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11/02/2010 - 22:57

Cobogó

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Semana passada falei com o Fernando Campana, que tá correndo mais do que nunca (ele estava afivelando as malas para mais uma temporada europeia de trabalho árduo ao lado do mano Humberto). E quando eles dão duro, os maníacos por design agradecem. Entre as novidades da safra, por exemplo, os big brothers lançam (pela italiana Plus Design) essa mesa “Cobogó”. Sacou o nome tupiniquim?

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O cobogó, aquele tijolo de cerâmica ornamentado e vazadinho, super usado no Brasil para filtrar a luz solar e permitir boa ventilação, empresta mais do que o nome e a inspiração para a peça, já que entra  em cena como elemento fundido ao tampo, interrompendo a superfície plana com desenhos irregulares. Os Campana exploram esse recurso arquitetônico com poesia: a luz que passa pelo cobogó projeta uma sombra rendada no chão, linda de ver.

+ Veja mais no www.plusdesigngallery.it

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13/10/2009 - 10:01

Com a corda toda

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Post ligeirinho à moda da pizza napolitana que estamos degustando – é o que tem para hoje, no meio do fechamento: cadeira “Vermelha”, peça-ícone do portfólio dos Irmãos Campana que leva 450 metros de fio, reeditada pela Vitra (www.vitra.com), em versão patriota com as cores da bandeira italiana. A máfia “colontoniana” aprovou. ;)

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31/07/2009 - 14:52

Guerra dos Mundos

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Não agüento mais a palavra sustentabilidade – o verbete é tão exaustivamente aplicado, que quem realmente leva a coisa a sério chega a ficar com as bochechas mais coradas do que uma maçã do amor ao se deparar com tanto emprego indevido. Sabe aquela coisa de vergonha alheia? Pois é: eu tenho. Venhamos e convenhamos que responsabilidade ambiental já não era mais uma questão de opção, desde que eu nasci, lá na segunda metade da década de 70. Imagine agora, mais de 30 anos depois, com a camada de ozônio pedindo arrego, as matas cada vez mais anorexas, as águas minguando e a bicharada virando excentricidade em museu… Quem não é sustentável deveria ser banido do mercado – e do planeta. Ponto. A conversa aí em cima introduz uma tendência que não é nenhuma novidade no design, mas que vive dias de revival neste terceiro milênio de “verdades inconvenientes” (alguém aí viu o filme do Al Gore?), quando quase todas as possibilidades de forma e conteúdo foram drenadas do imaginário e os recursos se esgotam a passos largos: a biomímica ou biomimetismo (imitação das formas e funções da natureza).

No site do SPFW, o über-editor, über-antenado e über-amado André Rodrigues fez uma aposta no trabalho do designer coreano Chul An Kwak, autor dessas mesas que simulam os tentáculos de um polvo (embora o criador afirme que a inspiração real são os cavalos de corrida). A ideia de ter um móvel de look alienígena, que parece que vai sair correndo atrás da gente a qualquer momento, é um tanto quanto aflitiva. Mas a peça tem lá sua genialidade, ninguém pode negar. O fato é que Chul An Kwak tá ganhando a cena além das fronteiras de sua Seoul, caindo como um boné no gosto, digamos, meio extravagante, dos rappers. Sabe quem é o maior cliente do cara? Kanye West.


Lulalá: parece um polvo, mas não é.  As mesas do designer coreano Chul An Kwak usa tentáculos de madeira nos pés

Provavelmente o Kanye não saiba que bem antes do coreano, no Brasil, logo ali nas Alagoas, um artesão conhecido como Seu Fernando já juntava troncos desmatados, raízes trançadas, tocos retorcidos, galhos secos, madeiras desprezadas e que tais, para esculpir mesas, cadeiras e bancos de efeito mimético (bloguei a história dele há alguns meses).


