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17/09/2009 - 20:30

Um salve para as divas

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Ainda estou contaminado pelas cerâmicas deslumbrantes que vi lá na Cote d’Azur, mais precisamente na cidadela de Vallauris. Fomos conferir uma exposição incrível, num lugar não menos incrível: o Museu Municipal Magnelli. Até dezembro, eles apresentam uma coleção bárbara sobre o trabalho da família Massiers, os cardeais dessa arte. Imagine você que o museu instalado desde 1977 numa antiga abadia, tem uma capela romana que abriga, na sua abóbada, dois painéis pintados em 1952 por ninguém menos que Picasso! Aliás, o museu também tem no acervo vasos e pratos über-inacreditáveis traçados pelo mestre. Très chic!

Outra curiosidade do pequeno condado: Jean Marais, galã do cinema francês nos anos dourados (lembra de A Bela e a Fera?), se dividia entre os sets de filmagem e as cerâmicas. Essa segunda faceta artística pode ser conferida no museu que leva seu nome. Babado forte: Marais foi amante de outro Jean célebre que arrasava nas cerâmicas: Cocteau.

Sem querer ser venenoso (e já sendo), foi no museu Jean Marais que descobri de onde vem boa parte das ideias geniais do americano, considerado um gênio ceramista, Jonathan Adler. (“cooooooooooooooobra“, diria meu amigo Sergio Germano!).

De volta ao que interessa, o post do dia homenageia duas divas gringas das cerâmicas cujo trabalho é de uma poética comovente: Eva Zeisel e Gwyn Hanssen Pigott.

3_Eva Zeisel

Julius Wiedmann, nosso correspondente em Londres, escreveu sobre Eva (www.evazeisel.org) na Casa Vogue desse mês. Vai lá ver! Em plena atividade aos 104 anos de idade, a artista húngara é considerada a fina flor do gênero, com várias condecorações de design no currículo. A sensibilidade para curvas e sua percepção única de sensualidade ajudam a esculpir coleções utilitárias para, de fato, serem usadas, algo que a própria sempre enfatizou. Até mesmo em relação ao fato de serem modulares e economizar espaço na hora de guardar (note que boa parte delas não possui pegas, alças e afins, sem perder a ergonomia).

2_Eva Zeisel II

Há alguns anos, Flávia Rocha escreveu sobre outra grande dama que dá vida ao barro: Gwyn Hanssen Pigott. Formada em História da Arte, desde os anos 50, a artista australiana arrasa numa produção cheia de referências estéticas de outras épocas. A inspiração vem da grande paixão de Gwyn: as cerâmicas chinesas e coreanas. Mas o shape é pessoal e intransferível, com um desenho moderno que não despreza certa rusticidade orgânica. Lindo de ver – e maravilhoso de ter.

4_Gwyn

7_Gwyn 4

Por falar em divas, tenho recebido muitos e-mails a respeito da matéria que escrevi na Vogue de setembro sobre o come back (triunfal) de Whitney Houston – adoooooooooro aquela mulher com tantos “os” que nem caberiam aqui. Atormentada pelas drogas, a artista feminina mais premiada do mundo foi ao inferno e voltou. De alta do rehab, acaba de lançar um álbum quase biográfico que a coloca de volta no topo (ela está liderando as vendas fonográficas no mundo, tá?). Ontem, na abertura da nova temporada do The Oprah Winfrey Show, a apresentadora se debulhou em lágrimas com a apresentação de Whitney. O GNT vai exibir o programa no Brasil em duas partes (21 e 22 de setembro), como foi lá nos EUA (14 e 15). Enquanto a gente não vê a entrevista bombástica, colo aqui o vídeo que pesquei no Youtube. Pode me chamar de cafona, mas fiquei arrepiadíssimo. Salvem as divas!

