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31/03/2010 - 22:02

Faroeste Caboclo

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Adorei essa imagem que acabo de receber como prévia da sexta edição da revista “Way Design”, magazine da marca carioca homônima que aposta em talentos brasucas. Na matéria “Out of reality”, a jornalista Elda Priami escreveu: “Neste mundo multipolarizado, a arquitetura e o design ganham formas surrealistas. Às vezes, os projetos desafiam até a lei da gravidade, mas há muito espaço para pensar em algo que ainda não existe e… surpreender. Pode estar na aparente simplicidade o desafio do novo. “

Com essa ideia na cabeça e um maço de feno (virtual) nas mãos, Sergio Fahrer mandou ver neste sofá em look “mundo de Marlboro”. Com a palavra, o designer: “Este sofá seria feito de feno. É uma peça que ainda não existe, pois nunca foi fabricada. Se ele existir, vai cumprir sua função de sofá e passará a não existir no momento em que quisermos. Podemos sentar nele para relaxar (principalmente se estivermos no campo) e, quando não o quisermos mais, deixamos que um animal se alimente dele. Neste momento, o sofá passa a não existir de novo, pois virou o alimento para o animal, que se transformará em adubo para a terra, onde o feno voltará a crescer. Se quisermos, ele pode virar um sofá novamente. É o produto mais perfeito do mundo, pois tem design, função específica e atende a toda a cadeia produtiva, alimentar, de reciclagem, sem poluir o meio ambiente”, explica.

Para saber o resto, é só esperar a publicação, que roda no circuito a partir do dia 6 de abril.

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31/07/2009 - 14:52

Guerra dos Mundos

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Não agüento mais a palavra sustentabilidade – o verbete é tão exaustivamente aplicado, que quem realmente leva a coisa a sério chega a ficar com as bochechas mais coradas do que uma maçã do amor ao se deparar com tanto emprego indevido. Sabe aquela coisa de vergonha alheia? Pois é: eu tenho. Venhamos e convenhamos que responsabilidade ambiental já não era mais uma questão de opção, desde que eu nasci, lá na segunda metade da década de 70. Imagine agora, mais de 30 anos depois, com a camada de ozônio pedindo arrego, as matas cada vez mais anorexas, as águas minguando e a bicharada virando excentricidade em museu… Quem não é sustentável deveria ser banido do mercado – e do planeta. Ponto. A conversa aí em cima introduz uma tendência que não é nenhuma novidade no design, mas que vive dias de revival neste terceiro milênio de “verdades inconvenientes” (alguém aí viu o filme do Al Gore?), quando quase todas as possibilidades de forma e conteúdo foram drenadas do imaginário e os recursos se esgotam a passos largos: a biomímica ou biomimetismo (imitação das formas e funções da natureza).

No site do SPFW, o über-editor, über-antenado e über-amado André Rodrigues fez uma aposta no trabalho do designer coreano Chul An Kwak, autor dessas mesas que simulam os tentáculos de um polvo (embora o criador afirme que a inspiração real são os cavalos de corrida). A ideia de ter um móvel de look alienígena, que parece que vai sair correndo atrás da gente a qualquer momento, é um tanto quanto aflitiva. Mas a peça tem lá sua genialidade, ninguém pode negar. O fato é que Chul An Kwak tá ganhando a cena além das fronteiras de sua Seoul, caindo como um boné no gosto, digamos, meio extravagante, dos rappers. Sabe quem é o maior cliente do cara? Kanye West.


Lulalá: parece um polvo, mas não é.  As mesas do designer coreano Chul An Kwak usa tentáculos de madeira nos pés

Provavelmente o Kanye não saiba que bem antes do coreano, no Brasil, logo ali nas Alagoas, um artesão conhecido como Seu Fernando já juntava troncos desmatados, raízes trançadas, tocos retorcidos, galhos secos, madeiras desprezadas e que tais, para esculpir mesas, cadeiras e bancos de efeito mimético (bloguei a história dele há alguns meses).


Resto de toco: banquinho mimético do Seu Fernando, artesão lendário da Ilha do Ferro, falecido recentemente

Talvez pelo charme brejeiro da nossa geografia, detentora de uma das naturezas mais exuberantes do mundo, a tropicália combine tanto com a estética alien-brüt (mais natureba do que marciana, no caso dos tupiniquins). Seja nas culturas caiçaras, caipiras ou urbanas desses brasis, a biomímica sempre teve espaço por aqui, com seus inúmeros sotaques. O banco assinado pela paisagista Renata Tilli (nu e cru, feito por uma artista que não é designer, mas que lida com plantas) e a luminária da Puntoluce (simbiose entre aspereza orgânica e luxo refinado) são dois exemplos categóricos.