Resto de toco: banquinho mimético do Seu Fernando, artesão lendário da Ilha do Ferro, falecido recentemente

Talvez pelo charme brejeiro da nossa geografia, detentora de uma das naturezas mais exuberantes do mundo, a tropicália combine tanto com a estética alien-brüt (mais natureba do que marciana, no caso dos tupiniquins). Seja nas culturas caiçaras, caipiras ou urbanas desses brasis, a biomímica sempre teve espaço por aqui, com seus inúmeros sotaques. O banco assinado pela paisagista Renata Tilli (nu e cru, feito por uma artista que não é designer, mas que lida com plantas) e a luminária da Puntoluce (simbiose entre aspereza orgânica e luxo refinado) são dois exemplos categóricos.


Natureba em duas versões nada marcianas: o abajur de tronco rústico encontra a finesse da cúpula contemporânea by Puntoluce; a cadeira de galhos secos é criação da paisagista Renata Tilli

Clássicos da mesma escola (dissecados muitas vezes neste blog), Hugo França e Pedro Petry alimentam uma produção que se apropria dos resíduos florestais desprezados pelo homem, interferindo minimamente neles.  Julia Krantz (uma das minhas prediletas) acompanha a toada, com seu belo traço em busca do efeito in natura.


Brasileirinho: bowls de Pedro Petry, banco de Hugo França (no alto) e namoradeira de Julia Krantz

Em tempos de globalização imediata, o estilo se expande sem limites geográficos. Os europeus (principalmente os ingleses e franceses), em todas as épocas, se apropriaram da natureza para enfeitar sua mobília, a exemplo da escrivaninha garimpada por Juliana Benfatti, em Londres. Do mesmo fog, o sangue-novo Peter Marigold, formado pelo Royal College of Art, ataca com tudo no handmade, com o máximo cuidado para manter a madeira o mais natural possível, lidando com formas assimétricas e  tirando partido da irregularidade como ponto alto, caso da estante Split.


London, London: escrivaninha inglesa garimpada por Juliana Benfatti e estante irregular do designer londrino Peter Marigold, com galhos secos

O espanhol Nacho Carbonell, outro nome quente no panorama atual, obcecado pela luta contra o consumismo e desperdício desenfreados, só constrói suas invenções com material eco-friendly. E leva o conceito às últimas consequências, produzindo obras que chegam a incomodar, de tão uterinas: “Vejo as minhas criações como organismos vivos, capazes de surpreender com seu comportamento, que interage com o ser humano”, contou em entrevista à Taissa Buesco, para Casa Vogue. Com tempero surrealista, uma de suas mobílias mais polêmicas parece um ninho de joão-de-barro ou coisa que o valha. E assusta os incautos!


Volta ao ninho: criações do espanhol Nacho Carbonell. As cadeiras parecem o ninho do joão-de-barro, enquanto o sofá se enche de ar quando a gente senta, levantando o galho e dando a sensação de companhia

Na outra ponta da corda, com uma matéria bem mais obediente ao manuseio, a argila, o norte-americano Peter Lane faz vasos, luminárias, móveis e outros objetos  inspirados em lavas vulcânicas, colmeias de abelha, barro rachado, formações glaciais, frutas, flores, bichos. Com sua  técnica de queima guardada a sete chaves, o ceramista explora esse efeito petrificado, que lembra esculturas nas rochas.


Terra do nunca: mimetismo petrificado nas cerâmicas de Peter Lane

Sintética na matéria, mas absolutamente mimética no look, a poltrona Anêmona, uma das peças mais manjadas do portfólio dos big brothers Campana, causaria espanto aos americanos que caíram no maior trote da história, armado por Orson Welles naquela transmissão de rádio em que ele alertava o mundo sobre uma invasão de extra-terrestres. Com materiais quase ordinários, repaginados em shape sci- fi glamouroso, a cadeira também parece prestes a nos engolir. Mais mimético, impossível.


