideia de focar a marca da revista e seu modo refinado de apresentar suas reportagens.  Projeto modular, visando fácil manuseio sem perder o conceito.
Como definiria o estilo do seu projeto: Projeto conciso, linhas claras, contemporâneo.

Autor: - Categoria(s): Design Tags: , ,
01/07/2009 - 23:09

O veneno antimonotonia de Rosenbaum

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Em sua carreira meteórica, Jean Michel Basquiat conseguiu um feito e tanto: pixou seu nome com letras garrafais no muro da contracultura norte-americana, nos coloridos anos 80 (quando quase toda a subversão setentista já havia ecoado pelos quatro cantos do planeta). Gênio precoce, badalado e festejado aos 19 anos, morreria pouco mais tarde, aos 27, depois de uma vida de glam e excessos, regada a sexo, drogas, grafitti e rock’n roll. Basquiat namorou Madonna, foi amigo de Andy Warhol e teve muito mais do que quinze minutos de fama: sua marca ficaria impressa para sempre no circuito, como uma das figuras mais originais da arte contemporânea.

Quando nos sentamos para bolar o conteúdo da já tradicional edição de arte de Casa Vogue, nossa diretora Clarissa Schneider teve o insight: “Vamos convidar Marcelo Rosenbaum para interpretar um ambiente à Basquiat”. Bingo! Ninguém melhor do que ele para encarar o desafio. Sou fã número um do Rosebambambã por vários motivos: ele tem uma verve criativa cheia de gás; inventa moda sem nenhuma pretensão; converte o ordinário em extraordinário num piscar de olhos; é moderno até o tutano sem dar as costas para a cultura popular brasileira; é pop porque fala com a elite e com o povão com um carisma infinito; não segue padrões convencionais e subverte a estética o quanto pode, sempre que pode, entre outros adjetivos. Mas o que mais me surpreende em seu trabalho é a entrega absoluta. Com um briefing nas mãos e a liberdade de sempre na cuca, Marcelo inventou um Basquiat tão legítimo que podemos sentí-lo no espaço – tipo loft nova-iorquino, total 80s. Fui lá acompanhar tudo de perto, boquiaberto com a mistura fina: o grafite, a street art, os pneus empilhados, os móveis de design, os tribalismos, as projeções em video, a fusão luxo-lixo… Sem falar no look new-wave com direito a Louboutin-agulha-vermelho-vertiginoso onde a modelo Isabella Melo (adoro esse link fashion-decorex) tentava se equilibrar fazendo a linha “musa de Basquiat”, produzida pelas poderosas Verena Bonzo e Jéssica Juliani.

Sempre faço questão de assinar os textos que publicamos sobre o Marcelo em Casa Vogue. Mas, desta vez, justamente buscando um distanciamento mais crítico (e talvez menos inflamado), encomendei o feito a um dos nossos colaboradores prediletos, o Sergio Zobaran, que chegou chegando no título: “Vida louca vida.” Para te deixar com água na boca e fazer você sair correndo agora até a banca mais próxima buscar a sua revista predileta com a superprodução de Rosebambambã na íntegra, antecipo aqui alguns registros do Romulo Fialdini (outro de nossos colaboradores prediletos) e uma impressão zobaraniana (não menos empolgada do que a minha):

O Marcelo Rosenbaum não produz apenas lares, doces lares na TV. Como anda muito global, e lá dizem que ‘quem sabe faz ao vivo’, ele montou, para este especial de julho da Casa Vogue, um editorial sensacional: um real loft novaiorquino (um ambiente só, pédireito alto and so on) em homenagem ao Basquiat – em pleno bairro de Pinheiros, SP. Mais precisamente em seu genial escritório-galpão, uma antiga gráfica. E lá fui eu estudar a vida deste artista plástico muito louco que era o norteamericano Jean-Michel Basquiat (claro que, na minha pesquisa além-google, li que era haitiano, e por aí vai… mas haitiano era o pai, daí o nome francês!), antes de entrevistar o Rosenbaum, que já conhecia desde os tempos politicamente incorretos em que assinou um fumoir para a Casa Cor, idos de 2003. A produção incrível desta sofisticadíssima toca foi de parte a parte: no nosso time, um aparato com direito a stylist, produtora e assistente, beauty maker & assistant, fotógrafo, modelo magérrima-cabelão-lata de spray na mão, diretora de redação, editor-chefe (os meus chefinhos), e eu, o repórter… No coletivo dele, uma penca de designers, artistas e produtores modernos e antenados também (people like us). Resultado: o fera Basquiat, que só viveu 27 anos, entre 1960 e 1988, ganhou um ambiente incrível e a cara dele, por tudo que li e vi no livro que o Wair de Paula me emprestou (e seu trabalho me fez lembrar mais uma vez de Alex Vallaury, Leonilson e Jadir Freire, entre outros tantos pós e contemporâneos dele, grafiteiros ou não), e pelos móveis, obras de arte e objetos selecionados a dedo para compor o décor – em que dá vontade de ficar pra sempre. A inspiração do texto, além de tudo de bacana à nossa frente, foram as músicas de época do Cazuza, anos 80 na veia. Afinal, além de tudo (grafites e heroínas como Madonna em sua cama), nosso herói morreu de overdose, como outros da letra J da vez: Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin. A vida foi breve, as marcas para sempre. Só não passe a perceber Basquiat em tudo o que agora vê por aí. Garanto: tem tudo a ver, sim, com o que vemos/vivemos hoje – só que de forma mais mainstream. Mas estes sintomas passam em um mês. A matéria fica: linda e ali registrada na Casa Vogue. Aprecie com moderação…

Atenção: a capa que eu colei acima não é a que está nas bancas – escolher capa é um trabalho complicado: colocamos mil opções na frente, consultamos gregos e troianos, votamos e estudamos os prós e contras de cada uma delas, antes de determinar a eleita em si. Mas acho esse estudo tão genial, mas tão genial, que quis dividir com vocês. Clarissa teve a ideia do spray na mão da modelo garfitando o logo, e acrescentou o arranjo de flores de plástico à produção de Rosenbaum; Zé Renato entrou com o recorte e com o “A” estilizado da “Anarquia”. Romulo e Marcelo dirigiram a top com toda a ginga. Demais, não?

