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11/03/2010 - 14:09

Teste Vocacional

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Uma vez visitei uma olaria no Chile e, babão que sou, aceitei o convite simpático da artesã para botar a mão na massa – era um sonho antigo, desde a minha primeira infância, quando vi aquela cena canastrona da Demi Moore com o saudoso Patrick Swayze, em “Ghost”. Depois de, involuntariamente, moldar um shape quase pornográfico e travar o torno da mulher, não só paguei um mico maior que o King Kong, como percebi que não tenho a menor coordenação motora para o assunto. Talvez numa próxima encarnação, quem sabe, volto um escultor dos bons.

Inaptdões à parte, continuo morrendo de amores pelas artes cerâmicas. Das fornadas mais recentes, pincei três peças fabulosas que, sem nenhuma pretensão, caem como uma luva neste meu puxadinho (reparem nas cores). Infelizmente, só uma delas me pertence (adivinhe qual), mas um dia a gente chega lá!

Abajur-escândalo do top decorator (e top ceramista) norteamericano Jonathan Adler. Boa notícia: tem aqui na Conceito: firmacasa

Vaso italiano vazado, design dos arquitetos italianos Massimiliano e Doriana Fuksas, para a Alessi

Centro de mesa da ceramista brasileira Kimi Nii, para a Saccaro

+ www.conceitofirmacasa.com.br

+ www.alessi.com

+ www.saccaro.com.br

Autor: - Categoria(s): Design Tags: , , , , , , ,
02/02/2010 - 19:02

O canto das sereias

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Tava aqui ouvindo um batuquinho vintage da Marisa Monte (“Oguntê, Marabô, Caiala e Sobá, Oloxum, Ynaê, Janaina e Yemanjá…”) e já emendei uns pontinhos de macumba que a-d-o-r-o na voz da Bethânia. Já ouviu? Assino e dou fé – joga no Google e confere, ou clica no vídeo do You Tube que colei lá embaixo.

Dois de fevereiro ensolarado no ar (até o temporal não despencar, pelo menos), com todos os caprichos que ela, senhora de todas as águas, tem direito.

Enquanto os devotos despacham suas oferendas a Iemanjá em todo o litoral brasileiro (principalmente lá em cima, nas enseadas baianas), faço minha mandinga aqui mesmo, com essa seleção de cerâmicas azuis (cor predileta da mãe dos mares), pinçada da italiana Bitossi  (www.bitossiceramiche.it).

bitossi ceramiche 1

Uma das mais tradicionais fábricas de cerâmica da Itália (que a partir dos anos 50 ganhou fama ao incrementar as vitrines mais badaladas do mundo, como Bloomingdale’s, Harrods, Galeries Lafayette, Takashimaya e por aí vai), a firma funciona desde 1921 sob o domínio de uma família que dedicou-se desde sempre ao ofício. Hoje, a herdeira Flavia Bitossi coordena a linha de produção, que contempla tanto criações exclusivas da grife como reedições de Zanini, Fornasetti (tem algo mais bacana do que Fornasetti no mundo?), Sowden, Du Pasquier, Palma e Vannicola, entre outros figurões. Não são incríveis?

bitossi ceramiche 2

Nem deu tempo de terminar o post: agora sim, chove a cântaros na capital. Se tivesse um barquinho, faria meu agrado para a mais glam dos orixás aqui na esquina da Avenida Brasil mesmo, já que a Paulicéia anda vivendo dias de correntezas, canais e pântanos urbanos de fazer inveja a Veneza.

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: ,
17/09/2009 - 20:30

Um salve para as divas

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Ainda estou contaminado pelas cerâmicas deslumbrantes que vi lá na Cote d’Azur, mais precisamente na cidadela de Vallauris. Fomos conferir uma exposição incrível, num lugar não menos incrível: o Museu Municipal Magnelli. Até dezembro, eles apresentam uma coleção bárbara sobre o trabalho da família Massiers, os cardeais dessa arte. Imagine você que o museu instalado desde 1977 numa antiga abadia, tem uma capela romana que abriga, na sua abóbada, dois painéis pintados em 1952 por ninguém menos que Picasso! Aliás, o museu também tem no acervo vasos e pratos über-inacreditáveis traçados pelo mestre. Très chic!

Outra curiosidade do pequeno condado: Jean Marais, galã do cinema francês nos anos dourados (lembra de A Bela e a Fera?), se dividia entre os sets de filmagem e as cerâmicas. Essa segunda faceta artística pode ser conferida no museu que leva seu nome. Babado forte: Marais foi amante de outro Jean célebre que arrasava nas cerâmicas: Cocteau.