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue, Design Tags: , , , , , , , ,
01/07/2009 - 23:09

O veneno antimonotonia de Rosenbaum

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Em sua carreira meteórica, Jean Michel Basquiat conseguiu um feito e tanto: pixou seu nome com letras garrafais no muro da contracultura norte-americana, nos coloridos anos 80 (quando quase toda a subversão setentista já havia ecoado pelos quatro cantos do planeta). Gênio precoce, badalado e festejado aos 19 anos, morreria pouco mais tarde, aos 27, depois de uma vida de glam e excessos, regada a sexo, drogas, grafitti e rock’n roll. Basquiat namorou Madonna, foi amigo de Andy Warhol e teve muito mais do que quinze minutos de fama: sua marca ficaria impressa para sempre no circuito, como uma das figuras mais originais da arte contemporânea.

Quando nos sentamos para bolar o conteúdo da já tradicional edição de arte de Casa Vogue, nossa diretora Clarissa Schneider teve o insight: “Vamos convidar Marcelo Rosenbaum para interpretar um ambiente à Basquiat”. Bingo! Ninguém melhor do que ele para encarar o desafio. Sou fã número um do Rosebambambã por vários motivos: ele tem uma verve criativa cheia de gás; inventa moda sem nenhuma pretensão; converte o ordinário em extraordinário num piscar de olhos; é moderno até o tutano sem dar as costas para a cultura popular brasileira; é pop porque fala com a elite e com o povão com um carisma infinito; não segue padrões convencionais e subverte a estética o quanto pode, sempre que pode, entre outros adjetivos. Mas o que mais me surpreende em seu trabalho é a entrega absoluta. Com um briefing nas mãos e a liberdade de sempre na cuca, Marcelo inventou um Basquiat tão legítimo que podemos sentí-lo no espaço – tipo loft nova-iorquino, total 80s. Fui lá acompanhar tudo de perto, boquiaberto com a mistura fina: o grafite, a street art, os pneus empilhados, os móveis de design, os tribalismos, as projeções em video, a fusão luxo-lixo… Sem falar no look new-wave com direito a Louboutin-agulha-vermelho-vertiginoso onde a modelo Isabella Melo (adoro esse link fashion-decorex) tentava se equilibrar fazendo a linha “musa de Basquiat”, produzida pelas poderosas Verena Bonzo e Jéssica Juliani.

Sempre faço questão de assinar os textos que publicamos sobre o Marcelo em Casa Vogue. Mas, desta vez, justamente buscando um distanciamento mais crítico (e talvez menos inflamado), encomendei o feito a um dos nossos colaboradores prediletos, o Sergio Zobaran, que chegou chegando no título: “Vida louca vida.” Para te deixar com água na boca e fazer você sair correndo agora até a banca mais próxima buscar a sua revista predileta com a superprodução de Rosebambambã na íntegra, antecipo aqui alguns registros do Romulo Fialdini (outro de nossos colaboradores prediletos) e uma impressão zobaraniana (não menos empolgada do que a minha):

O Marcelo Rosenbaum não produz apenas lares, doces lares na TV. Como anda muito global, e lá dizem que ‘quem sabe faz ao vivo’, ele montou, para este especial de julho da Casa Vogue, um editorial sensacional: um real loft novaiorquino (um ambiente só, pédireito alto and so on) em homenagem ao Basquiat – em pleno bairro de Pinheiros, SP. Mais precisamente em seu genial escritório-galpão, uma antiga gráfica. E lá fui eu estudar a vida deste artista plástico muito louco que era o norteamericano Jean-Michel Basquiat (claro que, na minha pesquisa além-google, li que era haitiano, e por aí vai… mas haitiano era o pai, daí o nome francês!), antes de entrevistar o Rosenbaum, que já conhecia desde os tempos politicamente incorretos em que assinou um fumoir para a Casa Cor, idos de 2003. A produção incrível desta sofisticadíssima toca foi de parte a parte: no nosso time, um aparato com direito a stylist, produtora e assistente, beauty maker & assistant, fotógrafo, modelo magérrima-cabelão-lata de spray na mão, diretora de redação, editor-chefe (os meus chefinhos), e eu, o repórter… No coletivo dele, uma penca de designers, artistas e produtores modernos e antenados também (people like us). Resultado: o fera Basquiat, que só viveu 27 anos, entre 1960 e 1988, ganhou um ambiente incrível e a cara dele, por tudo que li e vi no livro que o Wair de Paula me emprestou (e seu trabalho me fez lembrar mais uma vez de Alex Vallaury, Leonilson e Jadir Freire, entre outros tantos pós e contemporâneos dele, grafiteiros ou não), e pelos móveis, obras de arte e objetos selecionados a dedo para compor o décor – em que dá vontade de ficar pra sempre. A inspiração do texto, além de tudo de bacana à nossa frente, foram as músicas de época do Cazuza, anos 80 na veia. Afinal, além de tudo (grafites e heroínas como Madonna em sua cama), nosso herói morreu de overdose, como outros da letra J da vez: Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin. A vida foi breve, as marcas para sempre. Só não passe a perceber Basquiat em tudo o que agora vê por aí. Garanto: tem tudo a ver, sim, com o que vemos/vivemos hoje – só que de forma mais mainstream. Mas estes sintomas passam em um mês. A matéria fica: linda e ali registrada na Casa Vogue. Aprecie com moderação…