Natureba em duas versões nada marcianas: o abajur de tronco rústico encontra a finesse da cúpula contemporânea by Puntoluce; a cadeira de galhos secos é criação da paisagista Renata Tilli

Clássicos da mesma escola (dissecados muitas vezes neste blog), Hugo França e Pedro Petry alimentam uma produção que se apropria dos resíduos florestais desprezados pelo homem, interferindo minimamente neles.  Julia Krantz (uma das minhas prediletas) acompanha a toada, com seu belo traço em busca do efeito in natura.


Brasileirinho: bowls de Pedro Petry, banco de Hugo França (no alto) e namoradeira de Julia Krantz

Em tempos de globalização imediata, o estilo se expande sem limites geográficos. Os europeus (principalmente os ingleses e franceses), em todas as épocas, se apropriaram da natureza para enfeitar sua mobília, a exemplo da escrivaninha garimpada por Juliana Benfatti, em Londres. Do mesmo fog, o sangue-novo Peter Marigold, formado pelo Royal College of Art, ataca com tudo no handmade, com o máximo cuidado para manter a madeira o mais natural possível, lidando com formas assimétricas e  tirando partido da irregularidade como ponto alto, caso da estante Split.


London, London: escrivaninha inglesa garimpada por Juliana Benfatti e estante irregular do designer londrino Peter Marigold, com galhos secos

O espanhol Nacho Carbonell, outro nome quente no panorama atual, obcecado pela luta contra o consumismo e desperdício desenfreados, só constrói suas invenções com material eco-friendly. E leva o conceito às últimas consequências, produzindo obras que chegam a incomodar, de tão uterinas: “Vejo as minhas criações como organismos vivos, capazes de surpreender com seu comportamento, que interage com o ser humano”, contou em entrevista à Taissa Buesco, para Casa Vogue. Com tempero surrealista, uma de suas mobílias mais polêmicas parece um ninho de joão-de-barro ou coisa que o valha. E assusta os incautos!


Volta ao ninho: criações do espanhol Nacho Carbonell. As cadeiras parecem o ninho do joão-de-barro, enquanto o sofá se enche de ar quando a gente senta, levantando o galho e dando a sensação de companhia

Na outra ponta da corda, com uma matéria bem mais obediente ao manuseio, a argila, o norte-americano Peter Lane faz vasos, luminárias, móveis e outros objetos  inspirados em lavas vulcânicas, colmeias de abelha, barro rachado, formações glaciais, frutas, flores, bichos. Com sua  técnica de queima guardada a sete chaves, o ceramista explora esse efeito petrificado, que lembra esculturas nas rochas.


Terra do nunca: mimetismo petrificado nas cerâmicas de Peter Lane

Sintética na matéria, mas absolutamente mimética no look, a poltrona Anêmona, uma das peças mais manjadas do portfólio dos big brothers Campana, causaria espanto aos americanos que caíram no maior trote da história, armado por Orson Welles naquela transmissão de rádio em que ele alertava o mundo sobre uma invasão de extra-terrestres. Com materiais quase ordinários, repaginados em shape sci- fi glamouroso, a cadeira também parece prestes a nos engolir. Mais mimético, impossível.


Cloverfield: com seu jeito simpático de monstrengo marinho, a poltrona Anêmona, dos big brothers Campana, faz a mímese no shape, com material sintético

Autor: - Categoria(s): Artes, Décor, Design Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
28/11/2008 - 11:55

Coral é mara!

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Fiquei bege, passado, engomado e pendurado no cabide com a repercussão do post dos corais. Levei mais torta na cara do que a Anna Wintour durante aquele ataque do Peta. Calma, calma minha gente! Basta dar uma rolada aí embaixo para sacar que este blog apóia incondicionalmente o design sustentável, o Greenpeace, o Projeto Tamar, as baleias-azuis, as foquinhas-monge, os dentinhos dos elefantes, as casquinhas de siri e os pandas da minha espécie.

No meu Orkut, por exemplo, participo da comunidade “não como fígado de ganso (nem de pato!)”. Quando me dei conta do bombardeio, li e reli o texto 80 vezes em busca de algum trecho onde supostamente tenha feito apologia à depredação do planeta, instigado a pesca ilegal ou favorecido o comércio dos corais originais. Não encontrei nadica além do avesso disso tudo, no trecho mais óbvio que reproduzo aqui e agora: Aposte nas opções que não prejudicam a natureza e têm um grande efeito. Produzidos em cerâmica, metal, resina ou cimento, a onda dos corais volta com apelo. Agora a tendência maior é salvar este ser fascinante e investir em estampas, gravuras, pinturas e outras matérias fakes”. Aqui e agora, uma seleção das imitações que não fazem mal a ninguém – muito menos ao planeta.