Sem querer ser venenoso (e já sendo), foi no museu Jean Marais que descobri de onde vem boa parte das ideias geniais do americano, considerado um gênio ceramista, Jonathan Adler. (“cooooooooooooooobra“, diria meu amigo Sergio Germano!).

De volta ao que interessa, o post do dia homenageia duas divas gringas das cerâmicas cujo trabalho é de uma poética comovente: Eva Zeisel e Gwyn Hanssen Pigott.

3_Eva Zeisel

Julius Wiedmann, nosso correspondente em Londres, escreveu sobre Eva (www.evazeisel.org) na Casa Vogue desse mês. Vai lá ver! Em plena atividade aos 104 anos de idade, a artista húngara é considerada a fina flor do gênero, com várias condecorações de design no currículo. A sensibilidade para curvas e sua percepção única de sensualidade ajudam a esculpir coleções utilitárias para, de fato, serem usadas, algo que a própria sempre enfatizou. Até mesmo em relação ao fato de serem modulares e economizar espaço na hora de guardar (note que boa parte delas não possui pegas, alças e afins, sem perder a ergonomia).

2_Eva Zeisel II

Há alguns anos, Flávia Rocha escreveu sobre outra grande dama que dá vida ao barro: Gwyn Hanssen Pigott. Formada em História da Arte, desde os anos 50, a artista australiana arrasa numa produção cheia de referências estéticas de outras épocas. A inspiração vem da grande paixão de Gwyn: as cerâmicas chinesas e coreanas. Mas o shape é pessoal e intransferível, com um desenho moderno que não despreza certa rusticidade orgânica. Lindo de ver – e maravilhoso de ter.

4_Gwyn

7_Gwyn 4

Por falar em divas, tenho recebido muitos e-mails a respeito da matéria que escrevi na Vogue de setembro sobre o come back (triunfal) de Whitney Houston – adoooooooooro aquela mulher com tantos “os” que nem caberiam aqui. Atormentada pelas drogas, a artista feminina mais premiada do mundo foi ao inferno e voltou. De alta do rehab, acaba de lançar um álbum quase biográfico que a coloca de volta no topo (ela está liderando as vendas fonográficas no mundo, tá?). Ontem, na abertura da nova temporada do The Oprah Winfrey Show, a apresentadora se debulhou em lágrimas com a apresentação de Whitney. O GNT vai exibir o programa no Brasil em duas partes (21 e 22 de setembro), como foi lá nos EUA (14 e 15). Enquanto a gente não vê a entrevista bombástica, colo aqui o vídeo que pesquei no Youtube. Pode me chamar de cafona, mas fiquei arrepiadíssimo. Salvem as divas!

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Design Tags: , , , , , , , ,
09/09/2009 - 22:59

Sacada boa

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Há alguns anos (uns sete, talvez oito), estive lá na fábrica da Saccaro, em Caxias do Sul, região linda debruçada sobre  as colinas da Serra Gaúcha, recheada de casinhas bucólicas de inspiração europeia, vinhedos de pedra e parreirais robustos (até hoje nunca vi uvas tão grandes, embora tenha visitado algumas plantações na França, Portugal, Itália, Chile e Argentina, por exemplo)… Enfim, aquela paisagem típica do interior do Rio Grande do Sul. Na época, a grife começava a investir pesado em design, com uma variedade sem fim de novos nomes e apostas, sem perder a tradição artesanal – eles começaram mais de 50 anos atrás, produzindo cestarias de vime. Apesar da parafernália tecnológica, o acabamento era completamente hand made, com funcionários habilidosos trançando as fibras (sintéticas e naturais) em cada peça, sob o comando quase paternal dos irmãos Saccaro.