Atenção: a capa que eu colei acima não é a que está nas bancas – escolher capa é um trabalho complicado: colocamos mil opções na frente, consultamos gregos e troianos, votamos e estudamos os prós e contras de cada uma delas, antes de determinar a eleita em si. Mas acho esse estudo tão genial, mas tão genial, que quis dividir com vocês. Clarissa teve a ideia do spray na mão da modelo garfitando o logo, e acrescentou o arranjo de flores de plástico à produção de Rosenbaum; Zé Renato entrou com o recorte e com o “A” estilizado da “Anarquia”. Romulo e Marcelo dirigiram a top com toda a ginga. Demais, não?

Para fechar o post no melhor estilo “Vida louca, vida breve”, escolhi um flashback do balacobaco. Clarissa e eu comentávamos agorinha, que nada mais Basquiat na música brasileira do que Cazuza. Zobaran fecha no discurso. Àqueles que, como eu, cresceram nos 80s, um salve com uma das frases mais definitivas (e suicidas) da nossa poesia-pop-cantada: “vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”:

Autor: - Categoria(s): Casa Vogue Tags: , , , , , , , , , , , ,
30/06/2009 - 23:52

Dona Redonda

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Dá para acreditar que a poltrona Up5-6, de Gaetano Pesce, tá soprando nada menos do que 40 velinhas? Moderníssima na frente e no verso, a peça chega à “idade da loba” com tudo em cima. Para celebrar, a B&B Itália, que fabrica a quarentona (uma das peças mais rechonchudas do design), levou o look futurista às últimas consequências, editando o rotundo objeto de desejo em figurino platinado. Um luxo para Botero nenhum botar defeito! Nem preciso dizer que o shape carrega vantagens extras além da plástica invejável – e que o melhor da peça é conforto, né? Não bastasse a ergonomia da poltrona, que dá aquela big sensação de abraço, o pufe bola que a acompanha é tudo aquilo que os seus pés pediram um dia. Na dúvida, faça o test-drive: se você se sentar na fofa, nunca mais vai querer levantar… Happy B-day, Lady Up-To-Date!

Pegando carona nas curvas voluptuosas da Dona Redonda, a Up é tão estilosa, mas tão estilosa, que poderia servir de trono oficial para a neo-diva (e neo-ícone fashion) Beth Ditto, vocalista do Gossip. Você sabe que tenho um certo preconceito com cantoras brancas (salvo as que cantam como negras, tipo a Rosana), mas a Beth (que não chegou nem aos 30, mas já é mais pop do que qualquer cadeira) dá tudo de si nos agudos. Aliás, ontem fomos sacudir o esqueleto em festinha descolex no Volt (lugarzinho mais batuta!), discotecada pelo über-jornalista e DJ de ocasião André Rodrigues (espia lá no rgvogue.com.br), que abalou as pick-ups com os gritinhos do Gossip e um tributo ao absoluto e saudojackson Michael. Divertidíssimo, como tudo aquilo que o André se mete a fazer! Para fechar a roda, momento “sobe o som” com ela: Beth, a Fashion!