Cloverfield: com seu jeito simpático de monstrengo marinho, a poltrona Anêmona, dos big brothers Campana, faz a mímese no shape, com material sintético

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18/06/2009 - 20:34

Cartas a um jovem designer

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Estou dando uma folheada no interessantíssimo “Cartas a um jovem designer”, livro que os big brothers Campana lançaram há alguns dias, lá na Firma Casa (já comentei aqui, an passant), pela editora Campus-Elsevier (a detentora da série “Cartas a um jovem…”, que já publicou desde Fernando Henrique Cardoso – “Cartas a um jovem politico”, a Marília Pêra – “Cartas a uma jovem atriz” e Alexandre Herchcovitch – “Cartas a um jovem estilista”, cujo texto original fora escrito pelo saudoso amigo Ailton Pimentel; entre outros correios bem endereçados a pupilos entusiasmados).

Não vou descarregar aqui, pela enésima vez, aquele container de elogios sobre os caras, mas olha só que bacana esse trecho: “É preciso olhar para além do produto ou componente, sem preconceitos, ou seja, sem conceitos pré-formados. Só assim é possível deslocar os ralos de esgoto doméstico, feitos de plástico branco, para compor um tampo de mesa de refeição”, contam eles, entre um e outro case que combina a teoria e a prática da profissão, tanto para quem quer seguir carreira, quanto para os leitores interessados em saber um pouco mais sobre o assunto.

Enquanto o livro bomba nas boas lojas do ramo, os Campana continuam segurando a onda na elite do design internacional. Em cartaz no Vitra Design Museum (www.design-museum.com) – aquele projetado por ninguém menos que Frank Gehry, na Alemanha -, a exposição Antibodies revê os 20 anos de carreira da dupla, com um apanhadão geral dessa produção que catapultou o subversivo ao superpop, o lixo ao luxo, a reciclagem ao design estrelado, o ordinário ao extraordinário.

Agora vou lá no SPFW, que acontece no prédio da Bienal em São Paulo até o próximo dia 22, ver o que tem de bom – entre a moda e o design, existem muito mais coisas do que a nossa vã filosofia pode supor – e depois conto pra vocês. Abraços!

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06/05/2009 - 18:28

Campana em campanha

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E os big brothers Campana continuam firmes e fortes no top list dos criadores que desfilam suas invencionices em Milão. Com crise e tudo, Fernando e Humberto levaram para o Salão Internacional do Móvel (Salone del Mobile) aquela ousadia característica, que a cada ano todo mundo fica louco para ver.

Aliás, crise, para eles, parece combustível, considerando o conceito de reciclagem que sempre envolve os seus trabalhos, muitas vezes esculpidos em matéria-prima baratinha, baratinha. Para colorir o post de hoje, uma seleção dos destaques que ganharam os holofotes sob a chancela de grandes fabricantes: Skiltsch (poltrona vermelha); Bernardaud (esculturas funcionais de porcelana com braços) e Edra (sofá Cipria, coloridíssimo; Segreto, container de aço e alumínio brilhante sobre rodas; espelho Mirage).

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07/04/2009 - 17:38

Design sem fronteiras

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Na foto acima, a poltrona “Diz”, de Sérgio Rodrigues / foto: Divulgação

O MAM (www.mam.org.br) estreia hoje, a partir das 20h, a expo “Design brasileiro hoje: fronteiras”. Com curadoria da sabe-tudo Adélia Borges (juro que não conheço ninguém mais expert no assunto do que ela), a mostra explora a produção atual nas mais diversas áreas. O objetivo é apontar a relevância global e a multidisciplinaridade inerente ao design produzido atualmente no país, por meio de peças utilitárias com vocações antagônicas, de móveis a objetos, equipamentos, veículos, acessórios, livros, embalagens, luminárias, vinhetas e apresentações para tevê e cinema, etc. Dessa forma (ou através dessas formas, como preferir), será possível perceber como o design permeia o cotidiano das pessoas (e acredite: ele está em tudo aquilo que você vê).

