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15/03/2010 - 17:42

Planetinha décor

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Da série “à moda da casa”, deu gosto de ver os desfiles da temporada internacional. Revendo Paris, percebi que dois deles, em especial, foram explícita e declaradamente inspirados em temas-combustíveis deste blog.

A finíssima Comme des Garçons, por exemplo, tocada pela hypada japonesa Rei Kawakubo, tomou partido de almofadas, tecidos retorcidos, dobras volumosas e transparências que diz ter pinçado do planeta décor. Legal, né?

Look Comme des Garçons desfilado em Paris; cadeira Atec; o set de luminárias e o vaso são da Benedixt

Já o coisa nossa Pedro Lourenço, em sua elogiada estreia na gringa, deixou de joelhos as editrixes mais temidas do planeta, com vestidos e casacos arquitetônicos em homenagem a Oscar Niemeyer, cuja obra-prima Brasília completa cinquenta aninhos mês que vem: “Quero falar do Brasil, mas de coisas boas, e não daquela visão colonizada que muitos têm do nosso país”. Recado bem dado com volumes tridimensionais feitos de plástico ou couro endurecido. A referência arquitetônica? Repare nas tiras horizontais, que lembram persianas modernistas, bem ao estilo Niemeyer. Qualquer semelhança com o Copan, digamos, não é mera coincidência!

Look Pedro Lourenço, inspirado em Oscar Niemeyer para marcar a estreia do jovem estilista na gringa; cadeira Clami Design; poltrona arredondada Cecilia Dale; poltrona (com braços) Carbono Design; luminária de mesa Bertolucci; pendente Bali Express

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: , , ,
19/02/2010 - 13:28

Alexander, o grande!

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Salve, salve! Enquanto o calor senegalês quase carbonizou os foliões nos quatro cantos do país, me recolhi em copas na roça, em Help City, aqui pertinho de Sampa. Como estava incomunicável, nem deu tempo de comentar com vocês o assunto que parou o mundo da moda na semana passada: a perda de Alexander McQueen.

alexander-mcqueen-eggchairLook da coleção de inverno 2009 by Alexander McQueen. Ao lado, a poltrona “Egg” em edição limitada concebida pelo estilista. A semelhança da padronagem não é mera coincidência

Mas porque falar dele neste blog? Simples: com seus volumes arquitetônicos, grafismos e geometrias bem traçadas, o estilista britânico transcendeu a esfera do fashion design. Além de excelente cenógrafo (seus cenários de passarela, muitas vezes, eram tão incríveis quantos os looks desfilados), ele também direcionou sua prancheta para a customização de móveis, como esta “Egg Chair”, lançada originalmente em 2002 e reeditada no final do ano passado.

alexander-mcqueen-fbwl-popO estilista Alexander Lee McQueen (1969 – 2010). A foto acima recebeu tratamento artístico do talentosíssimo amigo Romeuuu, autor do blog From Brazil, With Love © Romeuuu

Para arrematar as devidas homenagens, com a palavra André Rodrigues, editor do portal FFW, sob medida para o InCasa:

“Não conheci McQueen, não tenho nenhuma roupa assinada por ele, nunca o entrevistei, não trocamos e-mail, nem estive em nenhum dos seus desfiles. Gostaria de ter sido eleito, como foram Isabella Blow e Björk, duas de suas melhores amigas. Ou sortudo, como foi a editora de moda Katie Grand, uma de suas contemporâneas. Mesmo assim o seu legado me atingiu de frente, com força total, me colocou de joelhos – posição à qual retornei em cada uma de suas apresentações. Sua visão além da moda, seu talento subversivo, sua atração pelo bizarro, seu teatro de horrores. O nonsense nunca fez tão sentido nas passarelas da moda. Parafraseando Chuck Palahniuk (autor da obra “Clube da Luta”): “O objetivo da vida não é viver pra sempre, mas sim criar alguma coisa que vai durar pela eternidade“. Sinto muito pela família e pelos amigos que precisam conviver com a perda trágica. Sinto também pela moda, mundinho onde escolhi desbravar meus caminhos. Estamos de luto. Sem previsão de término. R.I.P. Alexander McQueen.”

+ alexandermcqueen.com

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27/01/2010 - 16:59

O chapeleiro maluco

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O SPFW passou e eu acabei perdendo o fio da meada – passei por lá tão vapt-vupt que nem rolou escrever sobre os lounges mais bacanas da temporada ou sobre a roupagem cyber-internética que Daniela Thomas usou para vestir a Bienal.