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26/06/2009 - 18:13

Epitáfio

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Acima, Michael Jackson em representação do artista Jeff Koons / foto: Divulgação

Nenhuma polêmica manchará o impacto histórico de sua música”, disse hoje o reverendo Al Sharpton, líder da comunidade negra dos EUA e maior ativista das causas raciais no mundo. Ainda assim, há um exército sensacionalista na imprensa proliferando mais a suposta-aversão do Rei do Pop à própria etnia (entre outras bizarrices, sejam elas legítimas ou não) do que o seu legado (este sim, absolutamente autêntico).

Quem me conhece (um pouquinho de nada, que seja) sabe que, por predileção, as minhas naus sonoras navegam quase que exclusivamente pelo grande rio da música negra, em seus mais diversos afluentes: da sua gênese, no blues, no jazz, no gospel e no soul, à massificação sintetizada do pop e do r&b (sem nenhum acanhamento de confessar). Minha matriz cultural é a Motown e tudo o que saiu de lá, de alguma forma, contribuiu para a minha formação – como gente, como jornalista ou como o músico que sonhei ser um dia. Michael Jackson, o filho pródigo da lendária gravadora black, era um dos meus heróis – assim como o foi para boa parte dos adolescentes que cresceram nos anos 80-90 e acompanharam, através dele, o surto camaleônico da cultura pop, o nascimento da MTV, a evolução do videoclip, o play da era digital, o tsunami da globalização e o embrião da internet.

Quando nasci, Michael Jackson já era um astro cultuado pelo mundo – incluindo as minhas tias, então adolescentes. Lembro quando o clipe de “Thriller” foi exibido pelo Fantástico, e do impacto que aquilo causou nas pessoas. Eu sequer sabia ler, mas o grafismo das letras, escorrendo em sangue, ficou tatuado na minha memória.

Quase trinta anos depois, o mundo ainda repercute o mérito do álbum homônimo como o melhor – e mais vendido – da história. A bolacha, impecável do começo ao fim, soa moderna até hoje, na versão iPod – e, por mais que alguém torça o nariz, não há argumentos contra os números. Mas as gravações que Mister Moonwalker fez entre a infância e a adolescência, à frente dos Jacksons Five ou nas primeiras incursões solo, cantando clássicos como “I Want you Back”, “Ben” ou “Music and Me”, estão entre os registros mais catárticos do seu talento – a voz daquela criança, com uma afinação e candura sem fim, é uma das coisas mais belas que já ouvi.

Numa representação feita por artista anônimo, Michael Jackson empresta seus ícones visuais para celebridades que, acreditem, ficaram muito aquém dele no quesito fama / imagem: Reprodução

Em 93, a turnê Dangerous esteve no Brasil e a Lilian, minha tia predileta, me levou ao show. Uma experiência e tanto, mesmo considerando os momentos de playback e os longos intervalos entre um número e outro. Eram outros tempos para o divo, que depois do marco de “Thriller” (jamais superado por nenhum outro artista, incluindo o próprio), recebera uma fatura alta demais: viveu loopings pessoais, escancarou seus medos privados em lugares públicos, chocou a opinião e bateu records menos honrosos, como o de celebridade mais estampada nos tablóides e revistas B – mesmo quando absolvido das acusações de pedofilia e de ter comprovado a vitiligo como causa do seu “embranquecimento”.

Paralelamente aos escândalos (voluntários ou não), Michael colecionou arte e antiguidades, girafas, elefantes, rinocerontes e traquitanas de gente morta (incluindo a ossada do “homem-paquiderme”). O link com o blog poderia ser justificado por isso: Michael amava decoração e consumia-a compulsivamente. Quem assistiu ao documentário mambembe (e devastador) do jornalista inglês Martin Bashir, há uns quatro anos, deve lembrar do cantor deixando milhões de euros num antiquário em Londres (sem falar no leilão de seus móveis e objetos).