Capa do livro sobre André Lima na coleção “Moda Brasileira”, da Cosac Naify / foto: Divulgação

Olho no descritivo: Com uma posição assegurada no cenário internacional, o design brasileiro vê neste início de século a ampliação de suas fronteiras internas, possibilitando a descoberta de olhares diferenciados em todos os cantos do Brasil. A criação nessa área deixa de ser algo restrito às grandes metrópoles ou trazido do exterior.

Faqueiro “Riva”, de Arthur Casas e Rubens Simões / foto: Divulgação

O recorte da mostra são projetos recentes, do século 21, de maneira a mostrar um momento em que o design no Brasil floresce como nunca em sua história. Internamente, assiste-se à expansão das divisas geográficas, com a atividade se disseminando por praticamente todos os Estados do país. No cenário internacional, há um crescente reconhecimento e penetração do design brasileiro, celebrado por atributos como inventividade e criatividade. Nesta seleção, a idéia “não é fazer um ranking dos melhores, muito menos de traçar um panorama exaustivo de uma produção que é vasta e plural“, nas palavras da curadora. O que se busca é mostrar a amplitude e variedade de um campo que só vem se desenvolvendo e profissionalizando cada vez mais por todo o país.

Mesa “Seis”, do (meu favorito) Marcelo Rosembaum / foto: Divulgação

Assim, ao lado das famosas sandálias Melissa desenhadas pelos irmãos Campana,  figuram as bijuterias de borracha de autoria de Marzio Fiorini. A vassoura Noviça, produzida pela Bettanin e criada por Liane Schames Kreitchmann, se junta à lavadora de roupas desmontável Superpop, de Chelles e Hayashi Design. Frequentemente, profissionais de outros campos de atuação cruzam a fronteira do design: o artista Guto Lacaz emprestou sua inventividade para a Tok Stok na forma do porta-revistas Zig Zag; a identidade visual do Colégio Vera Cruz ficou a cargo de Alexandre Wollner, um dos expoentes do concretismo; o arquiteto Isay Weinfeld é representado na mostra pela fruteira de sua criação (veja lista completa dos participantes abaixo).

Anel “Puzzle Mix”, de Antonio Bernardo / foto: Divulgação

Sintetizando, é por meio dessas intersecções e múltiplas possibilidades que o design vem saindo das pranchetas especializadas para as prateleiras de lojas de todos os tipos e segmentos, provando que o design brasileiro alia praticidade, beleza e inovação ao cotidiano. Como define Adélia Borges, “se a contemporaneidade dilui as fronteiras, o design é por definição a atividade em que elas se interpenetram, em projetos em que a inventividade se põe a serviço de um cotidiano e de um mundo melhores para todos nós“, diz.

A clássica sandália Melissa interpretada pelos Irmãos Campana / foto: Divulgação

Em cartaz até 28 de junho.

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20/08/2008 - 12:56

No pé dos Campana

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Nem só de Zaha Hadid vivem os hypes da Melissa. Velhos parceiros da marca, os big brothers Fernando e Humberto Campana (www.campanas.com.br) bolaram outro modelón para provocar os fashionistas e os aficcionados por design. O ponto de partida do novo sapatinho é a poltrona Corallo, peça premiadíssima da duplinha. Nesta versão, os fios emaranhados da sapatilha abraçam os pés. Para fazer o look total “teia de intrigas”, eles inventaram uma bolsa com o mesmo borogodó.


Como tudo aquilo em que os meninos botam as mãos têm a ver com sustentabilidade e desenvolvimento, é claro que a linha Campana Corallo para Melissa leva 30% de PVC reciclado na fabricação. Mais: parte da venda dos produtos será revertida para a ONG Visão Mundial de Recife, instituição que Fe + Hum não só conhecem de perto como colaboram há tempos. Sem enrolação.

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