Agora já foi… Mas o desfile de Samuel Cirnansck não poderia passar incólume pelo blog, ainda que com um delay básico.

A inspiração da coleção de inverno 2010 foi nada menos que o mobiliário inglês, mais especificamente aquele assinado pelo designer Thomas Chippendale, com seus móveis pesadíssimos.

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Os looks décor-fashion de Cirnansck: saia com mesa acoplada, vestido de almofadinhas capitonê e adorno de cabeça em formato de abajur © Agência Fotosite/FFW

Momento Wikipedia: o londrino Chippendale se consagrou em 1750, quando redesenhou as linhas clássicas de mesas, cadeiras e gabinetes com pitadas paladianas, góticas, francesas, holandesas e chinesas, em efeito meio pastiche, mas cheio de curvas e entalhes. Não só consagrou-se como virou sinônimo de um estilo: quem é do metiê, muito provavelmente já ouviu o termo “móveis Chippendale”. Espia a seleção para sacar melhor o gênero.

moveis-classicos

De volta às passarelas, com um desfile über-conceitual, Samuel parece ter levado a referência ao pé da letra, em efeito meio surreal, meio Alice.

O look mais comentado foi o que tinha a aplicação mais inusitada que já vi em moda: uma mesa de 25 quilos fundida à saia! Sem falar nas cúpulas de abajur bordadas com franjas de cristal, que viraram chapéus na cabeça das modeletes, ou nas caudas dos vestidos com almofadas de capitonê. Espetacular. Veja no vídeo via portal FFW:

E todo esse conversê aí em cima sobre móveis ingleses me despertou uma larica danada do chá das 17h. A Tissy Brauen, top produtora de Casa Vogue, que acaba de voltar da licença-maternidade com novidades que vão muito além das corujices do fofíssimo Antonio (seu rebento de olhões azuis), me mostrou esse infusor descoladíssimo, com nome tão genial quanto o shape: Yellow Submarine. Qualquer menção aos Beatles não é mera coincidência… Procure no monkey-bus.co.il

yellow-submarine-tea-bag

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16/11/2009 - 16:28

Costura do invisível

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Acho que já comentei aqui que o desfile de moda mais bonito que já vi foi o de Jum Nakao, em sua despedida do SPFW, em 2004. Bem, na minha opinião e na da torcida do Corinthians, né? As roupas de papel, com look meio renda, meio origami, super estruturadas e arquitetadas – e sumariamente rasgadas ao final da exibição, pelos próprios modelos, em performance apoteótico-libertária, sob as lágrimas dos fashionistas e wannabes, entraram para a história.

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A poltrona “Renda”, criada por Jum Nakao para a loja A Lot Of Concept Store ©Divulgação

E vire a página, mas devagar. Com um shape meio “Costura do Invisível” (mas sem papel e sem armagedon), o próprio Jum assina o look dessa poltrona descoladérrima para a A Lot Of Concept Store. Apelidada de Renda, a peça é fabricada com chapas curvas e recortes a laser, exatamente como os dos vestidos daquela coleção. Se você quiser ver a peça ao vivo, dê um pulinho na loja ou na Casa Cor Trio, na Galeria do Design, onde ela está exposta. Aliás, Jum Nakao é tema do espaço Estudio do Estilista, ambientado pela arquiteta Clélia Regina Ângelo, que fez homenagem merecida ao gênio. Não perca – ou se rasgue inteiro!

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O ambiente “Estudio do Estilista”, criado pela arquiteta Clélia Regina Ângelo em homenagem ao estilista Jum Nakao ©Divulgação

Enfim, aperta o play e sinta a nostalgia na pele com esse registro dos bons tempos de subversão fashion em terras brasilis, puxado no YouTube (meu canal favorito de “Vale a Pena Ver de Novo”):

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: , , , ,
23/06/2009 - 17:34

Fashion decorete

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A maratona fashion terminou. E eu baixei na reta final do SPFW para conferir, in loco, o último grito da temporada – como já disse aqui, há muito mais entre a moda e a decoração do que a nossa vã filosofia pode supor. Primeiro, porquê é praticamente a mesma indústria têxtil que abastece os dois mercados. Depois, porquê muitos arquitetos absorvem o conceito da moda para projetar as vitrines dos fashionistas. Na via oposta, o décor se apropria da moda na difusão de movimentos estéticos, cores e estampas. E para arrematar, estilistas bacanões, como Alexandre Herchcovitch e André Lima (que, diga-se de passagem, arrasou na segunda-feira, com sua explosão de cores ao som de Bethânia), vira-e-mexe desenham coleções de acessórios para a casa (clique aqui e aqui para ver).