Entre erros e acertos, o saldo é uma das marcas mais poderosas da indústria moveleira do país. E essa evolução está cada vez mais óbvia em coleções tipo exportação, que fazem sucesso dentro e fora do país. O mais legal é que eles se arriscam também em outras searas, como a da cerâmica (para mim, a mais poética das artes decorativas, como já escrevi aqui), mordendo uma nova vertente plástica e incentivando um nicho que dificilmente tem chance em escala industrial. E foram direto ao epicentro do furacão, convocando quem realmente entende do riscado. Todo esse nhenhenhê para dizer que estou completamente apaixonado pelas peças da Kimi Nii (www.kiminii.com.br), uma das maiores artistas brasucas do gênero, que assina a coleção exclusiva que colo aqui. Em escala industrial, vírgula: no caso, são apenas 30 modelos numerados de cada uma das peças desenvolvidas – bowl grande, pequeno e centro de mesa.  O grande barato dessa arte é que as cerâmicas, moldadas manualmente e queimadas em alta temperatura, variam o shape, o peso, a cor e as dimensões, como quase tudo aquilo que não disfarça sua origem orgânica. Disponível em verde, preto e azul claro (a cor da vez, aqui e na Riviera, lembra?).

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21/08/2009 - 18:48

O “F” que faltava

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A 6F Decorações (www.6f.com.br) incrementa a coleção 2009 com um “F” a mais. Monsieur Fabrizio Rollo (veja o que já publiquei sobre ele aqui) assina uma linha exclusiva para a marca. Claro que, em se tratando deste meu nobre colega, não é nada que a gente já tenha visto, pelo menos em cerâmicas (venhamos e convenhamos: arabescos, florais e outras pinturas clássicas, tudo bem, mas estamparia em op, é a primeira vez, né?).

Inspirado na psicodelia da optical art, Fabrizio converteu essa ilusão de ótica em estampas para potiches, vasos e garden seats, deixando essas peças de shape milenar com uma cara absolutamente moderninha. Projetadas no Brasil e desenvolvidas na China, quadradinho por quadradinho, cada acessório pode levar até seis meses para ficar pronto. Um luxo, né?

Queria aproveitar a arte milenar da porcelana pintada em azul e branco, sem interferir na técnica, mas sugerindo um grafismo diferente, tirando o máximo partido da sabedoria e precisão desses artesãos”, me contou Fabrizio. “De longe, a pintura é exata, simétrica. De perto, pequenas imperfeições acentuam o charme artesanal. Por isso fiz questão que elas fossem feitas a mão”, continua o designer, que insistiu na manufatura para garantir o efeito que não conseguiria com decalques, adesivos, apliques ou outros artifícios industriais. “É um trabalho muito minucioso. Até o tom da tinta de cada quadrado depende da força que o artista coloca na pincelada. Aí é que está a sofisticação”.

Haja paciência oriental para tanto detalhe.  “Vários ateliês chineses rejeitaram o pedido”, brinca Fabrizio. Consigo até visualizar a cara do chinês se descabelando com o pincel na mão e as vistas embaralhadas. Entenda o por quê na sequência:

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: , , , ,
21/08/2009 - 18:48

O "F" que faltava

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A 6F Decorações (www.6f.com.br) incrementa a coleção 2009 com um “F” a mais. Monsieur Fabrizio Rollo (veja o que já publiquei sobre ele aqui) assina uma linha exclusiva para a marca. Claro que, em se tratando deste meu nobre colega, não é nada que a gente já tenha visto, pelo menos em cerâmicas (venhamos e convenhamos: arabescos, florais e outras pinturas clássicas, tudo bem, mas estamparia em op, é a primeira vez, né?).

Inspirado na psicodelia da optical art, Fabrizio converteu essa ilusão de ótica em estampas para potiches, vasos e garden seats, deixando essas peças de shape milenar com uma cara absolutamente moderninha. Projetadas no Brasil e desenvolvidas na China, quadradinho por quadradinho, cada acessório pode levar até seis meses para ficar pronto. Um luxo, né?

Queria aproveitar a arte milenar da porcelana pintada em azul e branco, sem interferir na técnica, mas sugerindo um grafismo diferente, tirando o máximo partido da sabedoria e precisão desses artesãos”, me contou Fabrizio. “De longe, a pintura é exata, simétrica. De perto, pequenas imperfeições acentuam o charme artesanal. Por isso fiz questão que elas fossem feitas a mão”, continua o designer, que insistiu na manufatura para garantir o efeito que não conseguiria com decalques, adesivos, apliques ou outros artifícios industriais. “É um trabalho muito minucioso. Até o tom da tinta de cada quadrado depende da força que o artista coloca na pincelada. Aí é que está a sofisticação”.

Haja paciência oriental para tanto detalhe.  “Vários ateliês chineses rejeitaram o pedido”, brinca Fabrizio. Consigo até visualizar a cara do chinês se descabelando com o pincel na mão e as vistas embaralhadas. Entenda o por quê na sequência:

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