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27/01/2010 - 16:59

O chapeleiro maluco

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O SPFW passou e eu acabei perdendo o fio da meada – passei por lá tão vapt-vupt que nem rolou escrever sobre os lounges mais bacanas da temporada ou sobre a roupagem cyber-internética que Daniela Thomas usou para vestir a Bienal.

Agora já foi… Mas o desfile de Samuel Cirnansck não poderia passar incólume pelo blog, ainda que com um delay básico.

A inspiração da coleção de inverno 2010 foi nada menos que o mobiliário inglês, mais especificamente aquele assinado pelo designer Thomas Chippendale, com seus móveis pesadíssimos.

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Os looks décor-fashion de Cirnansck: saia com mesa acoplada, vestido de almofadinhas capitonê e adorno de cabeça em formato de abajur © Agência Fotosite/FFW

Momento Wikipedia: o londrino Chippendale se consagrou em 1750, quando redesenhou as linhas clássicas de mesas, cadeiras e gabinetes com pitadas paladianas, góticas, francesas, holandesas e chinesas, em efeito meio pastiche, mas cheio de curvas e entalhes. Não só consagrou-se como virou sinônimo de um estilo: quem é do metiê, muito provavelmente já ouviu o termo “móveis Chippendale”. Espia a seleção para sacar melhor o gênero.

moveis-classicos

De volta às passarelas, com um desfile über-conceitual, Samuel parece ter levado a referência ao pé da letra, em efeito meio surreal, meio Alice.

O look mais comentado foi o que tinha a aplicação mais inusitada que já vi em moda: uma mesa de 25 quilos fundida à saia! Sem falar nas cúpulas de abajur bordadas com franjas de cristal, que viraram chapéus na cabeça das modeletes, ou nas caudas dos vestidos com almofadas de capitonê. Espetacular. Veja no vídeo via portal FFW:

E todo esse conversê aí em cima sobre móveis ingleses me despertou uma larica danada do chá das 17h. A Tissy Brauen, top produtora de Casa Vogue, que acaba de voltar da licença-maternidade com novidades que vão muito além das corujices do fofíssimo Antonio (seu rebento de olhões azuis), me mostrou esse infusor descoladíssimo, com nome tão genial quanto o shape: Yellow Submarine. Qualquer menção aos Beatles não é mera coincidência… Procure no monkey-bus.co.il

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23/06/2009 - 17:34

Fashion decorete

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A maratona fashion terminou. E eu baixei na reta final do SPFW para conferir, in loco, o último grito da temporada – como já disse aqui, há muito mais entre a moda e a decoração do que a nossa vã filosofia pode supor. Primeiro, porquê é praticamente a mesma indústria têxtil que abastece os dois mercados. Depois, porquê muitos arquitetos absorvem o conceito da moda para projetar as vitrines dos fashionistas. Na via oposta, o décor se apropria da moda na difusão de movimentos estéticos, cores e estampas. E para arrematar, estilistas bacanões, como Alexandre Herchcovitch e André Lima (que, diga-se de passagem, arrasou na segunda-feira, com sua explosão de cores ao som de Bethânia), vira-e-mexe desenham coleções de acessórios para a casa (clique aqui e aqui para ver).

Um passeio pela Bienal durante a SPFW revela tudo isso e muito mais, bem além das passarelas – da cenografia do prédio, by Daniela Thomaz, ao espaço da Melissa, do Marcelo Rosenbaum (vide último post), passando pelas áreas de exposição, restôs e afins.

E tem os disputadíssimos lounges. Ah, os lounges! Ok, sou suspeito. Mas o que vi de mais catárstico, neste sentido, foi o puxadinho da “patroa” Vogue, assinado pelo caríssimo Fabrizio Rollo, que mergulhou fundo na vibe francesa, mote do evento. Espie os cliques do Romulo Fialdini e tire suas próprias conclusões. É ou não é a mais fina alta costura em versão casa!

A inspiração para o ambiente, batizado de Bistrot Vogue, foi o art déco dos anos 20 e 30 (época em que o movimento estava na moda) com passagem pelas décadas de 60 e 70 (quando voltaria com tudo e mais um pouco). Fabrizio fez ali um mélange do período original com essa reinterpretação que viria depois, com pimenta contemporânea e olhar 2010. Embora seja um cenário, tudo ali é autêntico: peças legítimas, como as cadeiras Tolix (design indusrial francês dos anos 30, produzido até hoje), as assinadas pelo arquiteto modernista Robert Mallet Stevens e outras superatuais de Patrik Jouin para a Kartell, se misturam com tecidos tecnológicos e tradicionais da Élitis – como veludos, tecidos de algodão com textura de esferas de bolinhas, que dão uma cara mais pop, bem sessentona, “mas não deixa de remeter à geometria déco”, conta o Fabrizio. O clima, além de culto (o conjunto é praticamente uma enciclopédia decorativa do período, com alguma licença poética) é acolhedor, quente, confortável, ergonômico.

Cores sóbrias como ébano, marfim, café, preto e cinza, criam a atmosfera sofisticada e típica do déco. O melhor da festa, para mim, são as paredes revestidas de laminado Fórmica, em zebra wood, que substituem a madeira com o mesmo efeito, mas sem derrapadas ecológicas.