Para fechar o post no melhor estilo “Vida louca, vida breve”, escolhi um flashback do balacobaco. Clarissa e eu comentávamos agorinha, que nada mais Basquiat na música brasileira do que Cazuza. Zobaran fecha no discurso. Àqueles que, como eu, cresceram nos 80s, um salve com uma das frases mais definitivas (e suicidas) da nossa poesia-pop-cantada: “vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”:

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30/04/2009 - 19:26

Siga o mestre

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Às portas de fechar a quitanda para mais um feriadão deste calendário brasuca-ôba-ôba (vou me jogar em Campos do Jordão, e você?), antecipo em post, com exclusividade, um pequeno recorte da nova casa de campo do Sig Bergamin, aqui pertinho de Sampa. Ontem estivemos lá (Zé Renato, Rômulo Fialdini e eu) para armar uma matéria superespecial da edição de junho de Casa Vogue – prepare-se, porquê ela virá mais quente do que nunca!


Sig Bergamin e sua cadela Ásia, em registro exclusivo para a Casa Vogue / foto: Rômulo Fialdini

Chegamos cedinho, junto com o sol do outono. Dia lindo, céu limpo, brisa fresca como as flores que saltavam aos olhos – as do jardim e as arranjadas em vasos, bules e canecas, com a ginga cara ao dono do pedaço. E lá veio o Sig com seus três mascotes, as frenéticas América, África e Ásia (a menorzinha, que você vê posando com ele), fazendo algazarra na varanda, em clima de comercial de margarina. Alcunhas tão cosmopolitas quanto os carimbos no passaporte do esteta-desbravador que as batizou.

Dentro da casa, a luz filtrada pelas árvores frondosas dava um tempero especial ao cenário, impregnado da alma do Sig. Suas digitais estão em cada cantinho: na combinação improvável (e deliciosa) de cores, padrões e volumes; na cultura que jorra dos artefatos pinçados nos quatro cantos do planeta – do Laos a Trancoso, com escala nos melhores mercados de Paris e Nova York; nos pôsteres de cinema; nas obras de arte; nas louças e nas coleções – de pano de prato, de bules, de cerâmicas, de pássaros. Uma assemblage trés chic que faz justiça ao seu status de maior decorador do Brasil. Mais? Em breve, na Casa Vogue.


As multirreferências do designer Sig Bergamin na decoração do seu ambiente pessoal / foto: Rômulo Fialdini

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Décor Tags: , , ,
20/04/2009 - 22:27

Carnet de voyage

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E eu tô de molho por ordens médicas. Nada grave, ainda mais depois de assistir ao estupendo Le Scaphandre et le Papillon, dramalhão francês de Julian Schnabel, que concorreu a 4 estatuetas do Oscar com esta autobiografia de Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle (após um derrame cerebral, os movimentos do cara ficam resumidos ao abrir e fechar de um único olho – que ele usa para se comunicar e escrever um livro, por mais absurdo que isso possa parecer). Veja no trailer via You Tube:

No clima deste feriadão nostálgico, hoje e amanhã, como prometido, segue um fragmento dos diários de bordo das minhas últimas andanças pelo mundo, reproduzidos aqui a partir das matérias que acabamos de publicar em Casa Vogue. Voilá!

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue Tags: , , , , ,
06/04/2009 - 21:02

Fraternité, eleganté et revisté!

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E por falar em revistas bacanas, outra magazine bonitona que recomendo é a Tania Bulhões #3, coordenada e editada por este blogueiro que vos escreve. Muita gente pensa que se trata de um catálogo da loja. Não é messssmo!

Como eu conto lá em cima, é uma revista de verdade, obviamente customizada dentro do universo da loja (que é muito mais que uma loja, é claro), mas tratada como r-e-v-i-s-t-a do prólogo ao epílogo, sem a menor pinta de catálogo (você vai sentir isso ao folhear o conteúdo e sacar o padrão editorial Vogue, com direito a excelência no tratamento de imagens, textos assinados por gente do naipe de Ignácio de Loyola Brandão, cliques de Tuca Reinés, Rômulo Fialdini e Alain Brugier, produções de Tissy Brauen, Ana Montenegro e Paula Queiroz, matérias de leitura e ideias chiquérrimas para inspirar você, seja lá qual for o seu estilo).

Ali, as coleções de Tania Bulhões e o lifestyle superabrangente da marca são apresentados em clima de manual prático para casas, mise-en-scenes e afins. Desta vez, inspirada pelo Ano do Brasil na França, a empresária apostou na fina estampa de quatro celebridades francesas para ambientar o conceito da temporada outono-inverno 2009: Brigitte Bardot, Jane Birkin, Grace Kelly e Gérard Depardieu. Um master class de glamour com pinceladas de bleu, blanc e rouge. “Acho chic!”, como diria Ailton Pimentel, saudoso amigo (e jornalistão dos bons) que há exatamente um ano subiu para o andar de cima…

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Décor, Design Tags: , , , , ,
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