Acima, alguns objetos decorativos de Michael que foram leiloados no começo de 2009 / foto: Reprodução

Mas o link é outro. Longe da Terra do Nunca, Michael Jackson, a lenda, é fundamental para a cultura pop, incluindo no tocante ao universo plástico. Enquanto abriu a senda para todos os artistas (brancos ou negros) que vieram depois dele, sua imagem virou mote de apropriação para pintores e escultores como Jeff Koons, inspirou estilistas, designers, cenografias, produções cinematográficas. Há quem vá ainda mais longe, afirmando que, se os Estados Unidos da América hoje têm um presidente negro, isso se deve também, à vereda que Jackson ajudou a pavimentar. Exagero ou não, o mundo hoje está com um nó na garganta. André e eu, que sempre curtimos o cara – e chegamos a cogitar um périplo londrino para assistir de camarote a sua volta triunfal -, estamos sentindo um vácuo sem fim (se você está lendo isso, provavelmente, também se importa). O Rei do Pop foi caminhar na lua, como Peter Pan.

No ar, uma prece: que os anjos digam amém à profecia do reverendo Al Sharpton. Abaixo, o vídeo de “Music and Me“, numa das performances vocais mais emocionantes de todos os tempos:

Autor: - Categoria(s): Artes, Décor, Design Tags: , , ,
17/06/2009 - 18:00

In casa com os Stones

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Li na Ilustrada de ontem uma entrevista que o jornalista Ivan Finotti fez com o fotógrafo dinamarquês Bent Rej, que acompanhou a primeira turnê dos Stones, em 1965, após o boom do hit “Satisfaction”, porta de acesso da banda à estratosfera do rock. Rej registrou essas imagens antológicas no livro “Rolling Stones – O Começo”, lançamento da Larousse (www.larousse.com.br) que traz, entre muitas pérolas de bastidores, pequenos drops do life style dos garotos ingleses tão logo eles compraram suas primeiras casas. “Mostrá-los como pessoas normais foi inédito na época”, contou Rej à Finotti. “Roqueiros eram como deuses e sua vida privada era secreta. Eu até hoje não sei como eles me deixaram fazê-lo”. Clique aqui para ler a reportagem completa.

Óbvio que, quando se pensa nos Stones, a primeira coisa que vem à cabeça é a tríade sexo + drogas + rock’n roll, com direito a quebra-quebra de suítes presidenciais e móveis atirados do 20º andar de hotéis luxuosos – como a tchurma do heavy metal imitaria nas décadas seguintes.

Mas, mesmo desconfiando da pose angelical dos rapazes nessas ambientações bem-comportadas, o documento tem seus méritos. Além de valer pela curiosidade de espiar pela fechadura no melhor estilo “como viviam os ricos e famosos nos anos dourados”, o book mostra no pano de fundo um estilo neo-inglês de morar nos anos 60s, longe da sisudez classuda e das flores da Rainha, com móveis mais limpos (boa parte deles dinamarqueses), de desenho esguio, linhas retas, pés palito, tons sóbrios com cores pontuais aqui e ali. Um visual moderno, de fato, no compasso do iê-iê-iê e da cabeleira de Mick Jagger & cia.

Entre os episódios mais pitorescos, Rej contou um exemplo do quanto a vida imita a arte, por mais fake que a tal “arte” tenha sido na ocasião: “Keith Richards não tinha uma casa, ele morava com os pais. Então, reservamos uma suíte no Hilton Hyde Park e fingimos que ele vivia ali. Mas Richards gostou tanto que resolveu ficar de verdade. E morou lá durante alguns meses, o que fez a nossa história virar autêntica”.

Descortinando o fog londrino para a saideira, direto do meu baú oitentista, separei um momento “sobe o som” com a über-diva Aretha Franklin (neste clipe, aparentemente recém-saída de uma tela de Andy Warhol – aliás, foi o próprio papa da pop art quem assinou a capa de um dos álbuns mais blockbusters de Aretha, em 1986), aqui duelando com o Keith Richards (o stone sem-teto que se instalou no hotel-locação) e sua guitarra nervosa. Para arrematar, Whoopi Goldberg brincando de “Os Trapalhões” na Sessão da Tarde – aliás, a cena foi extraída de um filme pastelão dela. Mas a música é um clássico dos Stones: “Jumping Jack Flash”! Yeah, Yeah, Yeah…

Autor: - Categoria(s): Arquitetura, Décor Tags: , , , ,
25/05/2009 - 16:47

Mobília Popular Brasileira

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Adoro MPB, o gênero musical, desde que me entendo por gente. Principalmente a dita MPB vintage (morro de preguiça desta nova safra de cantores-clone produzidos em série – principalmente as cantoras –, e dos movimentos pasteurizados que revisitam a pseudo-bossa e a pseudo-fossa das antigas, com muito sampler e pouca personalidade).