Nas paredes, arte de Denis Maricato fazem alusão ao delicioso colorido psicodélico de Vasarely, com sua pegada caleidoscópica, pintada à mão com lápis de cor. E mais fotografias da Cidade Luz, da galeria de Renato de Cara, combinadas com painéis orientais de Armando Camarão.

O bar Cointreau, meio laranja-retrô, evoca o perfume exótico e orientalista do tema com lustre marroquino, gradis de ferro dos anos 30 e arranjos de laranja madura (sim, a fruta, in natura).

Entre cômodas francesas e mesas de bistrô, a cadeira de couro de Charlotte Perriand, partner de Le Corbusier, é a cereja do bolo. Para mim, este foi o melhor mise-en-scene da SPFW. E o melhor de Monsieur Rollo (que aqui contou com a produção da foférrima Bianca Schaffer). “Não posso dizer que é o meu preferido, porque me envolvo de tal forma em cada trabalho que o preferido é sempre aquele no qual estou trabalhando, ou seja: o próximo”, diz ele. Que venha, então.

Voltando às passarelas, além do fofo do André Lima (um dos meus prediletos), ontem me amarrei no desfile do Samuel Cirnansck e sua viagem “cuba libre anos 40”, com direito a Marina de La Riva posando de top em vestidão esvoaçante de acabamento im-pe-cá-vel, como soprou o Paulo Martinez no meu ouvido. Lux de luxo!

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19/06/2009 - 17:01

Chiclete

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Plugada em tudo o que acontece no universo plástico, a Melissa (www.melissa.com.br) sempre capricha na produção do seu já tradicional lounge na SPFW. A marca da sandalhinha com cheiro de chiclete aterrissou na 27ª edição do evento sob a chancela de Marcelo Rosenbaum (www.rosenbaum.com.br), que bolou uma espécie de túnel do tempo com os ícones da marca em diversas formas, celebrando seus 30 anos de riscado. No teto, monitores formam um painel nos quais vídeos antigos são projetados constantemente. Nas paredes laterais, o logo Melissa 30 anos, em moving light, passeia pra lá e pra cá, enquanto os comercias mais expressivos da grife também são exibidos full time, lembrando seu pioneirismo no design de plástico.

Isso foi o que deu pra ver – o ambiente tava tão tumultuado, mas tão tumultuado, que eu achei que estivessem distribuindo sapatinhos de brinde (e, de fato, estavam). E as melisseiras de plantão já testaram e aprovaram a nova roupagem da Galeria Melissa lá na Oscar Freire (depois mostro aqui). É Rosenbaum na cabeça!

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18/06/2009 - 20:34

Cartas a um jovem designer

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Estou dando uma folheada no interessantíssimo “Cartas a um jovem designer”, livro que os big brothers Campana lançaram há alguns dias, lá na Firma Casa (já comentei aqui, an passant), pela editora Campus-Elsevier (a detentora da série “Cartas a um jovem…”, que já publicou desde Fernando Henrique Cardoso – “Cartas a um jovem politico”, a Marília Pêra – “Cartas a uma jovem atriz” e Alexandre Herchcovitch – “Cartas a um jovem estilista”, cujo texto original fora escrito pelo saudoso amigo Ailton Pimentel; entre outros correios bem endereçados a pupilos entusiasmados).

Não vou descarregar aqui, pela enésima vez, aquele container de elogios sobre os caras, mas olha só que bacana esse trecho: “É preciso olhar para além do produto ou componente, sem preconceitos, ou seja, sem conceitos pré-formados. Só assim é possível deslocar os ralos de esgoto doméstico, feitos de plástico branco, para compor um tampo de mesa de refeição”, contam eles, entre um e outro case que combina a teoria e a prática da profissão, tanto para quem quer seguir carreira, quanto para os leitores interessados em saber um pouco mais sobre o assunto.

Enquanto o livro bomba nas boas lojas do ramo, os Campana continuam segurando a onda na elite do design internacional. Em cartaz no Vitra Design Museum (www.design-museum.com) – aquele projetado por ninguém menos que Frank Gehry, na Alemanha -, a exposição Antibodies revê os 20 anos de carreira da dupla, com um apanhadão geral dessa produção que catapultou o subversivo ao superpop, o lixo ao luxo, a reciclagem ao design estrelado, o ordinário ao extraordinário.

Agora vou lá no SPFW, que acontece no prédio da Bienal em São Paulo até o próximo dia 22, ver o que tem de bom – entre a moda e o design, existem muito mais coisas do que a nossa vã filosofia pode supor – e depois conto pra vocês. Abraços!

Autor: - Categoria(s): Artes, Décor, Design Tags: , , , , , ,
18/01/2009 - 12:42

Ultra-lounge

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Em semana de maratona SPFW, o blog abre alas para mostrar os lounges mais hypes que orbitam à margem das passarelas – muitos deles, mais badalados do que as coleções em si. Fazendo a linha nepotista – sem culpa nenhuma, tá? – começo pelo meu favorito: o lounge da Vogue, assinado por Fabrizio Rollo, em momento “em busca de Debret”.

Chiqueria na veia. Daqui até o fim da semana, segue uma compilação dia-a-dia para você sacar que esses espaços também atraem o contigente fashion pelo visual – e não só pelos brindes disputados à tabefes pelas visitinhas modernex. Aliás, tô com a Costanza e não abro: nada mais cafona do que ficar secando amostra grátis pelas rampas da Bienal. Veja mais imagens do ambiente:

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