Um passeio pela Bienal durante a SPFW revela tudo isso e muito mais, bem além das passarelas – da cenografia do prédio, by Daniela Thomaz, ao espaço da Melissa, do Marcelo Rosenbaum (vide último post), passando pelas áreas de exposição, restôs e afins.

E tem os disputadíssimos lounges. Ah, os lounges! Ok, sou suspeito. Mas o que vi de mais catárstico, neste sentido, foi o puxadinho da “patroa” Vogue, assinado pelo caríssimo Fabrizio Rollo, que mergulhou fundo na vibe francesa, mote do evento. Espie os cliques do Romulo Fialdini e tire suas próprias conclusões. É ou não é a mais fina alta costura em versão casa!

A inspiração para o ambiente, batizado de Bistrot Vogue, foi o art déco dos anos 20 e 30 (época em que o movimento estava na moda) com passagem pelas décadas de 60 e 70 (quando voltaria com tudo e mais um pouco). Fabrizio fez ali um mélange do período original com essa reinterpretação que viria depois, com pimenta contemporânea e olhar 2010. Embora seja um cenário, tudo ali é autêntico: peças legítimas, como as cadeiras Tolix (design indusrial francês dos anos 30, produzido até hoje), as assinadas pelo arquiteto modernista Robert Mallet Stevens e outras superatuais de Patrik Jouin para a Kartell, se misturam com tecidos tecnológicos e tradicionais da Élitis – como veludos, tecidos de algodão com textura de esferas de bolinhas, que dão uma cara mais pop, bem sessentona, “mas não deixa de remeter à geometria déco”, conta o Fabrizio. O clima, além de culto (o conjunto é praticamente uma enciclopédia decorativa do período, com alguma licença poética) é acolhedor, quente, confortável, ergonômico.

Cores sóbrias como ébano, marfim, café, preto e cinza, criam a atmosfera sofisticada e típica do déco. O melhor da festa, para mim, são as paredes revestidas de laminado Fórmica, em zebra wood, que substituem a madeira com o mesmo efeito, mas sem derrapadas ecológicas.

Nas paredes, arte de Denis Maricato fazem alusão ao delicioso colorido psicodélico de Vasarely, com sua pegada caleidoscópica, pintada à mão com lápis de cor. E mais fotografias da Cidade Luz, da galeria de Renato de Cara, combinadas com painéis orientais de Armando Camarão.

O bar Cointreau, meio laranja-retrô, evoca o perfume exótico e orientalista do tema com lustre marroquino, gradis de ferro dos anos 30 e arranjos de laranja madura (sim, a fruta, in natura).

Entre cômodas francesas e mesas de bistrô, a cadeira de couro de Charlotte Perriand, partner de Le Corbusier, é a cereja do bolo. Para mim, este foi o melhor mise-en-scene da SPFW. E o melhor de Monsieur Rollo (que aqui contou com a produção da foférrima Bianca Schaffer). “Não posso dizer que é o meu preferido, porque me envolvo de tal forma em cada trabalho que o preferido é sempre aquele no qual estou trabalhando, ou seja: o próximo”, diz ele. Que venha, então.

Voltando às passarelas, além do fofo do André Lima (um dos meus prediletos), ontem me amarrei no desfile do Samuel Cirnansck e sua viagem “cuba libre anos 40”, com direito a Marina de La Riva posando de top em vestidão esvoaçante de acabamento im-pe-cá-vel, como soprou o Paulo Martinez no meu ouvido. Lux de luxo!

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: , , , , , ,
05/05/2009 - 10:24

Koolhaas veste Prada

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Outro dia assisti um filme coreano esquisitíssimo chamado “O Hospedeiro” (confira o trailer oficial aqui), do diretor Bong Joon-ho. Carregado de mensagens subliminares, este foi, com certeza, um dos mais pertubadores que já vi. O enredo parece de uma boboseira sem fim, tipo aquela novelinha de mutantes da Record, mas é coisa séria: um cientista despeja substâncias tóxicas em um rio de Seoul, alimentando um monstrengo medonho que emerge das águas sedento por sangue.

