Publicidade

Publicidade

11/10/2010 - 20:50

Dolcefarniente

Compartilhe: Twitter

Brasileiro jura que sabe falar italiano. Eu confesso, com uma pontinha de constrangimento (mas nenhuma vergonha na cara), que me incluo nessa (o Colontonio no meu sobrenome seria um bom pretexto para começar já umas aulinhas e parar de pagar mico feito os carcamanos da novela das oito). Zanzando pela Via Montenapoleone, a meca milanesa do design, arranquei algumas risadas dos meus colegas de trupe ao bater um papo-cabeça com os vendedores de cada loja que me atraía pela vitrine. O fato é que, equívocos à parte, a engatada no sotaque da minha avó, os diários de bordo de outras vezes que estive na Itália, a memória dos filmes do Fellini – e uma pitadinha do bom e velho espanhol, já que ninguém é de ferro – resultaram num dialeto absolutamente compreensível por todos. Tá? Diálogos macarrônicos à parte, não fosse o gorducho aqui meter as caras, não teria trazido coisas legais para postar aqui.

Com silhueta que remete à flor homônima, espécie de tulipa, a poltrona Calla é pura poesia visual. Cria do designer Antoine Fritsch, a peça de estrutura absolutamente artesanal pode ser feita de ferro (para encarar as intempéries no jardim) ou de junco (para fazer bonito na varanda). Entre uma cartela generosa de tecidos estampados, almofadas e fibras naturais nos detalhes, cada um incrementa a sua da forma que preferir. Uma ode à alegria doméstica produzida pela grife italiana Dolcefarniente.

+ www.dolcefarniente.com

Autor: - Categoria(s): Design Tags: , ,
07/10/2010 - 20:45

Pajé

Compartilhe: Twitter

E lá vamos nós. Acabo de voltar da gringa mais cansado do que saí daqui (embora devidamente recauchutado pelos ventos do Mediterrâneo).

Aos poucos vou postando objetos de desejo incríveis que vi por lá, das traquitanas garimpadas nas medinas da Tunísia, ao último grito do design em Milão, passando pelos mercados de Roma, Sicília, Barcelona, Malta e Cassis. Por enquanto, a ordem do dia é relaxar um pouquinho e desfazer as malas. Bora ficar de pernas para o ar?

Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, como diz a canção de Walter Franco – linda na voz da Leila Pinheiro. Adam Cornish parece concordar com ele. Inspirado nos movimentos da coluna vertebral, o designer inglês acaba de criar esta de madeira flexível, que funciona exatamente como as redes indígenas, presas nas pontas. As placas de pinus conectadas a eixos rolantes garantem o balanço, mas a impressão para quem vê de longe é que se trata de uma folha inteira, sólida. É tudo o que a sua varanda – e as suas costas – merecem.

+ www.adamcornish.com

Autor: - Categoria(s): Design Tags: , ,
19/04/2010 - 20:42

A Hora do Pesadelo

Compartilhe: Twitter

Post bem maledeto, ao sabor dos meus dias de fechamento intenso e corrida maluca aqui na Casa Vogue.

Milão tem coisas lindas? Tem sim senhor. Mas nem tudo é sonho na passarela mais top do design mundial. Acabo de receber essa poltrona que tá sendo apontada como uma das mais “controversas” (para ser simpático) da feira.

Tem ou não tem uma carinha de Freddy Krueger? Mas na real a inspiração vem do Gato Risonho, de “Alice no País das Maravilhas”. Dias melhores virão…

Autor: - Categoria(s): Design Tags: ,
22/02/2010 - 15:00

Por uma vida menos ordinária

Compartilhe: Twitter

Não importa o quão abrasivo seja o sol. Pra quem vive em Sampa, os dias nessa época do ano sempre acabam cinzentos e, por conta do lixo e de quem se lixa, em águas turvas que congestionam toda e qualquer via pública – principalmente aquela debaixo do nosso nariz. Poderia ser uma metáfora, mas não é: entre uma onomatopeia sem fim de buzinas que podem ser ouvidas aqui da minha janela, já deu pra farejar a enchente e sacar que a coisa vai longe. Pra variar, estico o expediente (ando trabalhando demais ultimamente), mas a concentração me deixou no vácuo…

balanco-tropicalia-patricia-urquiola-micasaPor uma vida menos ordinária: a poltrona “Balanço Tropicália”, da designer Patricia Urquiola, disponível no Brasil através da Micasa © Divulgação

Há momentos em que dá vontade jogar a toalha e ficar “de boa”, como dizem os manos, à toa na vida, vendo a banda passar. Tô numa dessas. Daí, como bom DDA que sou (tenho uma capacidade fora do comum para me refugiar em cantinhos secretos da mente, onde ninguém me encontra), me transportei para outra dimensão, visualizando-me largado à bordo de uma limonada suíça nessa poltrona-casulo suspensa, retro-futurista (modelo Balanço Tropicália, desenhada pela espivetada Patricia Urquiola, à venda na Micasa), no melhor estilo “Mon Oncle” – alguém aí viu o filme do Jacques Tati?