Ao ponto: sexta-feira passada fui ver o documentário “Ninguém sabe o duro que dei”, que conta a saga de um dos maiores nomes do nosso cancioneiro popular: Wilson Simonal. Dirigido por Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal, o filme tenta suturar a imagem do artista na memória do povão, já que, depois de viver dias de Frank Sinatra nos anos 60 (o cara fez um über-sucesso com as massas) ele foi sentenciado ao oblívio (entre as décadas de 70 e 90) por acusações de envolvimento com o DOPS. Simonal morreu em 2000, duro e praticamente esquecido, sem homenagens, sem glamour, sem perdão, com o filme carbonizado tanto pela esquerda, quanto pela direita. “Esquecemos de absolver o Simonal”, escreveu Mario Prata na época. Nunca ninguém provou nada contra o sujeito, muito ao contrário: ele passou os últimos dias da sua vida tentando se livrar da pecha de alcagoete, chacoalhando, em programetes de auditório, um documento oficial do Ministério da Justiça atestando isenção de qualquer vínculo, em qualquer época, com o DOPS. Mesmo banido do circuito, o cantor deixou mais do que uma obra do balacobaco (que, espero, engate um fôlego a partir do impulso do cinema): seu DNA continua saltitando no ótimo trabalho dos herdeiros Max de Castro e Simoninha, gente boa que pintou na gênese da gravadora Trama (conheço os caras desde a época do movimento paulista Artistas Reunidos, embrião de uma renovação na cena, antes do boom da pasteurização a que me refiro lá em cima).

De volta ao assunto-combustível deste blog (o resto é só link culturete), outra MPB que faz a minha cabeça é a Mobília Popular Brasileira, tramada por uma gente cheia de ginga nas curvas – tal e qual Simonal swingava suas notas. Em cartaz na loja-galeria Passado Composto Século XX (www.passadocomposto.com.br), a partir de junho, a expo “Sempre Modernos” promete reunir um elenco de peso: Joaquim Tenreiro, Sergio Rodrigues, Jorge Zalszupin e Jean Gillon. São cerca de 40 peças originais (móveis, tapeçarias, estudos e objetos), pinçadas tanto no acervo da loja como em coleções particulares. “É uma oportunidade de conhecer preciosidades de um período especialmente rico da história do design brasileiro”, diz Adélia Borges, curadora da mostra e uma das maiores autoridades do design por essas bandas.

Todas as peças expostas são originais, a maioria produzida com o jacarandá-da-bahia, madeira de grande durabilidade e qualidade, quase totalmente extinta. “Por sua qualidade estética e técnica, os móveis desse período alcançaram o atributo de clássicos atemporais”, explica Borges.

Assim como a carreira de Simonal, esses móveis já tiveram seus dias de desprezo, e só muito recentemente começaram a ser devidamente valorizados. “Antiquários e casas de leilões da Europa e Estados Unidos, até então dedicados quase exclusivamente a obras européias, passaram a trabalhar com produtos made in Brazil, que têm alcançado enorme prestígio e reconhecimento. Um dos exemplos é a cadeira Três Pés, de Joaquim Tenreiro, que foi vendida em Nova York, em 2004, por US$ 54 mil e em 2006, alcançou a cotação de US$ 250 mil, segundo reportagem publicada na revista especializada Art+Auction” contou Sandra Sobral, que faz a comunicação do evento.

Seja qual for a sua MPB favorita, para sacudir geral, pesquei no Youtube uma cena espetacular que faz parte de “Ninguém sabe o duro que dei”: Simonal em dueto com ninguém menos que Sarah Vaughan, a diva que divide com Billie Holiday e Ella Fitzgerald a santíssima trindade matriarcal do jazz:

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