Para quem não entendeu o começo jocoso do post de ontem e a menção honrosa à vendedora da Ilha de Capri, me fiz entender em todas as letras nas linhas seguintes do fatídico relato. Das duas, uma: quem me apedrejou não leu o post até o final; ou tem sérios problemas de interpretação de texto. De qualquer forma, serei generoso e explicarei do jeitinho mais didático possível. Presta atenção no titio: Corais originais, dessespescados no fundo do mar, não são legais. Fuja deles como o diabo da cruz!
Mas as imitações de coral em resina, cimento, concreto, metal, gesso, cerâmica, porcelana e massa encefálica ou coisa que o valha, estão com tudo. São as formas da natureza que o design copia para deixar o look da casa mais estiloso.

Agora, cá entre nós, gosto é igual cabeça: cada um tem a sua. Eu defendo o shape do coral como objeto de adorno no décor não por estar na moda, mas porquê eu acho lindo mesmo. Se você não gosta, ótimo. Eu adoro e vou continuar gostando. E lamento informar que corais (os fakes, que fique bem claro) são o que há de mais “IN” no décor – e eu não lanço nenhuma tendência, apenas reporto o que rola por aí.

Em tempo: todos os corais que eu colei nesse post e no anterior são de mentirinha – incluindo a base da mesa, feita do mais puro ferro. Obrigado a todos que saíram em minha defesa.

Tô com o Seu Ladir e não abro: “coral é mara!”

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: , , ,
27/11/2008 - 11:57

Cora Coralina

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Corais são a minha criptonita (quem acompanha o blog, sabe). Não que eu não possa chegar perto deles, ao contrário: me esparramo feito manteiga aviação quando vejo. Levei um pito homérico por causa de um, semanas atrás, durante o meu périplo mediterrâneo. Explico: desembarquei na Ilha de Capri, Nápoles, obstinado: traria um coral vistoso de lá. Na primeira lojinha, o instinto falou mais alto, e lá fui eu, cheio de atitude brasileirinha, botar a mão na peça para ver se era mesmo de verdade. “Porca miséria!”, gritou a Mama Bruscheta que comercializava os intocáveis. Não era para menos: ele custava parcos 12 mil euros. Saí de lá mais corado do que o meu objeto de desejo. E embora tenha garimpado cada esquina daquele balneário de fina estampa (que, diga-se de passagem, é a cara da Ilha Bela, um pouco mais metida a besta, é claro, com suas Pradas, Balenciagas e Comme des Garçons), não achei nenhunzinho da silva que coubesse no meu budget.


Voltei para o barquinho frustradíssimo, carregando algumas traquitanas mais simplesinhas e afogando as mágoas no gelato mais delicioso que já provei – zuppa inglesa x panna cota. Pelo menos, fiquei cobra coral no assunto. Saca a expertise:

1) Corais vermelhos autênticos só existem no Mediterrâneo (os chineses pintam os deles);

2) Quando originais (a pesca dos corais foi proibida desde os anos 50, por conta da ação predatória no ecossistema marinho), são considerados jóias raras, o que justifica o preço estratosférico;

3) A Ilha de Capri é para ricos e famosos, tipo o Leonardo DiCaprio;

4) Traquitanas simplesinhas, pagas em euros em tempos de crise, podem fazer mal à saúde – principalmente quando você abrir a fatura do cartão de crédito.


O jeito é recorrer ao fake to fake. Fabrizio Rollo, que de fake não tem nada, dá a dica: “Na decoração, os corais fazem um chic imediato para enfeitar mesas ou emoldurados em caixas acrílicas. Cabos de pincéis, talheres e até puxadores de gavetas podem ser encontrados no mercado. Existem opções que não prejudicam a natureza e têm um grande efeito. Produzidos em cerâmica, metal, resina ou cimento, a onda dos corais volta com apelo. Agora a tendência maior é salvar este ser fascinante e investir em estampas, gravuras, pinturas e outras matérias fakes”. Aqui e agora, uma seleção das imitações que não fazem mal a ninguém – muito menos ao planeta.


E para não fazer a linha no sense, a alcunha da nota é homenagem à goiana Cora Coralina, dona dos versos mais lúdicos que já li, alguns deles acerca da beleza do mar, tipo: “quero te servir a poesia numa concha azul do mar”. Lindo, né?

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: , , ,
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