E eis que bate um desejo incontrolável de fuga, de recreio-veraneio na varanda, por uma vida mais colorida – e menos ordinária. Amanhã tem mais cor (e menos down, espero).

+ micasa.com.br

Autor: - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
19/02/2010 - 13:28

Alexander, o grande!

Compartilhe: Twitter

Salve, salve! Enquanto o calor senegalês quase carbonizou os foliões nos quatro cantos do país, me recolhi em copas na roça, em Help City, aqui pertinho de Sampa. Como estava incomunicável, nem deu tempo de comentar com vocês o assunto que parou o mundo da moda na semana passada: a perda de Alexander McQueen.

alexander-mcqueen-eggchairLook da coleção de inverno 2009 by Alexander McQueen. Ao lado, a poltrona “Egg” em edição limitada concebida pelo estilista. A semelhança da padronagem não é mera coincidência

Mas porque falar dele neste blog? Simples: com seus volumes arquitetônicos, grafismos e geometrias bem traçadas, o estilista britânico transcendeu a esfera do fashion design. Além de excelente cenógrafo (seus cenários de passarela, muitas vezes, eram tão incríveis quantos os looks desfilados), ele também direcionou sua prancheta para a customização de móveis, como esta “Egg Chair”, lançada originalmente em 2002 e reeditada no final do ano passado.

alexander-mcqueen-fbwl-popO estilista Alexander Lee McQueen (1969 – 2010). A foto acima recebeu tratamento artístico do talentosíssimo amigo Romeuuu, autor do blog From Brazil, With Love © Romeuuu

Para arrematar as devidas homenagens, com a palavra André Rodrigues, editor do portal FFW, sob medida para o InCasa:

“Não conheci McQueen, não tenho nenhuma roupa assinada por ele, nunca o entrevistei, não trocamos e-mail, nem estive em nenhum dos seus desfiles. Gostaria de ter sido eleito, como foram Isabella Blow e Björk, duas de suas melhores amigas. Ou sortudo, como foi a editora de moda Katie Grand, uma de suas contemporâneas. Mesmo assim o seu legado me atingiu de frente, com força total, me colocou de joelhos – posição à qual retornei em cada uma de suas apresentações. Sua visão além da moda, seu talento subversivo, sua atração pelo bizarro, seu teatro de horrores. O nonsense nunca fez tão sentido nas passarelas da moda. Parafraseando Chuck Palahniuk (autor da obra “Clube da Luta”): “O objetivo da vida não é viver pra sempre, mas sim criar alguma coisa que vai durar pela eternidade“. Sinto muito pela família e pelos amigos que precisam conviver com a perda trágica. Sinto também pela moda, mundinho onde escolhi desbravar meus caminhos. Estamos de luto. Sem previsão de término. R.I.P. Alexander McQueen.”

+ alexandermcqueen.com

Autor: - Categoria(s): Design Tags: , , ,
09/02/2010 - 20:16

Ouriço

Compartilhe: Twitter

Outro dia, folheando uma AD Espanhola de alguns meses atrás (adoro revistas novas, mas as velhas têm um gostinho especial, né?),  descobri o trabalho do designer inglês Oliver Tilbury (www.olivertilbury.com). Sangue novo no mercado, ele tem um pé na produção contemporânea e outro no surrealismo. Resultado: muitos pés descolados, como os 31 de madeira de manejo (do tipo Fraxinus Americana) que compõem a base dessa “Burst Chair” (em português, cadeira explosiva). Um ouriço cheio de panca para dar um toque divertido na decoração. Quem quer?

oliver-tilbury-burst-chair

Autor: - Categoria(s): Décor, Design Tags: , , , ,
22/10/2009 - 17:13

Só pra contrariar

Compartilhe: Twitter

Cruz-credo! Choveram mais tomates no post de ontem do que lá em Buñol, na Tomatina espanhola. Calma, minha gente! Ninguém vai bater a cabeça nas prateleiras – elas ficam suspensas, até segunda ordem. De qualquer forma, é só um projeto acadêmico-experimental (maravilhoso, diga-se de passagem, até por brincar com essa estética do ordinário e despertar tanta controvérsia numa cena assumidamente metida a besta, como é o setor moveleiro). Curtir ou não curtir, eis a questão – uma vez que gosto é igual nariz: cada um tem o seu.

Sem provocações, como quinta é dia de feira (literalmente, já que tem uma lá na porta de casa e outra aqui atrás da redação), taí o gancho perfeito para esticar a polêmica. Não que seja algum tipo de obsessão, mas já adianto que não vai sobrar caixa sobre caixa nesse blog, de tanto que tô interessado em mastigar o assunto (aliás, se você tem alguma dica bacana de reutilização desses engradados bonachões, me conta já!).
Espaço-204-poltrona-de-caixotes
Olha só que frugal – e divertida – essa cadeira Beck, feita à moda das ripas de caixotes que carregam verduras e legumes. Sem nenhuma pretensão, a peça tem look rústico quente e apelo estético charmosão que não entrega seu passado no CEASA. A pitada sofisticadinha fica com a almofada e suas indefectíveis listras.