Meio nonsense, meio sci-fi, meio dramalhão off-Hollywood, o filme é muito mais político do que parece, tocando em feridas como as relações da Coreia x Estados Unidos, ética governamental, pandemia (olha que visionários!), o urbanismo desenfreado e suas consequências óbvias, como a poluição. Na fotografia (sombria, mas fantástica), dá para notar nuances concretas de um gigante asiático que se destaca também por sua arquitetura vanguardista. Daí o link com o post de hoje.

O pavilhão Prada Transformer (sim, aquele da grife italiana), inaugurado no finzinho de abril, é a mais nova criação do gênio holandês Rem Koolhaas, um dos maiores compassos da atualidade. Composto por quatro formas geométricas – círculo, hexágono, cruz e retângulo –, o prédio de 20 metros de altura foi instalado ao lado do Palácio de Gyeonghui, no centro de Seoul, como espaço sazonal de exposições. A primeira da temporada, “Waist Down – Skirts by Miuccia Prada” , já tá no ar. Desfiles, shows e outros eventos já estão programados. Por isso a estrutura mutante.


Os moldes de aço desenvolvidos por Rem Koolhaas, com inspiração em formas geométricas – círculo, hexágono, cruz e retângulo / imagem: Divulgação


Acima, o conceito mostra que o Prada Transformer pode ser usado para desfiles, exposições de arte, projeções de cinema e eventos especiais / imagem: Divulgação

Ao invés de ter apenas uma condição, concebemos um pavilhão que, através da rotação, adquire um caráter diferente e acomoda diferentes necessidades. É um projeto excitante por ser o primeiro híbrido entre a moda Prada e a Fondazione Prada“, diz Koolhaas. É, parece que a moda inventada por Zaha Hadid (lembra do pavilhão itinerante que ela desenhou para a Chanel?) pegou mesmo. Até na Coreia!

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Artes, Design Tags: , , , , , , ,
15/01/2009 - 17:35

Fashion décor

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Essa é para entrar no clima do SPFW. Alexandre Herchcovitch, o estilista mais estrelado dessas terras, ataca novamente na seara decorete. A Tok & Stok estica a parceria com o cara e lança a linha de louças Lâminas e Safari, com estampas inspiradas na África.

Os grafismos rabiscados na tribo sul-africana Ndebele são ligados a dois grupos étnicos da África do Sul: os Zoulous e os Xhosa. A organização das atividades dessas tribos, nas quais os homens são responsáveis pela construção das casas e as mulheres ornamentam as fachadas e frisos com um estilo geométrico e gráfico, inspirou a coleção Lâminas, na qual o preto e o branco ganham vida com traços fortes e marcantes, e o dourado aparece para dar destaque ao desenho.

O clima big five é o mote das paisagens e dos bichos da estampa Safari. Zebras, girafas, veados e elefantes aparecem em seu habitat natural, misturando cores quentes à vegetação das Savanas.

+ www.tokstok.com.br

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: , , , , , , ,
29/10/2008 - 23:30

Décor fashion

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Quando o top estilista paraense André Lima trocou sua Amazônia por outra selva, a de pedra, suas raízes ficaram mais latentes do que nunca. Por trás das criações superfemininas bem volumosas/ bem construídas/ bem cortadas/ bem alinhavadas no melhor estilo “como uma deusa” (ano passado ele usou o hit da big sister Rosana como trilha de desfile), há um sotaque personalíssimo que denuncia originalidade e apego à sua cultura.


Um dos meus estilistas prediletos (tive o privilégio de assistir quase todos os seus desfiles na SPFW), André agora aponta essa sede de brasilidade (e a paixão pelas estampas) para o décor, na sua primeira incursão pelo segmento, com exclusividade para a Firma Casa.


Nos móveis e acessórios que aterrissam na loja de Sônia Diniz, um tecido estampado com base de linho traz os desenhos prediletos do designer extraídos da fauna e da flora tropicais, como as samambaias, pássaros, palmeiras, borboletas, palhinhas e afins. Herança atávica, a Amazônia também está lá, espalhada em imagens imponentes pelos ambientes. Até mesmo os motivos que já foram usados nos modelões, ganharam nova roupagem para o revestimento de sofás e paredes. “Uma coisa é usar uma base de seda, outra é usar a estamparia digital em uma base de linho”, contou ao big brother Joni Anderson, em entrevista para Casa Vogue.

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: , , , ,
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