O lançamento é do Espaço 204, loja do shopping D&D (www.dedshopping.com.br), que anda investindo pesado em móveis ecologicamente corretos. Leva aê, freguesa!

Autor: - Categoria(s): Design Tags: , , , ,
20/10/2009 - 18:22

Ovo pochê

Compartilhe: Twitter

arne-jacobsen-cadeira-ovo
Inovação é bom e todo mundo aqui gosta. Mas os clássicos são os clássicos – e os outros são os outros. Uma das minhas peças prediletas de design é a poltrona “Egg”, desenhada pelo “arredondado” Arne Jacobsen no final da década de 50, era do boom do design dinamarquês. E não  importa nem um pouquinho se, na segunda metade do século 20, a peça tenha sido tão difundida ao ponto de virar arroz de festa em qualquer decoração: ela continua com pose de trono. Tenho visto dúzias e mais dúzias de releituras do simpático ovo no mercado, nos mais variados acabamentos, incluindo o couro de vaca à moda Ralph Lauren, by Tania Bulhões, que postei outro dia. Mas, na minha modesta opinião, nenhum acabamento alternativo tem tanto efeito como esse, de fibra natural. Prefiro a original, óbvio. Mas para dar um toque divertido – e metido a besta, como um bom ovo frito com caviar  – nas geralmente caretas decorações de praia, tá valendo. Tem na  Cecilia Dale (www.ceciliadale.com.br).

Autor: - Categoria(s): Design Tags: , , , ,
06/10/2009 - 18:11

Entre Aspas

Compartilhe: Twitter

Tô aqui editando uma entrevista deliciosa que o Zoba fez com o poli-designer francês Patrick Jouin (em breve, na Casa Vogue) e me deparei com um baita elogio do cara sobre Sergio Rodrigues, lenda-viva do nosso design, sabe-tudo de conforto e ergonomia – quem sentou a bunda nas poltronas Mole ou Diz (peças icônicas do seu portfólio), sabe do que estou falando.

O coté bem-humorado de Sergio (figuraça, diga-se), pode ser percebido em muitas de suas criações, inclusive naquelas que ganharam prestígio internacional. Mas nenhuma delas foi tão longe quanto essa poltrona Aspa. No comecinho dos anos 60, Serjão, já visionário, organizou a expo “O Móvel como Obra de Arte”, na sua loja Oca. Lá estavam Lúcio Costa, Sergio Bernardes, Artur Lício Pontual, Marcos Vasconcelos e Bernardo Figueiredo.
chifruda-maiora
Na ocasião, o designer  criou a tal “Chifruda” em apenas duas unidades: um protótipo perdido; e um modelo em jacarandá e couro, comprada por um colecionador. Apesar da alcunha Aspas ser  socialmente mais adequada, é como “Chifruda” que o pai da criança e todos no seu escritório se referem à peça.

Para quem gostou, a boa notícia: a poltrona será re-editada pela Mendes-Hirth (dupla premiada que assinou a poltrona Aviador, lembra?), a pedido do próprio Sergio, em peças numeradas, segundo os padrões elevados da marcenaria tradicional. Em cartaz na www.maiora.com.br

Autor: - Categoria(s): Design Tags: , ,
25/09/2009 - 18:01

Papel Carbono

Compartilhe: Twitter

Para quem lida o dia inteiro com o duo forma & conteúdo, é um alívio saber que algumas mecas do design não relaxam com a comodidade de imitações, fotocópias, xerox e duplicatas (tão em voga em nosso metier), e vão à luta atrás das folhas mais frescas do maço. Tarefa hercúlea, principalmente numa época onde tudo já foi inventado, patenteado, reeditado, virado do avesso, dissecado.
carbono-marcus-ferreira
Marcus Ferreira faz exatamente o oposto pela sua Carbono (esqueça as reproduções em série que o nome sugere), que aposta em jovens talentos para promover um acervo mais customizado, diversificado, exclusivo, com atenção especial para os acabamentos handmade, tipo alfaiataria de luxe. Além de ser um dos maiores caça-talentos de valores made in Brasil, ele carimba o passaporte atrás de quem começa a fazer e acontecer lá fora. Foi num desses garimpos que conheceu as designers sérvias Natasa Ilincic e Jugoslava Kljakic. O nome é impronunciável, mas o trabalho ganhou leitura fácil, já que a dupla tem uma pegada artesanal, simples e moderna, sem recorrer às tecnologias pasteurizadas. A poltrona em cartaz na Carbono, por exemplo, consiste num quadro metálico com travesseirão recheado de camomila, que faz as vezes de  estofado. Carinhosamente apelidada de Baba (bem mais simpático que o nome técnico, C26), a baixinha ganhou uma manta para arrematar o conforto.

+ www.carbonodesign.com.br

Autor: - Categoria(s): Design Tags: , ,
Voltar ao topo